Pesquisar este blog

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Europa: Política Neoliberal, Desemprego e Crise Econômica


A crise econômica gerada pelas políticas neoliberais implementadas nos países europeus que compõem a União Européia resultou numa série de problemas econômicos e sociais: flexibilização da legislação trabalhista, fim de direitos trabalhistas, redução salarial, desemprego estrutural, cortes orçamentários e privatizações é cada vez mais voraz. A questão é saber se as sociedades européias vão aceitar isso. A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político.

Os fortalecimentos das políticas neoliberais ocorreram a partir do enfraquecimento da esquerda e centro-esquerda nos países europeus na era 2000. Os problemas desses governos com os movimentos sociais e sindicais levaram a fortes mobilizações sociais. Os governos que deveriam implementar políticas de aprofundamento da qualidade de vida e da política de bem estar social, começaram a defender as políticas neoliberais de “estado mínimo” e do mercado livre que prioriza o lucro, a especulação financeira, os baixos salários, as privatizações, o desemprego, os baixos investimentos sociais e o aprofundamento da pobreza e miséria.

Essas ações geraram confusões na cabeça das pessoas em diferenciar os Governos de Direita e os Governos de Esquerda. Essa confusão de gestão acabou reconduzindo a direita ao poder muito mais fortalecida para aprofundar as mesmas políticas neoliberais adotadas pela tal esquerda. Os resultados dessas ações resultaram na crise econômica e social que vários países passam atualmente.

Depois da crise que passaram Grécia, a Irlanda com políticas de cortes dos investimentos públicos, redução de salários, privatizações e demissões em massa dos trabalhadores que geraram fortes reações do movimento sindical e social, provavelmente o próximo país é Portugal. Na sequência, não sabemos. O que é certo é que vários países estão ameaçados pelos mercados. A Espanha já está na mira, mas o caso da Espanha é diferente. Trata-se da dívida espanhola é três vezes superior à grega, seu déficit está, há dois anos, em torno de 10% do PIB, e o desemprego, que atinge todas as faixas de idade, está acima dos 20%. Se a Espanha recorrer ao fundo de resgate europeu, isso abriria também, de maneira inevitável, o caminho para ações especulativas contra Itália e França, o que significaria um giro decisivo para a Europa.

A estratégia adotada pela União Européia para resolver o problema da crise econômica dos países europeus com uma política fundamentalmente recessiva da economia provoca um aumento legítimo das reivindicações sociais e políticas e dá lugar a perguntas que começam a ser formuladas espontaneamente pelas opiniões públicas. Por que continuar cumprindo as metas econômicas do FMI e da União Européia? Seria melhor voltar a serem donos de suas políticas econômicas?

Está claro que não se pode resolver a crise somente com medidas restritivas que atingem os trabalhadores e menos ainda com medidas técnicas vinculantes como as apoiadas por Alemanha e França para ativar o fundo de resgate. Durante a fase crítica, prolongação dos créditos poderá gerar uma emigração dos investidores privados em função da depreciação de seus empréstimos em troca de garantias para o restante.

Quando a crise começou, submeteu à prova a capacidade de resistência dos Estados e dos movimentos sociais, e quem em caso de uma debilidade comprovada dos europeus para definir uma estratégia progressista comum frente à crise, os investidores iam incrementar sua vantagem atacando frontalmente os Estados mais fracos. Objetivos: desregulamentar ainda mais os mercados internos e exigir mais privatizações. É exatamente o que está ocorrendo hoje. A questão é saber se as sociedades européias vão aceitar isso. Neste contexto, o estatuto do euro é um teste definitivo: será, finalmente, posto a serviço da promoção de um modelo social sustentável ou se tornará o vetor da destruição dos restos do Estado de bem estar social europeu? A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político.

Na verdade, está em jogo o futuro do projeto europeu. As regras de funcionamento do euro previstas pelo Tratado de Lisboa entram cada vez mais em contradição das divergências de desenvolvimento dos diversos países da zona. É vital estabelecer, daqui em diante, uma coordenação forte das políticas econômicas européias, ainda que a Alemanha, tutora do Banco Central, não queira ouvir falar de um “governo econômico”. Aqui está o coração da batalha para a sobrevivência da zona euro e não nas medidas coercitivas previstas pelo acordo adotado em 28 de outubro, em Bruxelas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário