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domingo, 28 de maio de 2017

Neonazismo no Brasil, crescimento do racismo e da intolerância

Em Janeiro de 2017 matéria publicada pelo Jornal britânico Financial Times fala sobre avanço de neonazismo no Brasil. Para o jornal o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ) é um político com fama internacional como de extrema direita brasileira. O artigo destaca o avanço do neonazismo no Brasil. A publicação lembra a defesa que o deputado fez do torturador Ustra, durante a votação da admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Ao justificar o voto pela derrubada da petista, Bolsonaro disse que o fazia "pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra se referindo ao fato de a ex-presidente ter sido uma das torturadas na ditatura militar.

Segundo o site wikipedia.org, Ustra “foi um coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército (de 1970 a 1974), um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Também era conhecido pelo codinome Dr. Tibiriçá. Em 2008, Ustra tornou-se o primeiro militar a ser reconhecido, pela Justiça, como torturador durante a ditadura”.

Segundo o jornal Financial Times, Bolsonaro negou ser neonazista, mas os críticos o acusam de compartilhar “muitos pontos de vista do movimento, como o racismo e a intolerância”. A reportagem do Financial Times fala sobre o avanço de uma onda neonazista no Brasil e do avanço da extrema-direita e dos políticos ultraconservadores.

Veja matéria completa aqui: http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2017/01/11/interna_politica,838665/financial-times-ve-avanco-de-neonazismo-no-brasil-e-cita-bolsonaro.shtml

O jornal britânico cita, também, um estudo da Unicamp que mostra que, dos 200 milhões de brasileiros, há 150 mil simpatizantes do neonazismo. Segundo a publicação, a revelação de que integrantes do movimento neonazista brasileiro estariam sendo convocados por forças extremista da Ucrânia causa preocupação. O artigo lembra crimes cometidos por grupos extremistas no Brasil, como o caso de skinheads que atacaram um negro no metrô de São Paulo e um grupo gaúcho que invadiu uma festa judaica.

Em entrevista do site vice com a professora Adriana Dias da UNICAMP releva o perfil do Neonazista brasileiro: https://www.vice.com/pt_br/article/o-perfil-do-neonazista-brasileiro-uma-entrevista-com-a-pesquisadora-adriana-dias reproduziremos a entrevista na íntegra que revela o cenário preocupante para o país.

VICE: Algum fator específico faz um jovem se sentir atraído pelos pensamentos neonazistas?
Adriana Dias: O jovem brasileiro que é atraído por esse grupo é aquele que tem algum problema familiar e de relacionamento. Tanto é que a grande maioria das famílias, quando descobre que tem um filho neonazista, diz: "Nossa, eu jamais imaginei". Muitas vezes as famílias mal sabem que o adolescente tinha a tatuagem de uma suástica nas costas, por exemplo. São jovens que têm graves problemas familiares e de sociabilização, e eles procuram nesses grupos a resposta a por que eles não dão certo na vida. Nos grupos, é dito que eles não dão certo porque alguém já ocupou o lugar que seria deles. Isso é uma grande preocupação da antropologia. O neonazista acredita que existe um lugar natural para a raça branca que é a liderança sobre as outras raças. A mídia, segundo o neonazista, é toda judaica, pois construiu um perfil de um negro quase herói no Brasil porque ele vence no esporte, na música. Então é preciso destruir o judeu e o negro é preciso eliminar a ameaça nordestina para que o natural, que seria o lugar do jovem ariano, se recupere. É uma paranoia construída atrás da outra.

De acordo com suas pesquisas, qual é a média de adeptos por aqui?
Depende do que vamos chamar de adeptos. Eu faço muita diferença entre dois grupos: o primeiro é aquele que lê material neonazista com frequência, que é o simpatizante. Esse é neonazista. Ele está contaminado. Ou seja, ele baixa mais de 100 arquivos de 10 a 100 mega. Ninguém baixa mais de 100 arquivos com textos sobre a importância da raça, sobre como construir bombas, sobre a inferioridade dos negros, a não ser que esteja fazendo uma pesquisa. E não tem quase ninguém pesquisando o tema. Então, quem baixa esse material com certeza é simpatizante. São 150 mil pessoas baixando esse volume de material no Brasil, o que é um número muito assustador. E você vai ter 10% disso que são os líderes realmente. São pessoas que fazem passeatas, que saem na pancadaria, que exigem que os outros façam pancadaria, que ameaçam pessoas, que volta e meia fazem proselitismo na rede e que tentam, de alguma forma, coordenar o restante dos grupos. E tem os 10% desses 10% que são as pessoas que já passaram todos os limites possíveis e de quem a polícia já está atrás.

O maior número de neonazistas ainda predomina na região sul do país?
Lá os grupos são mais densos. Os maiores crimes aconteceram lá, mas não necessariamente entre descendentes de alemães. A pesquisa demonstra que o estado de maior concentração é Santa Catarina, depois Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

Quando o punk começou a ganhar adeptos no país, os nazistas eram os caras que iam às ruas dar porrada. A internet mudou o comportamento deles?
Na verdade, a internet intensificou esse comportamento na medida em que ela permite que as pessoas troquem muita informação entre si sem que a gente consiga localizar esses que vão às ruas para bater. O número de crimes homofóbicos no Brasil está absurdo, mas eles não são considerados como crimes de ódio. São tidos como lesão corporal, tentativa de homicídio ou como homicídio já realizado. Não tem como separar do crime comum o crime que teve demanda racial, demanda de ódio de um nordestino, de gays.

E qual é o tipo de ação deles na internet? O que eles fazem?
Eles disponibilizam informações. Vejo crianças de oito anos de idade citando Hitler nas redes sociais. Do tipo: "Quero ser rebelde, então vou citar Hitler". Isso é extremamente preocupante.

E qual é o tipo de ação deles fora da internet?
Normalmente, eles têm rituais de iniciação que envolvem agressões físicas. Mas eles também têm reuniões de treinamento paramilitares, reuniões de ideologia, eles produzem material. Existem vários zines neonazistas publicados no Brasil por esses grupos. Obviamente, eles se reúnem para produzir.

Qual é a maior discordância entre os grupos brasileiros?
Aqui no Brasil, a maior discordância é para ver quem manda. O que rolou em 2009, no Paraná, era isso. Lideranças neonazistas brigando para ver quem mandava mais; se era o Barollo, filiado ao PSDB aqui em São Paulo, ou se era o Bernardo, de Minas Gerais.

O cara que foi assassinado junto com a namorada?
Exatamente, em 2009. Então, assim, essa é a grande discussão deles. Quem manda mais, qual é o plano para tomar o poder no país. E muitos neonazistas hoje estão entrando para o Partido Arena.

Que partido é esse?
Um partido novo que aceita alguns grupos nacional-socialistas. Se você vir o vídeo da fundadora do partido no YouTube, vai notar que ela assume que está aceitando nacional-socialistas no partido.

Existe uma distinção forte de ideias? Por exemplo: aqueles que não gostam de negros, mas toleram nordestinos, ou coisas do tipo?
Alguns grupos aceitam mulatos, principalmente em São Paulo. No sul do país é mais difícil. Eles permitem a participação de mulatos, mas é para colocá-los nas linhas de frente, para eles serem presos. É uma estratégia muito clara. Até para depois eles poderem dizer que não são racistas. É uma estratégia muito bem pensada, inclusive.

Diante da reveladora entrevista, podemos perceber o problema que se revela para o país. As reivindicações neonazistas se fortalecem quando ganham respaldos nos discursos de políticos de extrema-direita que encontra aceitação até entre trabalhadores menos informados sobre suas pretensões e as implicações sociais caso esses ideais se transformem em ações de Estado. As ideias de culpabilidade de imigrantes e negros em está ocupando lugar dos brancos serve para desresponsabilizar os governantes de suas obrigações em promover políticas públicas de geração de emprego e renda.

O uso político dos termos esquerda e direita é referenciado na Revolução Francesa, em 1789, quando os liberais girondinos sentavam no lado direito defendendo os interesses da nobreza e da burguesia e os jacobinos sentavam no lado esquerdo no salão da Assembleia Nacional eram pequeno-burgueses ligados às suas origens rurais e pobres e defendiam os interesses dos trabalhadores e desempregados. Nos dias atuais, o termo esquerda é utilizado para descrever as pessoas que defendem e seguem o socialismo como organização econômica e social (idealizado por Karl Marx). Já o termo extrema-direta é utilizado para descrever as pessoas que defendem as ideias do nazismo (idealizado por Hitler) e do fascismo (que tem como um dos idealizadores Mussolini).

Benito Mussolini assumiu o poder na Itália em 1922 e implantou uma ditadura, estabelecendo perseguições, prisões, torturas e mortes contra os militantes de esquerda. Os fascistas defendia uma falso discurso nacionalista, para alimentar o ódio contra as minorias e estabelecer o estado-mínimo contra os trabalhadores e os sindicalistas acabando com disreitos trabalhistas. Em 1933, o nazismo triunfou na Alemanha agregando um novo ingrediente ao pacote fascista: a raça. Hitler quis purificar a sociedade alemã dos seres considerados “inferiores”, entre eles judeus, homossexuais, eslavos, ciganos, deficientes físicos e mentais. Segundo o Hitler, era preciso eliminar esses “bacilos” do corpo da sociedade para assegurar a supremacia ariana (branca).

Os neonazistas atualmente defendem a construção de um Estado fascista, onde prevalecem o nacionalismo extremo e a intolerância. Alguns estudos indicam uma relação entre o aumento do desemprego na parcela mais jovem da população e a ascensão de partidos neonazistas, principalmente nos países mais ricos.

A crise do capitalismo em todo mundo, o crescimento do desemprego e o agravamento dos problemas sociais fez os neonazistas adotarem um novo inimigo: o imigrante, sobretudo aquele vindos dos países subdesenvolvidos da América Latina, África e Ásia. Essa ideia racista/ xenófoba atraiu jovens desempregados e sem perspectivas de emprego para a extrema direita. Os neonazistas não se intitulam racistas, mesmo tendo práticas correspondentes à ideologia do racismo. Mesmo condenando os imigrantes, são eles que realizam trabalhos renegados pela população pela nativa, como limpar vidros, lavar carros, construção civil, lavar pratos, entre outras atividades que rendem baixos salários.

Alguns neonazistas começaram a integrar torcidas organizadas de futebol com o objetivo de propagar o ódio racial, passando a praticar atos preconceituosos, como ofensas e agressões a jogadores e torcedores negros.

O site Pragmatismo Político publicou 10 (dez) frases polêmicas do deputado Jair Bolsonaro que reproduziremos aqui. As frases revelam apologia ao racismo e desrespeito as minorias, vejamos:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/08/as-10-frases-mais-polemicas-de-jair-bolsonaro.html

Confira abaixo algumas das frases mencionadas pelo deputado:
1. “O erro da ditadura foi torturar e não matar.” (Jair Bolsonaro, em discussão com manifestantes)
2. “Pinochet devia ter matado mais gente.” (Bolsonaro sobre a ditadura chilena de Augusto Pinochet. Disponível na revista Veja, edição 1575, de 2 de Dezembro de 1998 – Página 39)
3. “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.” (Jair Bolsonaro em entrevista sobre homossexualidade na revista Playboy)
4. “Não te estupro porque você não merece.” (Jair Messias Bolsonaro, para a deputada federal Maria do Rosário)
5. “Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados” (Bolsonaro para Preta Gil, sobre o que faria se seus filhos se relacionassem com uma mulher negra ou com homossexuais)
6. “A PM devia ter matado 1.000 e não 111 presos.” (Bolsonaro, sobre o Massacre do Carandiru)
7. “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.” (Afirmação de Jair Bolsonaro após caçoar de FHC sobre este segurar uma bandeira com as cores do arco-íris)
8. “Você é uma idiota. Você é uma analfabeta. Está censurada!”. (Declaração irritada de Jair Bolsonaro ao ser entrevistado pela repórter Manuela Borges, da Rede TV. A jornalista decidiu processar o deputado após os ataques)
9. “Parlamentar não deve andar de ônibus”. (Declaração publicada pelo jornal O Dia em 2013)
10. “Mulher deve ganhar salário menor porque engravida” (Bolsonaro justificou a frase: “quando ela voltar [da licença-maternidade], vai ter mais um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano”)

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