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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Afinal, quem é nosso inimigo?



Tenho um medo que me pela da geração que se acha treinada em ler nas entrelinhas e pensa poder decifrar as intenções dos discursos oficiais. O mesmo em relação à geração de nacionalistas, como muitos dos militares do regime ditatorial, que confundiram os inimigos e tudo fizeram para destruir justamente aqueles que lutavam por um Brasil independente e soberano.

Percebo um crescente número de nacionalistas desse tipo preocupados com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros. Eles acusam a China de ter transformado o Brasil em simples exportador de alimentos e matérias-primas. Eles também reclamam que, em passado recente, exportamos geradores para Três Gargantas, e agora estamos importando geradores da China. Afirmam que, ingenuamente, aceitamos instalar uma filial da Embraer na China, mas que os chineses clonaram o avião brasileiro e hoje competem com ele no mercado mundial.

Supondo que tudo isso seja verdadeiro, o que nos impediu de ser mais rápidos do que os chineses, industrializando o Brasil e elevando a competitividade de nossos produtos? Afinal, até os anos 1970, a indústria brasileira era mais adiantada e competitiva do que a chinesa, e de lá para cá, se tornou muito mais atrasada e menos competitiva. Culpa da China, ou das classes dominantes brasileiras e de seu espírito de colonizado?

O pior é que esses nacionalistas, numa leitura simplista, consideram que a China está em situação pior que o Brasil, não no passado, mas atualmente. Por que? Porque, segundo eles, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas, 50% em metropolitanas, e nem
chegamos aos 200 milhões de habitantes, enquanto menos de 50% da população chinesa, de 1,36 bilhão de habitantes, estariam nas áreas urbanas. Conclusão: a renda rural média chinesa sendo um terço da renda urbana média tornaria inexorável a transferência de mais de 400 milhões de pessoas para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. Em conseqüência, a “favelização” das áreas urbanas se tornaria insuportável, tornando impensável o futuro demográfico chinês. Essa análise é típica de quem não conhece a China, nem distingue a diferença entre os conceitos chinês e brasileiro de área urbana e área rural. No Brasil, vilas de 1500 habitantes são consideradas urbanas.

Na China, só são classificadas como urbanas aglomerações acima de 100 mil habitantes. Se considerarmos que povoados na China podem ter mais de 50 mil habitantes, enquanto aldeias podem chegar até esse número, é preciso ter cuidado para não falar bobagens a respeito. Se tomarmos a população chinesa pelo conceito brasileiro de área urbana, incluindo aí as aglomerações acima de 20 mil habitantes, talvez a China seja mais urbanizada do que o Brasil. Mesmo porque, ao contrário do Brasil, a industrialização chinesa foi realizada com acentuada dispersão e, desde os anos 1960, incluiu aquilo que mais tarde foi chamado de indústrias de cantões e povoados, ou indústrias rurais. Ou seja, a China criou e desenvolveu diferentes tipos de indústrias nessas áreas, que hoje envolvem mais de 22 milhões de unidades e 140 milhões de trabalhadores. Em outras palavras, a China vem, há muito, criando condições para evitar a favelização de suas cidades. O que não significa que ela não tenha problemas de desequilíbrios regionais, tanto econômicos, quanto de renda.

Resolver problemas herdados do passado feudal e semicolonial, numa população de mais de um bilhão de pessoas, não é missão que possa ser completada em 60 anos. As políticas de filho único, que não está sendo relaxada, como pensam alguns desavisados; de proteção dos lençóis
freáticos; de desenvolvimento científico da agricultura, para garantir a segurança alimentar; de reflorestamento e proteção ambiental; e várias outras, fazem parte de um conjunto de estratégias que permitiu à China não apenas desenvolver sua economia, mas também retirar da linha da pobreza e elevar ao nível de classe média, nos últimos 30 anos, mais de 800 milhões de pessoas.

O mesmo tipo de bobagem que deveria ser evitado é comparar, num critério linear, os salários no Brasil e na China. Afirmar que o salário médio brasileiro é muito baixo, o que é verdade, mas que um brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre, significa desconhecer a diferença entre salário nominal e salário real, e as diferenças de poder de compra entre ambos. Os salários nominais chineses são baixos em relação aos padrões internacionais, mas seu poder de compra interno é elevado. Cem dólares na China compram muito mais produtos do que no Brasil.

Apesar desses deslizes na apreciação da situação interna da China, porém, o que mais espanta na análise de vários de nossos nacionalistas é sua visão não diferir um til sequer do discurso norte-americano e europeu sobre o que chamam de projeto geopolítico e a geoeconômico chinês. Tal projeto estaria transformando a África, a Ásia e a América Latina em simples fornecedores de alimentos e matérias-primas. Em busca de minério de ferro e petróleo, a China teria “ocupado” economicamente o Gabão e Angola, e se expandido pelo extremo sul da América Latina, ameaçando transformar o Mercosul em pura retórica.

A China estaria, assim, repetindo a estratégia do capitalismo do final do século 19: tornar a periferia mundial em fonte de matérias-primas e alimentos. Sua proposta seria neocolonizadora, um risco de “conto do vigário”. Os que se contrapõem a essa visão sobre a China seriam vendilhões da pátria, dispostos a entregar energia e alimentos para o neo-sonho imperial chinês. Em resumo, a China amarela passou a ser o inimigo principal para esses nacionalistas. Isto, embora todas as evidências apontem que são os Estados Unidos o pólo do sistema capitalista mundial e o inimigo principal de todos os povos. Embora sua hegemonia pareça estar em declínio, é o império norte-americano que ameaça todos os demais países com guerras. As classes dominantes da Big Apple supõem que as guerras podem não só manter sua economia em funcionamento, como evitar o colapso da indústria bélica e de sua cadeia produtiva, reduzir o número de desempregados e sustar a bancarrota de estados americanos, cuja receita depende da produção de armas.

São os Estados Unidos, chafurdados em dívidas, que dependem, para sua sobrevivência, das riquezas dos países mais pobres. Para sustentar suas políticas e práticas de déficits fiscais, insuficiência de recursos para infra-estrutura, saúde e programas sociais, e para a manutenção de sua máquina militar espalhada pelo mundo, o império norte-americano ingressou no mesmo tipo de política que levou o Império Romano a espalhar conflitos por toda a Europa e Oriente Médio, culpando os bárbaros da época por seu declínio. É pena que alguns nacionalistas brasileiros não enxerguem essa realidade e tentem tirar o império norte-americano de foco, elevando os bárbaros amarelos a inimigos principais.

Escrito por Wladimir Pomar – 6 de dezembro de 2011
Fonte: http://pagina13.org.br/archives/11865

sábado, 25 de junho de 2011

China e acumulação primitiva do Socialismo


A China é a segunda maior potência econômica mundial com uma taxa de crescimento do PIB de mais de 10%. Toda política chinesa está voltada a garantir um acúmulo de excedente de riqueza que permita o fortalecimento do Socialismo no país. Para ter sucesso, o país vem implementando uma política econômica que está incomodando as nações capitalistas em função do fluxo de comércio e de preços relativos a diversos ativos financeiros, bem como um exército de trabalhadores cada vez mais urbanos e qualificados devido aos pesados investimentos realizados em educação e na qualidade de vida.

Para fortalecer seu projeto, o país aceita a entrada de capital internacional com as seguintes condições: a empresa só entra se trouxer novas tecnologias, fazendo aliança com empresa nacional e produzir para o mercado externo. O resultado desse modelo de gestão econômica garante a produção de produtos baratos para o mercado interno realizado pela indústria nacional que se fortalece ao absorver a tecnologia das multinacionais e a possibilidade delas entrar em novos mercados pegando carona nas empresas estrangeiras. Assim os produtos chineses começam a dominar o mundo a preço baixo, bem como garante produtos de baixo custo para o consumo da população.

O caminho que a China quer trilhar é bem diferente das nações capitalistas. No capitalismo há uma acumulação de riquezas sem limites. Os trabalhadores são explorados para que haja maior acúmulo de riquezas para os donos do capital que investem em inovação tecnológica para ampliar, ainda mais, a produção e os lucros. Os países produzem alimentos, mas o povo morre de fome, se têm analfabetos é uma ação deliberada, pois há condições financeiras para ter toda população escolarizada. Entretanto, o aumento da produtividade, atualmente, gera condições para que os trabalhadores possam trabalhar o mínimo e viver o máximo.

O que a China está fazendo é produzindo esse excedente para ter condições de fortalecer o socialismo no país e garantir condições de vida digna para toda população.

O grande marco da revolução chinesa é 1949 logo depois da 2ª guerra mundial, a partir da revolta camponesa, socialista e nacional libertadora. A revolução foi baseada na luta armada com a formação de um exército popular pela libertação de território e cerco das cidades pelo campo situação que vai influenciar as revoluções em Cuba, Nicarágua, Angola e Vietnã.

A China é uma das mais antigas civilizações da terra e houve um momento que o país era muito mais importante economicamente do que os países europeus. A partir de certo momento, há estagnação com os conflitos entre a burguesia e os senhores feudais. Na Europa houve acordo que resultou na revolução burguesa e no avanço econômico. A Europa evolui economicamente que desemborca no capitalismo e a China estagna.

Nesse período de estagnação, a Inglaterra obriga a China e comercializar o ópio num período de humilhação permanente pelos ingleses que só vai ser superado em 1949 desde a guerra do ópio em 1848 e 1849 recolocando a China na trilha do desenvolvimento com a retomada das tradições históricas milenares. O ópio é utilizada como narcótico e os viciados ficam magros e com cor amarela, diminuindo, ainda, sua resistência às infecções.

A revolução de 1949 é precedida da revolução de 1910 que institui na China a democracia burguesa que destitui o imperador e implementa o Governo controlado por Kuomintang (Partido Nacionalista do Povo) numa aliança com os comunistas contra os senhores feudais. Depois disso, a aliança com os comunistas é rompida e o país passa a viver uma guerra civil entre os dois grupos. Os comunistas criam uma república soviética independente que foi combatida pelos Kuomintang que quase os exterminou. Essas sucessivas derrotas fizeram os comunistas ressurgirem numa tática de luta que substitui a política e passam a utilizar a guerra popular prolongada e cerco das cidades pelo campo, utilizando o campesinato com força estratégica da revolução.

A invasão do Japão durante a segunda guerra mundial leva o exército popular a fazer uma nova aliança com Kuomintang contra os invasores japoneses. A aliança acontece com restrições que dura até o final da guerra, quando a guerra termina recomeça a guerra civil de 1945 a 1949. Em 1949 termina a guerra civil com a expulsão dos Kuomintang para Taiwan que formam a República da China, enquanto os comunistas criam a República Popular da China.

Até o momento, podemos considerar que a revolução chinesa aconteceu em duas etapas: de 1949 a 1978 quando o país adota várias políticas e a partir de 1978 com a adoção do socialismo de mercado.

Na primeira etapa o país vai testar a melhor política de construção do socialismo. Uma linha adotada foi baseada no desenvolvimento das relações de produção na ideologia e na política. Essa linha entendia que era possível socializar a economia chinesa para toda população no estágio que ela estava e protagonizou a Revolução Cultural Chinesa. Foi um experimento que resultou numa linha do confronto de classe com choque direto com a burguesia. A Revolução Cultural Chinesa foi a materialização da disputa: mudanças de hábitos, ou seja, muda a situação social do país e o desenvolvimento econômico é secundário e não fundamental utilizando peça de teatro, livros, textos para atacar aqueles considerados inimigos da revolução.

A Revolução Cultural se transforma na força contra qualquer coisa que cheirasse a burguês. Ela passou a ser a dirigida pela juventude que se transformaram na guarda vermelha fiscalizando os comportamentos as práticas do povo. A revolução cultural foi à expressão política das camadas pobres para revolver seus problemas através do igualitarismo radical e atende as aspirações imediatas das pessoas.

Mao Tsé-Tung usa isso para combater outros setores do partido favoráveis a idéia de desenvolvimento em longo prazo nos marcos capitalista. Mao chegou a convocar a guarda vermelha a bombardear o comitê central para combater essas idéias. A ameaça da revolução era visto como ameaça a restauração capitalista e ao partido, como estava acontecendo na Rússia. Passa haver uma articulação de outros setores para deter esse modelo. Primeiro numa tentativa de golpe de Estado e depois da morte de Mao Tsé-Tung o grupo que comanda a revolução cultural chinesa é derrotado e desacreditado pela população.

A outra corrente existente dentro do partido comunista assume o comando e promoverá o desenvolvimento das forças produtivas que tirará o país do atraso econômico. Essa corrente entendia que era preciso desenvolver economicamente o país mesmo adotando métodos capitalistas. Essa tese de Deng Xiaoping sai vitoriosa com a visão de desenvolvimento das forças produtivas. Implementa-se, a partir de 1978, a política de fazer a China crescer economicamente adotando métodos de acumulação produtiva.

A China, portanto, passa a adotar o Socialismo de mercado como fator de estímulo ao desenvolvimento econômico. Essa é classificada como fase inicial de desenvolvimento socialista até atingir um padrão de vida médio de modo que o país possa implementar, de fato, o socialismo no seu sentido amplo. Do ponto de vista teórico o país está implementando a doutrina marxista mais ortodoxa: transfere a política para os trabalhadores, mas o ponto de partida tem que haver desenvolvimento econômico. A propriedade somente será coletiva a partir de um amplo desenvolvimento caso contrário o Estado tem que administrar a burocracia situação que impende o desenvolvimento econômico e social.

O país deu aos camponeses direitos sobre a propriedade e de comercializarem o que produzem. Isso gerou uma produção de alimentos imensa com possibilidade das famílias enriquecerem. Entretanto, há muita crítica em relação à distribuição de riquezas e nesse momento a política é desigual. Nesse estágio que a população pobre precisa enriquecer e os que já estão ricos têm outros interesses, mas o país precisa conviver com essas contradições para atingir seu objetivo maior. O grau de exploração da força de trabalho é brutal, entretanto o grau de consenso social é grande: as pessoas trabalham muito mais, pois podem ascender socialmente. No país não existe miséria, entretanto existem conflitos sociais permanentes para compensar o desenvolvimento capitalista, pois o Estado impõe limites e redistribui a riqueza.

As empresas chinesas vêm para o Brasil e outras nações pelo mundo para explorar o máximo. Elas estão com muito dinheiro e estão investindo em tudo que é possível para acumulação de excedente e conduzir a revolução socialista. A crise está levando a china a elevar o mercado interno e gerar condições de consumo interno. Associação da empresa privada sobre controle rigoroso do Estado está produzindo resultados positivos para o país.

O governo agora tem outro foco: o aumento do bem-estar da população. No dia 12 de março de 2011, Hu Jintao (presidente) e Wen Jintao (primeiro-ministro) entregaram ao Congresso Nacional do Povo o 12º plano quinquenal (2011 a 2015). Este se sustenta no tripé: crescimento interno moderado e voltado para o mercado interno, inclusão social e desenvolvimento verde. Isto é, o governo, depois de produzir o bolo, deseja reparti-lo melhor. Quer garantir educação, saúde, proteção social e segurança aos cidadãos, com crescimento econômico, conciliando-o com a sustentabilidade do meio ambiente. Aprovado em abril pelo Congresso, o 12º plano quinquenal está mirando novos objetivos, o salário mínimo, por exemplo, aumentou 20% em 2010, percentual que deve se repetir em 2011. O governo espera criar 54 milhões de empregos nas cidades até 2015, sendo 9 milhões em 2011 e construir mais de 35 milhões de moradias para baixa renda. Para isso, já estão sendo estabelecidas metas que incluam redução de consumo de energia fóssil e de emissão de gases poluentes. Além disso, os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento deverão crescer de 1,5% para 2,5% do PIB, indicando que, em futuro próximo, o fator de competitividade não será o baixo custo da mão de obra, mas o alto nível tecnológico. Espera-se que 100 mil graduados passem a se formar ao ano.

Por outro lado, a conjunção de uma população mais educada e rica, uma indústria mais organizada tecnologicamente, menor jornada de trabalho e um governo capaz de organizar-se bem no tocante ao cumprimento de metas. A nova ordem chinesa, portanto, terá importantes impactos globais. A China está mostrando para o mundo e, especialmente, para o Brasil que é possível construir uma sociedade com inclusão social combinado com desenvolvimento econômico e tecnológico, numa clara intenção de construção do socialismo como momento de passagem para implementação plena do comunismo.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conflito das Coréias e a possibilidade de uma nova Guerra


O mundo depois da Segunda Guerra foi marcado pelo conflito da Guerra Fria. Nesse conflito, estiveram em disputa dois modelos de sociedade. Um coordenado pelos Estados Unidos defendendo o capitalismo e o outro coordenado pela União Soviética defendendo o socialismo. As duas principais potências implementaram uma disputa mundial em busca de fortalecimento de um ou do outro bloco político. É nesse contexto que compreenderemos o conflito que dividiu a Coréia em dois diferentes Estados Nacionais um capitalista (Coréia do Sul) e outro socialista (Coréia do Norte).

A divisão da Ilha da Coréia é anterior ao conflito já que, durante o processo de ocupação das áreas colonizadas pelo Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas norte-americanas controlaram o sul e os exércitos soviéticos controlaram a parte norte. A partir desse processo de ocupação militar, as duas potências resolveram criar uma fronteira artificial que delimitaria o predomínio de ambas naquela região. Após um acordo, o paralelo 38° fixou os limites da socialista Coréia do Norte e da capitalista Coréia do Sul.

Esse projeto de equilíbrio de forças logo foi desestabilizado com a Revolução Socialista da República Popular da China, em 1949. O país que fazia fronteira com a Coréia do Norte conseguiu estabelecer uma experiência revolucionária comunista ao longo do extenso território chinês. Inspirados pela experiência vizinha, as lideranças políticas norte-coreanas, no ano seguinte, apoiaram o projeto de reunificação do país através da declaração de uma guerra.

A invasão dos norte-coreanos gerou reação dos Estados Unidos que logo convocaram uma reunião nas instalações da Organização das Nações Unidas. Aproveitando a ausência da autoridade diplomática soviética, que tinha poder de veto, os EUA conseguiram a aprovação para que enviassem tropas contra a ofensiva dos socialistas. Em setembro daquele mesmo ano os Estados Unidos enviaram forças militares contra a Coréia do Norte. Em pouco tempo, conseguiram algumas importantes vitórias.

Entretanto, as ações dos norte-coreanos logo foram bem vistas pelo líder comunista chinês Mão-Tsé tung, que logo cedeu tropas em sinal de apoio. Esse incremento militar chinês obrigou as tropas dos Estados Unidos a recuarem para os limites do paralelo 38º. Sentindo-se visivelmente ameaçado pelo poderio militar socialista, o general MacArthur – líder do exército estadunidense – chegou a requerer o uso de armamento nuclear para dar uma “rápida solução” ao conflito.

A possibilidade de uma guerra nuclear foi logo descartada pelas autoridades estadunidenses, que preferiram partir para as negociações diplomáticas. O equilíbrio de forças militares entre os dois lados do conflito acabou viabilizando as negociações, já que nenhum tipo de avanço militar significativo ocorreu nos dois anos seguintes daquela guerra. Em 1953, o Tratado de Pan-munjom encerrou a Guerra da Coréia e restaurou os limites territoriais do paralelo 38º.

Mesmo com o fim da Guerra da Coréia, a tensão entre essas duas nações não chegou a um ponto final. O lado norte, aproveitando do apoio da China e da União Soviética conseguido durante o auge do bloco socialista, buscou meio para melhorar seus índices de saúde e educação com fortes investimentos sociais. Além disso, aproveitou deste período para empreender um forte projeto de tecnologia bélica e nuclear. Essa última medida promoveu fortes incômodos diplomáticos entre Estados Unidos e Coréia do Norte.

A região sul hoje integra uma das mais sólidas e prósperas economias capitalistas do mundo. A ajuda financeira oferecida pelos Estados Unidos conseguiu superar os problemas econômicos e sociais existentes. O sucesso da economia sul-coreana atingiu seu auge quando, no ano de 2002, o país sediou alguns jogos da Copa do Mundo de Futebol. O país é considerado um Tigre Asiático com forte desenvolvimento econômico, bem como investimentos na melhoria da qualidade de vida da população. Entretanto, nos últimos anos tem passado por sucessivas crises econômicas que tem gerado desemprego e fortes reações populares.

Em Novembro de 2010 a Coréia do Norte realizou disparos de artilharia contra uma ilha sul-coreana, perto da fronteira, voltando a elevar a tensão entre os dois países. A Coréia do Sul respondeu também com ataques de artilharia e colocou o seu país em alerta militar no nível mais alto fora de um período de guerra. O incidente está sendo visto como o mais grave desde a Guerra da Coréia, nos anos 50, e acontece após oito meses de tensão depois do afundamento do navio de guerra sul-coreano.

Estados Unidos e Japão expressaram apoio à Coréia do Sul e à declaração do Conselho de Segurança da ONU condenando a Coréia do Norte. Após a declaração, o exército estadunidense começaram a realizar uma série de exercícios militares conjuntos com a Coréia do Sul no Mar do Japão. Autoridades militares dos Estados Unidos dizem que os exercícios foram planejados como uma demonstração de força à Coréia do Norte.

O ministro da Defesa da Coréia do Sul, Kim Kwan-jin, já assegurou que seu país responderá com uma ofensiva aérea no caso de a Coréia do Norte realizar novos ataques, após o que ocorreu em 23 de novembro. Nesse ataque a Coréia do Norte realizou cerca de 170 disparos de artilharia contra a ilha sul coreana, na fronteira entra os dois países vizinhos no Mar Amarelo, deixando quatro mortos, 18 feridos e danos materiais.

O Exército sul-coreano respondeu com cerca de 80 projéteis, mas, segundo especialistas que analisaram imagens por satélite, errou todos os alvos.

Já o ministro das Forças Armadas da Coréia do Norte afirmou também que seu país está pronto para uma "guerra sagrada por justiça" com a utilização de estratégia nuclear.
Kim Yong-chun disse que os exercícios militares conduzidos pela Coréia do Sul, conjuntamente com os Estados Unidos, perto da fronteira entre os dois países são a preparação para uma guerra com a Coréia do Norte. Os exercícios foram um dos maiores da história da Coréia do Sul, envolvendo tanques, helicópteros e caças.

As tensões atuais na ilha da Coréia entre os dois países mostram as conseqüências geradas pela disputa da Guerra Fria entre as duas potências (Estados Unidos e União Soviética). Apesar da Guerra Fria tem acabado com o fim da União Soviética em 1992 os conflitos gerados nesse período ainda continuam em muitos países.

O conflito na Ilha da Coréia ainda está em jogo a disputa entre um modelo de sociedade e outro (socialismo X capitalismo). Daí os interesses dos Estados Unidos em apoiar a Coréia do Sul, sua aliada no período da Guerra Fria. Acabar a Coréia do Norte, para os Estados Unidos, é enfraquecer o bloco socialista que continua existindo mesmo com o fim da Guerra Fria. A possibilidade de uma nova Guerra da Coréia poderá ser diferente da primeira. Com a tecnologia militar que os dois países atualmente possuem e as ameaças de ambas as partes pode-se iniciar uma guerra nuclear.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Venezuela nova fase da Revolução Bolivariana


A aprovação da lei habilitante que concede poderes ao Presidente da Venezuela Hugo Chávez para Governar por decreto estabelece uma nova fase da Revolução Bolivariana. Para o Governo, essa nova fase caracteriza-se como instrumento para corrigir as falhas do governo e radicalizar a revolução bolivariana. A radicalização da revolução prevê uma aceleração na expropriação de terras e no combate aos monopólios no país. Com essas ações os recursos estratégicos devem voltar a ser controlados pelo Estado.

A oposição e a imprensa burguesa, de todo mundo, alegam que a lei habilitante anula legislativa da próxima Assembléia e representa um desrespeito ao povo. Entretanto, a atual Assembléia Nacional, também eleita pelo povo, decidiu conceder a lei habilitante ao presidente da República devido a situação de emergência que passa o país com a enchentes onde mais de 40% do país foi afetado.

Chávez ganhou poderes, também para legislar na economia, pois a lei habilitante estabelece o combate aos monopólios e aos latifúndios. A partir dessas premissas, o Governo já anunciou que pretende adotar uma política de nacionalizações das riquezas do país. O governo pretende nacionalizar os recursos estratégicos, como petróleo, telecomunicações, siderúrgica, eletricidade, alimentação, água, bancos que passarão para o controle do Estado. O restante deve estar sob controle privado.

A Revolução Bolivariana entra numa nova fase de radicalização e o resultado das eleições legislativas mostraram que é preciso radicalizar o processo para melhorar a gestão. As chuvas se encarregaram de colocar em evidência que tinha que acelerar o passo na construção de moradias (o déficit é de 2 milhões de casas). Daí a urgência de elaborar leis que permitam isso. Radicalizar significa restituir o poder ao povo, tanto no plano econômico como no social. Significa colocar na prática o poder popular, que deve exigir do Estado maior eficiência para combater as causas da desigualdade social.

Está prevista na Constituição a idéia da população exercer o autogoverno. Para restituir os direitos à saúde e educação não há que fazer uma revolução socialista. Isso a democracia burguesa pode fazer. Agora, uma revolução socialista é a autêntica democracia e nela os meios de produção têm de ser coletivizados, assim como o exercício da política não pode ser controlado por uma só pessoa, deve ser controlado por todos e o governo transferirá os recursos. O autogoverno não se trata do desmantelamento do Estado nacional, mas a legislação agora prevê que a transferência de recursos aos conselhos comunais já não depende da vontade do governo e sim de um mandado da Constituição. A autonomia dependerá da conscientização das comunidades.

O país tem 133 mil pessoas desabrigadas em consequência das chuvas, além dos outros problemas já existentes antes da emergência que precisam ser resolvidos. Entretanto, em um governo neoliberal, no qual impera a lógica do Estado mínimo, seria impossível solucionar esses problemas.

Chávez fala na construção de um projeto hegemônico e a polarização é um instrumento de avanço da democracia. Porém, qual é a armadilha da burguesia? Fazer ver que o sistema democrático tem que ser consensual. Para Chávez, as ditaduras é que são consensuais. As democracias são o espaço para a divergência, para a batalha das idéias. A polarização e a confrontação são necessárias para alcançar a real unidade.

Há uma parte da população que se opõe ao projeto da revolução bolivariana e entende que deve ter uma representação na Assembléia Nacional. É bom que a tenha. É bom que o debate defendido por eles seja evidenciado de privatização do país. As elites representadas por parlamentares já chegaram a queimar leis e até levar porcos em sessão na Assembléia. Entretanto, o Governo responde a essa visão neoliberal com a construção do socialismo na sociedade venezuelana.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nosso apoio ao WikiLeaks site que divulga documentos secretos dos países

O site de vazamento de documentos secretos WikiLeaks ganhou notoriedade pela primeira vez em meados deste ano, quando divulgou um vídeo no qual militares dos Estados Unidos fuzilam iraquianos de um helicóptero. Criado por Julian Assange, o site é considerado um novo ícone do jornalismo investigativo. Desde julho de 2007, o WikiLeaks publica documentos delicados por meio do que descreve como "vazamento com princípios". O site já abrigou mais de 1 milhão de documentos, desde o manual da prisão de Guantánamo até a lista de filiados do Partido Nacional britânico, de extrema-direita.

Seu vazamento de mais alto impacto havia sido em abril deste ano, com um vídeo de 2007 que mostra um helicóptero dos EUA disparando contra um grupo em Bagdá, matando dois funcionários da agência de notícias Reuters. Assange não viaja aos EUA desde então, por receio de ser preso. Contudo, o site voltou às manchetes de todo o mundo com vazamentos de milhares de documentos das guerras do Afeganistão e do Iraque e, em seu mais recente "lançamento", 250 mil documentos secretos diplomáticos dos EUA.

Cerca de 250 mil documentos diplomáticos confidenciais do Departamento de Estado dos EUA vieram à tona divulgados pelo site WikiLeaks. Os chamados "cables" revelam detalhes secretos, alguns bastante curiosos, da política externa estadunidense entre dezembro de 1966 e fevereiro deste ano, em um caso que começa a ficar conhecido como "Cablegate".

São 251.288 documentos enviados por 274 embaixadas. Destes, 145.451 tratam de política externa, 122.896, de assuntos internos dos governos, 55.211, de direitos humanos, 49.044, de condições econômicas, 28.801, de terrorismo e 6.532, do Conselho de Segurança da ONU. A maioria dos documentos (15.365) fala sobre o Iraque. Os telegramas foram divulgados por meio de um grupo de publicações internacionais: "The New York Times" (EUA), "Guardian" (Reino Unido), "El País" (Espanha), "Le Monde" (França) e "Der Spiegel" (Alemanha).

Veja abaixo algumas das principais revelações presentes nos cerca de 250 mil documentos divulgados pelo WikiLeaks.

• O Politburo, segundo organismo mais importante do governo da China, comandou a invasão dos sistemas de computador do Google no país, como parte de uma campanha de sabotagem a computadores, realizada por funcionários do governo, especialistas particulares e criminosos da internet contratados pelo governo chinês. Eles também invadiram computadores do governo americano e de aliados ocidentais, do Dalai Lama e de empresas americanas desde 2002.

• O rei Abdullah, da Arábia Saudita, repetidamente pediu aos EUA para atacar o Irã e destruir seu programa nuclear, além de, segundo registros, ter aconselhado Washington a 'cortar a cabeça da cobra' enquanto ainda havia tempo.

• Doadores sauditas continuam sendo os principais financiadores de grupos militantes sunitas, como a Al Qaeda; e o pequeno Estado do Qatar, generoso anfitrião do Exército americano no golfo Pérsico por anos, era 'o pior da região' em esforços de combate ao terrorismo, segundo um telegrama ao Departamento de Estado em dezembro do ano passado.

• Representantes dos EUA e da Coréia do Sul discutiram a possibilidade de uma Coréia unificada se os problemas econômicos da Coréia do Norte e a transição político no país levassem o Estado a implodir. Os sul-coreanos chegaram a considerar incentivos econômicos à China para 'ajudar a aliviar' as preocupações de Pequim sobre o convívio com uma Coréia reunificada em 'aliança benigna' com Washington, segundo o embaixador americano em Seul.

• Desde 2007, os EUA montaram um esforço secreto e, até agora, mal sucedido para remover urânio altamente enriquecido do reator de pesquisa do Paquistão, com medo de que pudesse ser desviado para uso em um reator nuclear ilícito.

• O Irã obteve mísseis sofisticados da Coréia do Norte, capazes de atingir o leste europeu, e os EUA estavam preocupados de que o Irã estaria usando esses foguetes como 'peças de montagem' para construir mísseis de mais longo alcance. Os mísseis avançados são muito mais poderosos do que qualquer equipamento que os EUA publicamente reconheceram existir no arsenal iraniano.

• Quando o vice-presidente afegão, Ahmed Zia Massou, visitou os Emirados Árabes Unidos no ano passado, autoridades locais trabalhando para a Agência de Controle às Drogas descobriram que ele carregava US$ 52 milhões em dinheiro vivo. Segundo o telegrama da embaixada americana em Cabul, ele pode manter o dinheiro sem revelar a origem ou destino do montante.

• Diplomatas americanos barganharam com outros países para ajudar a esvaziar a prisão da baía de Guantánamo, realocando detentos. Por exemplo, foi pedido que a Eslovénia aceitasse um prisioneiro se quisesse agendar um encontro com o presidente Barack Obama. A República de Kiribati recebeu oferta de incentivos valendo milhões de dólares para aceitar detentos muçulmanos chineses. Em outro caso, aceitar mais presos foi descrito como 'uma forma de baixo custo para a Bélgica alcançar proeminência na Europa'.

• Os EUA não conseguiram evitar que a Síria fornecesse armas ao Hizbollah no Líbano, que acumulou um grande arsenal desde a guerra de 2006 com Israel. Uma semana após o presidente sírio, Bashar al Assad, prometer a um alto representante americano que não mandaria 'novas' armas ao Hizbollah, os EUA reclamaram que tinham informações de que a Síria estava dando ao grupo armas cada vez mais sofisticadas.

• Os americanos estariam preocupados com o uso da informática e ataques pela internet na China. Diplomatas dos EUA dizem que os chineses, após 2002, estão recrutando técnicos que acessam redes no mundo inteiro, principalmente do governo, empresas e aliados americanos.

• Chefes de governos são citados em várias passagens. O presidente francês Nicolas Sarkozy, por exemplo, foi descrito como "delicado" e "autoritário", de acordo com o jornal 'Le Monde', um dos cinco periódicos que tiveram acesso à publicação antecipadamente. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estaria 'louco' e transformando o seu país em 'outro Zimbábue', segundo um diplomata francês.

• Os Estados Unidos pediram em março de 2008, um mês antes da última eleição presidencial paraguaia, informações detalhadas sobre os candidatos que incluíam "dados biométricos, incluindo impressões digitais, imagens faciais e dados para reconhecimento da íris, e DNA".

• Uma mensagem da secretaria de Estado dos EUA à embaixada americana em Assunção relata a preocupação do governo americano com a suposta presença de grupos como Al Qaeda, Hizbollah e Hamas na tríplice fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.

• O departamento de Estado americano pediu no ano passado aos funcionários de 38 embaixadas e missões diplomáticas uma relação detalhada de dados pessoais e de outra natureza sobre as Nações Unidas, inclusive sobre o secretário-geral, Ban Ki-moon, e especialmente sobre os funcionários e representantes ligados ao Sudão, Afeganistão, Somália, Irã e Coréia do Norte, segundo o jornal 'El País'.

• Diplomatas americanos em Roma comunicaram em 2009 que suas fontes italianas descrevem como uma estreita ligação entre o premiê russo Vladmir V. Putin, e o premiê italiano, Sílvio Berlusconi, incluindo generosos presentes e lucrativos contratos de energia por uma intermediação sombria.

• Pairam dúvidas americanas sobre a confiança nas forças da Turquia, aliada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), retratada como fraca e permeada por islâmicos.

• Um tributo pago em viagens áreas que entrou em vigor no último mês deixou os americanos irritados. A revolta de Washington com uma nova tarifa alfandegária para passageiros, acordos britânicos de extradição com os EUA e inspeções mais frouxas com paquistaneses aparecem em memorandos publicados.

• Autoridades americanas advertiram a Alemanha em 2007 para não prenderem agentes da CIA envolvidos em uma fracassada operação em que um alemão inocente com o mesmo nome de um suspeito foi erroneamente sequestrado por meses no Afeganistão. Um alto diplomata americano disse que "a intenção é que o governo alemão pese cuidadosamente cada passo com as implicações no relacionamento com os EUA".

O site WikiLeaks divulgou também que, para os EUA, o Brasil disfarça a prisão de terroristas. O relato foi feito em 2008 pelo então embaixador estadunidense em Brasília, Clifford Sobel a partir de informações de agentes duplos dos Estados Unidos que trabalham no Governo brasileiro. O relato consta de lote de 1.947 telegramas da diplomacia americana na última década.

Veja um destes telegramas traduzido
SECRETO BRASILIA 001207
SIPDIS
E.O. 12958: DECL: 05/05/2015
TAGS: PINR PREL BR Relações bilaterais com os EUA
TEMA: BRASIL: Almoço do embaixador com o general Jorge Armando Felix, ministro da Segurança Institucional. Classificado pelo embaixador John J. Danilovich por motivos 1.4 (B),(C) e (D).

1.(S) Embaixador recebeu o general Jorge Armando Felix, ministro da Segurança Institucional, em um almoço na residência em 4 de maio de 2005. Embora o general Felix tenha muito menos influência que seu predecessor do governo anterior, ainda é o mais alto funcionário de inteligência do país, e seu cargo equivale aproximadamente ao de assessor de segurança nacional do presidente. Além de sua equipe própria no Ministério de Segurança Institucional (GSI), que conta com representantes das diversas agências de segurança e de relações exteriores do governo brasileiro, o general Felix também é responsável por comandar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

2. (S) A região da Tríplice Fronteira: O embaixador pediu ao general Felix uma avaliação da situação da criminalidade transnacional na região da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. O general Felix admitiu que há problemas sérios na região e que a movimentação ilegal de armas, dinheiro, drogas e afins pela região é motivo de preocupação para o governo brasileiro. Feliz disse que tanto a Abin quanto a Polícia Federal brasileira (PF) estão dedicando pessoal e recursos adicionais ao problema e observou que a Abin tem até mesmo alguns programas conjuntos com o RMAS (Regional Movement Alert System, um sistema que detecta passaportes inválidos, perdidos ou falsificados) voltados a essas questões.

3. (S) Contraterrorismo: Isso levou a uma discussão das questões/operações de terrorismo na região da tríplice fronteira e em todo o Brasil. O general Felix disse que a Abin cooperou estreitamente com o RMAS para fazer a investigação conjunta de indivíduos que despertam o interesse, e o embaixador expressou sua apreciação por essa assistência. O general Felix disse que, além das operações conjuntas nas quais estamos trabalhando juntos, o governo brasileiro também está lançando apelos a árabes moderados de segunda geração, muitos dos quais são empresários bem-sucedidos no Brasil, para que acompanhem de perto o que fazem outros árabes que podem ser influenciados por extremistas e/ou grupos terroristas árabes. O general Felix disse que é do interesse desses árabes moderados manter potenciais incendiários sob controle e manter a atenção longe da comunidade árabe no Brasil. O general Felix disse que o recém-assassinado ex-primeiro-ministro do Líbano transmitira a mesma mensagem à comunidade árabe brasileira durante visita ao país alguns anos atrás. O general Felix disse que é importante que as operações de contraterrorismo sejam apropriadamente apresentadas, de modo a não refletir negativamente sobre a orgulhosa e bem-sucedida comunidade árabe do Brasil.

4. (S) Venezuela: Após a discussão sobre CT [contraterrorismo], o embaixador levantou a questão da Venezuela e seu presidente, Hugo Chávez, e observou que Chávez está atrapalhando os esforços do Brasil para exercer um papel de liderança política e econômica na América do Sul. O general Felix fez um gesto de concordância e pareceu estar medindo sua resposta com muito cuidado. Disse, então, que tem suas opiniões pessoais sobre Chávez (que não compartilhou), que diferem da posição do governo brasileiro. Isto dito, o general Felix falou que prefere seguir a posição oficial (embora tampouco tenha dado maiores explicações a esse respeito). Felix observou que, quer sejamos pró ou anti-Chávez, este já se tornou uma parte integral da realidade 'latino-americana'.

5. (S) Assistência adicional: O embaixador perguntou ao general Felix se existem áreas em que o USG [US government, governo dos EUA] possa prestar ajuda melhor ao GSI e/ou à Abin. Felix disse que está muito satisfeito com a assistência que está sendo dada atualmente pelo USG. Uma área na qual ele afirmou que o governo brasileiro está deixando a desejar é a proteção de seus próprios sistemas computadorizados classificados e não classificados. Felix disse que saudaria qualquer assistência (cursos, visitas, etc.) nessa área. Feliz também disse que está tentando reforçar as capacidades de SIGINT do GSI e da Abin e que sempre poderia fazer bom uso de alguma assistência nesse sentido.

6. (S) Comentário da Embaixada: O general Felix é um indivíduo simpático e discreto. Ele não parece ser excessivamente ambicioso e admitiu que prefere viajar por prazer que a trabalho. Ele não é alguém que vá ganhar grande destaque, e esse fato provavelmente contribuiu para que ele pisasse com cuidado na discussão sobre a Venezuela. Isto dito, o general Felix sempre foi um interlocutor franco, e seu período à frente do GSI tem se destacado por operações de CT conjuntas e muito cooperativas entre o RMAS e a Abin. Levando tudo em conta, sua presença contínua no GSI pode ser vista como positiva para os interesses dos EUA. DANILOVICH 2005-05-06

Apoiar o site WikiLeaks é permitir que a sociedade tome conhecimento de documentos secretos dessas nações que se acham donas do mundo. A intervenção na segurança nacional dos países precisa ser condenada. Estão tentando condenar quem está na defesa da autonomia dos países. As publicações do site mostram a participação de agentes do Governo brasileiro, considerados como agentes duplos, esses sim precisam ser condenados.

As publicações mostram que os militares brasileiros ainda não perderam a dependência institucional dos Estados Unidos da época da Ditadura Militar. O relato da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil sobre a subserviência do general Felix responsável por comandar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é o exemplo dessa subserviência. O site WikiLeaks nos trouxe detalhes que nos deixa em alerta do que esse pessoal deve está planejando para o futuro do Brasil e do mundo. Por isso, todo apoio ao site WikiLeaks, pois poderemos saber o que estão fazendo, pensando e planejando contra a humanidade.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

CONFLITO DA CHECHÊNIA E OS ATAQUES A e DA RÚSSIA

O conflito da Chechênia dura 16 anos. A guerra começou a partir do ano de 1994 quando o general da Força Aérea Dzhokhar Dudayev venceu as eleições presidenciais na Chechênia e declarou a independência da região. Entretanto, em 11 de dezembro de 1994, o então presidente russo, Boris Ieltsin, ordenou o ingresso da forças armadas pelo fato de não reconhecer a independência. A partir daí os conflitos iniciaram resultando num processo de destruição da economia da Chechênia e milhares de mortos.

Como contra-ataque as agressões russas, os chechenos começaram a promover diversos ataques de guerrilha: Atentados a escolas, ataques suicidas a teatro, explosões de aviões e o mais recente ataque ao metrô nessa segunda, dia 29 de março que vitimou 39 pessoas.

A Chechênia fica em uma região montanhosa no Cáucaso e é habitada principalmente por muçulmanos. Foi incorporada à Rússia na época dos czares no século XVIII. Com o fim da União Soviética em 1991, os chechenos aproveitaram para declarar a independência. Depois de uma trégua e a assinatura de um acordo que estendia a definição do status do lugar até 2001, os chechenos invadem o Daguestão em 1999, tentando aumentar seu domínio. Os russos invadem a Chechênia novamente, tomando 80% do território. De lá para cá continuam os conflitos e os ataques terroristas em território russo.

O Governo russo tem adotado uma política militarista de massacrem aos chechenos. Mais de um terço da população local, ou seja, cerca de 200 mil pessoas, tiveram de fugir dos combates para procurar refúgio na Inguchétia. Segundo as organizações humanitárias internacionais (mantidas afastadas do front pelas autoridades), centenas de civis teriam sidos mortos por bombardeios do exército federal russo. Um exército que, em certas cidades, também se dedicou a pilhagens, estupros e crimes de guerra. A Chechênia assiste com horror à destruição sistemática de sua infra-estrutura.

Para a Rússia, combater os chechenos é fundamental; primeiro, porque caso os separatistas vençam, a própria existência da Rússia enquanto país está ameaçada, pois há vários povos dominados pelos russos na mesma situação – seria um efeito dominó; cada povo poderia exigir a independência, levando a Rússia à fragmentação. Outro fato é que a Chechênia é uma área estratégica, rica em rede hidrográficas (a água no século XXI será motivo de muitas guerras), em vias de comunicação e transporte (por ali passam oleodutos que escoam o petróleo da bacia do mar Cáspio) e possui importante jazidas de gás natural e petróleo.

Como podemos perceber o conflito da Chechênia é difícil de resolução, uma vez que existe interesses russos em manter a unidade do território, bem como da importância estratégica da região.

A primeira guerra da Rússia na Chechênia, em meados da década de 1990, foi um desastre. Milhares de recrutas russos com pouco treinamento foram mortos enquanto tentavam retomar a república, à força, de lideranças muçulmanas. Após dois anos, o governo russo foi forçado a negociar um cessar-fogo.

Em 1999, o então primeiro-ministro russo Vladimir Putin lançou uma segunda grande ofensiva. Nas batalhas subsequentes, a capital da Chechênia, Grozny, foi reduzida a escombros. Mais de um terço da população abandonou a cidade. Em 2002, a ONU declarou Grozny "a cidade mais destruída do planeta".

Mas ao mesmo tempo, a estratégia do Kremlin mudou. A chave foi conseguir que vários poderosos chefes de clãs chechenos passassem a colaborar com Moscou. O mais importante deles foi Akhmad Kadyrov, um ex-líder religioso da república chechena. Em 2003, Kadyrov tornou-se presidente da Chechênia. Sua estratégia foi dividir o movimento rebelde. Os que podiam ser persuadidos - ou comprados - receberam ofertas de anistia e um emprego nas forças de segurança. Os que não cederam foram caçados e mortos. Um ano mais tarde, Akhmad Kadyrov foi morto em um atentado a bomba no estádio de futebol de Grozny

Mas se Moscou e seus aliados conseguiram pacificar a Chechênia, seus problemas estão longe de estar resolvidos. O próprio Kadyrov admitiu que o desemprego na Chechênia continua acima de 50%. Isso significa que existe dezenas de milhares de jovens sem uma fonte de renda e sem o que fazer. E a guerra não terminou, ela mudou para outro lugar, a república do Daguestão, no leste, onde 21 pessoas foram mortas recentemente em uma batalha entre tropas russas e rebeldes. E para a Inguchétia, no oeste, onde uma violenta insurreição está ganhando força.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL E A PRIVATIZAÇÃO DA FOLIA

O processo da globalização gerou no mundo a sensação de universalização cultural, ou seja, a formação de uma cultura universal onde todos pensariam e agiriam da mesma forma. Essa, suposta, padronização cultural, fez muita gente acreditar em uma cultura única. Mais a realidade que vivemos é de intenso processo global e domínio da economia do mundo por essas grandes corporações empresariais que controlam e define comportamento das pessoas. Vale lembrar que esse processo é resultado do avanço tecnológico que possibilitou a mundializada do comportamento consumista entre os seres humanos.

Para entendermos esse processo vamos lembrar que a globalização é resultado da modernização dos meios de transportes e dos meios de comunicações como instrumentos para promoverem a atuação das empresas multinacionais pelo mundo. Essas empresas, a partir de avaliações das possibilidades de lucros, ou não, investem em todo mundo, garantindo lucratividade estratosférica.

O desenvolvimento dos meios de transporte e dos meios de comunicações possibilitou a atuação mundializada dessas empresas. Assim, o processo de exploração das riquezas de todos os países, ao mesmo tempo, tornou-se possível. Esse método de exploração tornou-se, também, possível a destruição do meio ambiente de forma planetária.

No início da década de 1990, acreditávamos que a cultura, também seria mundializada, ou seja, teríamos uma cultura única em todo mundo, onde todos pensariam agiriam da mesma forma. Entretanto, a forma que se deu esse processo de mundializada das empresas multinacionais gerou sim uma cultura única. As pessoas passaram a ser, cada vez mais, alienadas, individualistas e consumistas. Esse comportamento, típico do modelo capitalista, transformou o mundo em grande mercado, onde tudo se vende em nome do lucro.

Entretanto, era preciso preservar o que os capitalistas chamam de “nichos culturais”. A preservação de fragmentos da cultural local como forma de garantir o turismo e, portanto, permitir a garantia, via cultural local, de fontes de lucros para esses grupos empresariais. Desta forma, a cultural local, que foi “preservada” é, também, privatizada. Um exemplo deste nicho cultural é o carnaval. O que falar dos blocos de Salvador, onde uma festa popular se transforma em festa privada.

Cometa-se em blocos que para se divertir, um dia, a pessoa precisa desembolsar R$ 1.000,00. Quanto a população que, no passado, construir essa festa, a partir de suas crendices, lendas, superstições é excluída na famosa “pipoca” para dividir espaço como a policiais e seus porretes. Como temos um país onde grande maioria da população não recebe, por um mês de trabalho, essa quantia ou divide os espaços com a polícia ou fica em casa assistindo, pela TV os blocos passarem.

Vale registrar que a cultura local precisa ser preservada, mas para que a população mantenha suas identidades com o lugar onde vive. Entretanto, esse processo, que chamamos de globalização, gerou pessoas mais egoístas e alienadas e um processo de destruição cultural nunca visto, pois a cultura local, para as pessoas, perde a magia, as crendices, as lendas e as superstições, uma vez que tudo é privatizado em nome do lucro.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

AS MULTINACIONAIS E A PERMANÊNCIA DO PROCESSO DE COLONIZAÇÃO

O processo de colonização vivido, no passado, pelos países considerados subdesenvolvidos significou a exploração (roubo) das riquezas existentes. Os colonizadores europeus utilizaram na força militar para impor aos povos do resto do mundo seu modelo de sociedade concentrador e excludente. Nesse modelo, um grupo concentrava toda riqueza e a população nativa era excluída de tudo e exterminada. Assim, estabeleceram uma forma de roubar as riquezas desses povos através do trabalho escravo, da destruição ambiental e do extermínio de tribos inteiras.

Passado mais de 500 anos de colonização, essa realidade continua existindo. Entretanto, a exploração que, atualmente acontece, ocorre de forma mais intensa e destruidora. No passado, as nações européias colonizavam os povos através da força militar. Hoje as empresas multinacionais colonizam as nações através das alianças que realizam com um grupo dirigente e poderoso que controla os países. Essa aliança aconteça através do financiamento das campanhas eleitorais milionárias dos políticos aliados que são vitoriosos eleitoralmente, geralmente, comprando voto, fraudando urnas e até oprimindo as pessoas para votarem neles.

Assim, essas empresas obtêm dos governantes uma série de incentivos fiscais sem que haja, por parte delas, contrapartidas sociais. Essas empresas, portanto. Utilizam as nações pobres para explorarem (roubarem) as riquezas existentes, lucrarem muito sem melhoria da qualidade de vida da população. O que chama atenção em relação a essa situação é conivência dos governos locais que permitem tal nível de exploração.

Para entendermos porque isso acontece vamos lembrar do grande intelectual de esquerda, o Peruano José Carlos Mariátegui discutindo a situação do seu país afirmou que: “Nem a burguesia, nem a pequena burguesia no poder podem realizar uma política antiimperialista......Este Governo é francamente, desaforadamente, pan-americanista, manroísta, mas qualquer outro governo burguês faria praticamente o mesmo que ele em matéria de empréstimos e concessões.”

O que Mariátegui discute conosco é o nível de conivência e de concessões que a classe burguesa dominante dos países pobres são capazes de fazer para permitirem a dominação e a exploração (roubo) das riquezas da nação. Assim, para Mariátegui somente através da implementação do socialismo que essa exploração acabaria.

Podemos relatar dois exemplo desse processo exploratório e as conseqüências para os países e seu povo. Os exemplo, aqui relatados, foram denunciados pelo Jornal Brasil de Fato na edição de 28 de janeiro a 03 de fevereiro de 2010. O primeiro ocorrido no Brasil e o outro em Moçambique no continente africano.

Segundo o Jornal, a população do município de Linhares no Espírito Santo está sofrendo com o processo intenso de poluição realizado pela empresa multinacional Coca-Cola. Desde que se instalou no município, a Empresa Mais Indústria de Alimentos, de propriedade da Coca-Cola vem poluindo as águas do Córrego das Pedras que é utilizado pela população para irrigação e consumo humano. Os agricultores denunciam que a água tem um cheiro muito forte em função do alto nível de poluição, resultado do depósito de dejetos químicos jogados pela Coca-Cola no Córrego.

O que chama atenção na denúncia é que os moradores já procuraram a Secretaria de Meio Ambiente do município, o Ministério Público Estadual e o IBAMA e nada foi resolvido, ou seja, a Coca-Cola continua poluindo o Córrego. Mesmo o IBAMA produzindo um relatório constando o elevado nível de contaminação das águas não aconteceu nada contra a multinacional. E para completar o problema, os moradores denunciam que a empresa está construindo uma nova tubulação para despejar os dejetos em outro riacho bastante utilizado pelos agricultores.

Já em Moçambique, a multinacional Maragra que tem o controle dos rios na Província de Maputo, provocou a inundação das terras dos pequenos agricultores rurais. O objetivo da empresa é obrigar os agricultores a plantarem cana-de-açúcar em vez de produtos da agricultura familiar. A Maragra pretende ampliar o cultivo de cana que teve, em 2009, um investimento do Governo para o plantio da ordem de 15 milhões de reais.

Os agricultores tiveram suas terras inundadas para serem obrigados a mudar toda suas rotinas de trabalho, ou seja, deixando de ser agricultores familiares para passarem a serem escravos da multinacional Maragra. Chama atenção, também, a omissão do Governo e órgãos de fiscalização que nada estão fazendo em defesas dos agricultores.

Podemos analisar a partir desses exemplos que o processo de dominação não acabou, apesar desses países serem independentes. A independência foi apenas um processo simbólico de suposta autonomia. Entretanto, a exploração das riquezas continuam de mesma forma e ainda mais violenta. Em nome do lucro as nações consideradas desenvolvidas, através de suas empresas multinacionais continuam explorando, destruindo o meio ambiente e matando as pessoas de fome, contaminação e doenças.

Relembrando o grande intelectual comunista José Carlos Mariátegui, somente com um processo de construção do socialismo como vem acontecendo, de forma mais intensa, na Venezuela, Bolívia e Equador é que esse processo será estancado. Caso contrário, viveremos com níveis de ameaça cada vez maior provocado por esses grupos empresariais.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

“Força Itália nasceu de um acordo com a máfia”

por Admin última modificação 09/02/2010 12:42
Massimo Ciancimino, filho do ex-prefeito de Palermo, declarou perante à Justiça italiana que o partido político criado por Silvio Berlusconi foi resultado de um acordo entre Estado e máfia

09/02/2010

do Página 12

O primeiro partido político criado por Silvio Berlusconi no início dos anos 1990, Força Itália, foi o resultado de um acordo entre o Estado e a máfia siciliana de Cosa Nostra, segundo declarou ontem (08) o filho do ex-prefeito de Palermo. As declarações do filho do político italiano foram feitas ante a uma corte de justiça e suscitaram fortes reações entre a classe política.

“Meu pai me contou que a Força Itália era o fruto de uma negociação entre o Estado e a máfia”, afirmou Massimo Ciancimino, filho de Vito Ciancimino, o polêmico político siciliano, líder local da outrora Democracia Cristã, que foi condenado pela Justiça por pertencer a Cosa Nostra. Massimo Ciancimino explicou isto ao depor como testemunha em um processo que acontece em Palermo contra o general dos Carabineiros Mario Mori. O ministro da Justiça. Angelino Alfano, desmentiu imediatamente as acusações pessoalmente. “Tenta-se desacreditar ao governo de Berlusconi, o qual tem lutado na linha de frente contra a Cosa Nostra”, declarou Alfano, também siciliano, recordando que militou no Força Itália desde 1994.

Segundo Ciancimino, que decidiu em 2009 revelar ante a Justiça informações reservadas da própria família, o pai negociou com a máfia um pacto de não agressão para por fim à onda de ataques e atentados perpetrados pela organização criminal, entre eles os assassinatos em 1992 dos dois prestigiosos juizes anti-máfia, Giovanni Falcone e Paolo Borsellino.

Força Itália, fundado em 1993 pelo magnata das comunicações Silvio Berlusconi e seu braço direito, o siciliano Marcello Dell'Utri, ganhou as eleições legislativas do ano seguinte, fazendo com que Berlusconi chegasse pela primeira vez à liderança do governo. Dell'Utri é o atual senador do Partido da Liberdade, surgido em 2008 da fusão do Força Itália com a Aliança Nacional.

O filho de Ciancimino, que apresentou documentos e cartas do pai, assegurou que o “capo” (chefe) mafioso Bernardo Provenzano enviou uma de suas famosas mensagens em código (pizzino) a seu pai Vito para que a entregasse a Berlusconi e Dell'Utri, na qual chegava a ameaçar aos filhos do atual premiê. “Penso dar minha contribuição, que não será pouca, para que não tenha lugar este triste acontecimento. Estou convencido de que Berlusconi poderá colocar à disposição de seus canais de televisão”, sustentou a testemunha.

O senador Dell'Utri acusou a Ciancimino de “inventar tudo e de estar a beira da loucura” e assegurou que o partido de Berlusconi não representava ao Estado nem estava em condições de oferecer ou negociar acordos desse tipo nesses anos. Dell'Utri anunciou igualmente que denunciará por difamação ao filho do ex-prefeito palermitano, que morreu em 2002 como símbolo de um dos escândalos mais graves da história dessa cidade e de ter protagonizado o chamado “saque de Palermo” pelos abusos imobiliários de Cosa Nostra nos anos 1970.

“Não acredito em nada do que disse Ciancimino. São declarações que acabam por desacreditar aos arrependidos, a aqueles que saem da organização e confessam tudo à Justiça”, os quais foram peças-chave para dar duros golpes à temida organização criminal, comentou o deputado europeu de esquerda Pino Arlacchi, entre os fundadores da direção Anti-máfia. “Força Itália foi uma exitosa operação comercial e política, muito sofisticada e seu triunfo não teve nada a ver com negociações entre máfia e Estado”, acrescentou.

Tradução: Michelle Amaral

Fonte: Agência Brasil de Fato

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

SER DE ESQUERDA OU SER DE DIREITA, COMO DIFERENCIAR?

As diversas contradições da esquerda atualmente, ajudam a direita a tentar camuflar-se no discurso de que todos são iguais e portanto, não há diferenças entre um grupo e outro. O contexto mundial é bastante favorável a essa teoria que tem possibilitado o avanço da direita, vencendo eleições, na Europa e recentemente no Chile. Alguns chegam a audácia de afirmar que não existe espaço mais para o pensamento de esquerda.

Depois de duzentos e dezenove anos o termo está mais vivo do que nunca e é importante para entendermos o cenário político atual. A origem do termo esquerda e direita nasceu para designar os lados onde se sentavam os membros da Assembléia de 1791 na França durante a Revolução Francesa. Os da esquerda queriam a afirmação e o aprofundamento dos princípios dos direitos do homem e à legítima luta contra a opressão. Os da direita, aliados da burguesia, queriam suprimir os direitos do povo ou dar um jeito de contorná-los. Assim, surge o termo que orientará todo debate político do mundo nesses mais de duzentos anos.

Nem sempre é fácil perceber os disfarces que tentam passar por esquerda, com discursos inflamados, mais as ações de direita. Outro elemento que confundem as pessoas são as ações dos governos de esquerda, mas com políticas de direita. Todos esses espectros garantem que tenhamos pessoas de direita falando que é de esquerda o tempo todo.

Vale registrar que, hoje, ninguém quer ser rotulado que é de direita. Quem é de direita costumam-se dizer que a distinção não se aplica para os dias atuais. Mais quem foi de esquerda tenta, de todas as formas, esconder o passado e confundir a opinião pública que, de fato, não há diferença entre os grupos.

O olhar de quem é realmente de esquerda não compactua com a exploração do homem pelo homem, nas suas imensas variações. Não aceita que as pessoas sejam manipuladas e a elas sejam negados os seus direitos. Não concorda com a disseminação da ignorância e com o impedimento do acesso às informações políticas e científico-culturais. Não pode concordar com direitos e tratamentos desiguais, independentemente do sexo, da idade, da orientação sexual, das características raciais e das posições ocupadas no tecido social por qualquer pessoa. Acredita que as ordens socioculturais e políticas não são naturais e que podem ser modificadas, no interesse coletivo.

Ser de esquerda foi confundido com viver fora da realidade, não ter juízo e acreditar no impossível. Entretanto, os movimentos de esquerda tem resistido ao discurso burguês e buscado encontrar caminhos para combater o capitalismo. Um desses caminhos é Fórum Social Mundial, onde a esquerda de todo mundo se encontram para discutirem alternativas possíveis para construção do socialismo.

Entretanto, os inúmeros problemas que passa a esquerda no mundo ajudam a direita a se postar como solução para os problemas que afligem a sociedade, apesar de ser os governos de direitas os verdadeiros responsáveis por esses problemas. Assim, os discursos dos movimentos de esquerda de uma sociedade de iguais são combatidos pela mídia burguesa que busca confundir e criar o sentimento, nas pessoas de que essa sociedade é impossível, aprofundando-se, ainda mais, o individualismo e o consumismo.

Ser de direita é bem mais fácil. Significa estar de acordo, mesmo que a razão indique que não se está dizendo a verdade ou que a causa defendida pode dar prejuízos até mesmo a quem a defende. Existem os que são de direita por estar defendendo seus interesses, ou os interesses dos poderosos que os apóiam, pois desejarem ainda mais poder. Infelizmente, há os que defendem idéias de direita contra si próprio. Advogam crenças que os penalizam. Deixam de usar da razão e mentem para si mesmo.

Ser de esquerda é nadar contra a maré, é buscar através do discurso e da ação construir uma sociedade socialista, onde os homens sejam tratados como iguais. Os militantes de esquerda doam suas vidas pela conquista de mundo melhor para todos e todas. Eles estão sempre insatisfeitos com a desigualdade, a opressão, e a exploração entre os homens.

O militante de esquerda não se contenta em observar um mundo com tantas riquezas e com tanta produção de alimentos e ver milhões de pessoas morrerem de fome e doenças fruto da exclusão social produzida pelo modelo capitalista. Ser de esquerda é ser contra esse modelo de sociedade e lutar, até a morte, contra ele.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Balanço do "outro mundo possível"

Emir Sader

Aos dez anos de Seattle e do primeiro Fórum Social Mundial, o balanço que é preciso fazer é da luta pelo “outro mundo possível”. Um balanço do FSM deve ser não o balanço dos Fóruns, mas dos objetivos a que se propôs, quando começamos a organizá-los, há uma década. A avaliação do FSM ter que ser feita em função das suas contribuições à construção de alternativas ao neoliberalismo. A análise é de Emir Sader.
Aos dez anos de Seattle e do primeiro Fórum Social Mundial, o balanço que é preciso fazer é da luta pelo “outro mundo possível”. Um balanço do FSM deve ser não o balanço dos Fóruns, mas dos objetivos a que se propôs, quando começamos a organizá-los, há uma década.


Uma outra ótica seria vítima do corporativismo, da crença que a evolução interna de uma organização é a história política dessa organização. A história e o balanço de um partido político deve ser o balanço dos objetivos a que esse partido se propõe. Um balanço do FSM não é um balanço da situação das ONGs ou dos movimentos sociais. Ao contrário, estes devem ser avaliados em função da contribuição que tenham feito à construção do “outro mundo possível”.


Por isso, a referência a estabelecer como parâmetro de avaliação é a situação de criação do “outro mundo possivel”. Há uma década o neoliberalismo ainda reinava soberanamente como modelo hegemônico, seja em escala mundial, seja na América Latina. Na sucessão da primeira geração de mandatários que o personificavam – Reagan, Thatcher -, para a segunda – Clinton, Blair – se ampliava o consenso da extrema direita para forças originariamente alternativas a ela: os democratas norteamericanos, os trabalhistas ingleses. Enquanto que no continente, ao extremismo de direita de Pinochet se somavam formas nacionalistas – como o peronismo de Menem e os governos do PRI mexicano -, assim como social democratas, como os socialistas chilenos, AD da Venezuela, os tucanos brasileiros.


Nossas sociedades foram profunda e extensamente transformadas conforme esse receituário, os Estado nacionais enfraquecidos, os patrimônios públicos privatizados, os direitos sociais recortados, o capital especulativo incentivado, resultando no aumento brutal da desigualdades, da concentração de renda, da exclusão dos direitos à massa da população, do empobrecimento generalizado das sociedades e dos Estados.


Passados dez anos, o mundo continua sob hegemonia conservadora, mesmo se debilitado na sua legitimidade, o modelo neoliberal segue hegemônico. A diferença substancial vem da América Latina, onde um conjunto de governos, mesmo se diferenciados entre si, passaram a colocar em prática políticas contrapostas ao modelo neoliberal, depois de ter sido a região privilegiada de dominação neoliberal, com a maior quantidade e as modalidades mais radicais de governos neoliberais.


A região apresenta hoje os mais importantes processos de integração regional em contraposição aos Tratados de Livre Comércio propostos pelo neoliberalismo. O grande projeto norteamericano, que buscava estender a livre comércio a todo o continente, a Alca, foi derrotado e, no seu espaço, se fortaleceu o Mercosul, se desenvolveram o Banco do Sul, Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa, a Alba – entre outras iniciativas. São espaços alternativos, em que se desenvolvem, em distintos níveis, formas de intercambio privilegiado entre os países da região, acompanhadas da diversificação do comércio internacional dos países que participam dela.


Ao mesmo tempo, em alternativa ao privilégio dos ajustes fiscais, se desenvolveram políticas sociais que melhoraram significativamente o nível de vida e diminuíram os graus de desigualdade no continente de maior desigualdade no mundo. Os mercados internos de consumo popular se ampliam e se aprofundam.


A combinação desses três elementos – diversificação do comércio internacional, com diminuição do peso do centro do capitalista e aumento importante do peso dos intercâmbios do Sul do mundo; intensificação substantiva do comércio entre os países da região; expansão, inclusive durante a crise, do mercado interno de consumo popular – fez com que os países incorporados aos processos de integração regional, resistiram muito melhor aos duros efeitos da crise e vários deles voltaram a crescer.


Por outro lado, projetos como os de alfabetização – que fizeram com que a Venezuela, a Bolívia e o Equador tenham se somado a Cuba, como os territórios livres de analfabetismo nas Américas -, de formação de várias gerações de médicos pobres no continente, pelas Escolas Latinoamericanas de Medicina, em Cuba e na Venezuela - de recuperação da visão de mais de 2 milhões de pessoas, na Operação Milagre – demonstram como a recuperação de direitos essenciais tem que se fazer na esfera pública e não na mercantil.


Os intercâmbios solidários dentro da Alba são exemplos concretos do “comércio justo”, pregado pelo FSM desde seus inícios, em espaços com critérios das possibilidades e das necessidades de cada país, em contraposição clara às normas do mercado, do livre comércio e da OMC.


Sem ir mais longe, a avaliação do FSM ter que ser feita em função das suas contribuições à construção de alternativas ao neoliberalismo, do “outro mundo possível”. Sem uma compreensão concreta da força e da abrangência da hegemonia neoliberal, assim como das condições inéditas concretas em que se constroem alternativas, o debate passaria longe da realidade concreta de luta contra o neoliberalismo.


É também indispensável compreender que esse movimento passou da fase de resistência, predominante na ultima década do século passado, e a fase de construção de alternativas. A visão da “autonomia dos movimentos sociais” teve vigência na primeira etapa, porém quando pretenderam estendê-la para a década seguinte, cometeram equívocos fundamentais. O movimento mais significativo – e que, não por acaso, se dá no processo mais importante de construção de alternativas atualmente, o de Bolívia – foi o da fundação do MAS pelos movimentos sociais bolivianos, a partir da consciência de que, depois de derrubar vários presidentes, sucessivamente, constituíram um partido, disputaram as eleições e elegeram a Evo Morales presidente do país. Retomaram laços com a esfera política, de outra forma, convocando a Assembléia Constituinte e passando à refundação do Estado boliviano.


Outros movimentos, que mantiveram a visão equivocada e corporativa da “autonomia” ou se isolaram ou praticamente desapareceram da cena política. Essa “autonomia”, se fosse – como ocorria anteriormente – em relação a políticas de subordinação de classes, tinha um sentido. Mas se se trata de autonomia em relação à política, ao Estado, à luta por uma nova hegemonia, é um conceito corporativo, adaptado às condições de resistência, mas completamente equivocado quando se trata de construir condições de construção de hegemonias alternativas.


No FSM de Belém foi possível constatar, com a presença de cinco presidentes latinoamericanos comprometidos, de formas distintas, com a construção de alternativas ao neoliberalismo, quanto avançou e tem reconhecimento da luta iniciada há 10 anos. Já o FSM decepcionou. Não foram elaboradas propostas de enfrentamento da crise econômica. Não se fizeram balanços e discussões com esses e outros governos, junto aos movimentos sociais, para discutir as contribuições que tenham e os problemas pendentes.


Em suma, ao ter ainda ONGs como protagonistas centrais, ao auto-limitar-se à esfera social, ao fechar os olhos para os governos que estão avançando em projetos de superação do neoliberalismo, ao não encarar o tema das guerras – e, com elas, do imperialismo -, o FSM foi perdendo transcendência, tornando-se um encontro para intercâmbio de experiências – concepção pregada pelas ONGs, que o tornam intranscendente.


O balanço, pelo menos na América Latina, da luta por um “outro mundo possível”, é muito positivo, ainda mais se considerarmos o entorno conservador predominante no mundo. Já o FSM, ficou girando em falso, sem capacidade de acompanhar esses avanços e os temas da hegemonia imperial no mundo, entre eles o dos epicentros de guerra imperial no mundo – Iraque, Afeganistão, Palestina, Colômbia.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O PAPEL DA ESQUERDA NA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO DO SÉCULO XXI

Fortalece em todo mundo o discurso na busca de alternativas a mais uma crise do capitalismo. Essa crise é emblemática, uma vez que atinge os países ditos desenvolvidos que sempre promoveram uma Divisão Internacional do Trabalho de forma desigual e injusta. E, na medida que, estão atolados em dificuldades financeiras, de produção e comercialização, abrindo espaço para que os países, considerados Emergentes e Subdesenvolvidos possam buscar, de forma unilateral, alternativas ao modelo capitalista.

Nessa hora, é necessário desfazer o discurso da direita de liberdade real que as pessoas desfrutam nos regimes socialistas em relação a liberdade formal garantida nas constituições burguesas dos países capitalistas. Faz necessário, portanto, estabelecer para sociedade a possibilidade de vida justa, igualitária, solidária, fraterna, respeitosa, ou seja, de valorização do ser humano e não do lucro.

O homem é um animal político que quer participar das decisões que afetam a sua vida na sociedade. O modelo socialista, portanto, precisa dá respostas concretas à questão da liberdade e da participação. Caso contrário, dificilmente será possível avançar na busca da justiça social e da efetiva participação popular. Esse exercício da construção do socialismo precisa ser mais exercitado pelos gestores públicos formados na esquerda. No Brasil, muitos deles se afastaram do sonho socialista para serem agentes de uma nova alternativa do capitalismo pós-crise “humanizado”.

O capitalismo mostra seus limites e precisará encontrar outra alternativa de continuar a exploração, a concentração de renda e a miséria no mundo. Essa crise atual poderá ser um processo de instabilidade das economias capitalistas e será preciso esse modelo atual ser repensado. Os problemas do mundo unipolar têm seu reflexo na excessiva concentração de renda, no aumento da miséria, na devastação da natureza e nas guerras e o mundo clama por mudança.

Na América Latina, o processo de superação do capitalismo para o socialismo tem intensificado-se nos últimos anos. Essa situação foi resultado da implementação, nas décadas de 80 e 90, de laboratório avançado do neoliberalismo. Na região, países como México, Brasil e Argentina aderiram ao modelo neoliberal e a provocar, portanto, forte reação popular contrária as políticas neoliberais, favorecendo a busca de soluções socialistas, a partir da conjuntura política de cada país.

Diante da reação popular, a América Latina, atualmente, é a região do mundo com projetos de integração relativamente independentes dos Estados Unidos, condição necessária, mas não suficiente, para a ruptura com o modelo neoliberal. A crise do capitalismo fez com que os países latino-americanos reagiram de diversas formas, de acordo com sua capacidade de reconstruir as forças para uma disputa de poder. Exemplo desse processo são: Bolívia e Equador que são exemplos de levante popular com saída eleitoral que permitiu refundar o Estado, fato parecido foi a Venezuela a partir de reação popular contra um golpe de Estado promovido pela elites locais, com apoio da CIA. Um fenômeno diferente do ocorrido no México, Chile, Argentina e Brasil, onde o neoliberalismo fincou raízes e romper com a cultura da exploração através da organização popular ganha maior dificuldade.

Entretanto, a alternativa que os países latino-americanos têm buscado de distanciamento da intervenção estadunidense na região é a integração independente proposta através da ALBA (Alternativa Bolivariana para os Países Americanos), impulsionada pela Venezuela. A ALBA significa um processo de democratização da economia onde a vida esteja em primeiro lugar, através do processo de geração de emprego e renda, conjugado com forte investimento em educação, saúde, habitação e saneamento básico. Esse processo deve ser a bandeira de luta contra-hegemônica de superação da exclusão social e de construção do socialismo.

Outras propostas são a construção do Banco do Sul, de uma moeda única e de um Banco Central Único aponta para a direção de superação da dependência dos países da América Latina. Sendo assim, a busca pelo socialismo deve ser um processo contínuo de enfrentamento a cultura capitalista do individualismo, da falta de amor ao próximo, da exclusão social e da concentração de riquezas. Mas, ao mesmo tempo, deve discutir que tipo de Estado queremos, propondo um Estado que não esteja dominado pela financeirização do capital especulativo que extingue o emprego e destrói a economia. Deverá ser preciso definir, também, que tipo de cultura, que identidade e diversidade cultural devemos ter. Dizer que tipos de espaços alternativos devemos criar por fora da cultura do consumo unipolar estadunidense. Esse processo implica não somente integração econômica e social, mas também tecnológica, cultural, educacional, midiática e de estruturas políticas

Para o Sociólogo Emir Sader, “Ainda que não deixe de reconhecer a distância existente entre o sistema capitalista atual e um modelo que possa substituí-lo. Existe um abismo entre o esgotamento do modelo atual e a aparição de outro ou outros. O panorama é contraditório. Mas o mundo novo é um modelo ainda não elaborado”.

Entretanto, a construção do socialismo na conjuntura atual deve enfrentar duas questões fundamentais: a esquerda não deve ter medo de discutir as experiências socialistas sem temer as críticas desonestas dos seus adversários, pois a história hoje conhecida do chamado socialismo real de Estado ajudou a confundir as opiniões e facilitou o trabalho das direitas; a segunda questão é a esquerda criar organizações socialistas: partidos, sindicatos e movimentos populares que desenvolvam no seu interior a cultura da democracia com ética e sem limitação de liberdade.

Organizações sociais que funcionem dessa maneira, com vista à construção do socialismo do século XXI, encontrarão condições favoráveis para assegurar plena liberdade das pessoas na ordem socialista, seja qual for o contexto político do momento da ruptura do regime burguês. Os socialistas não encontram dificuldades para criticar o capitalismo, por mais drásticas que sejam, as críticas são bem recebidas pelas platéias populares e estudantis. O problema surge quando alguém pergunta: que solução tem o socialismo para o problema da liberdade? Ou seja, Como dá voz e poder ao povo?

Não dá para pensar na construção do socialismo, mantendo o povo distante das decisões de implementação das políticas públicas. Uma coisa é as pessoas reclamarem em programas de rádio da atuação do administrador no seu bairro, ou do chefe da seção da fábrica; outra, muito diferente, é reunir pessoas na praça pública para protestar contra as políticas públicas do governo, ou decidir como deve ser a atuação do governante, ou ainda escrever no jornal contra as políticas públicas que afligem a população. Mas este é o tipo de liberdade que todos querem e que as várias experiências de concretização da proposta socialista não estão conseguindo oferecer.

Dá voz ao povo através de uma imprensa de esquerda, bem como, dá poder de decidir as ações dos governos de esquerda é fundamental durante a longa fase de reconstrução da proposta socialista. Essas ações valem mais do que cem discursos para convencer as pessoas de que só no socialismo se pode falar verdadeiramente em liberdade, porque só o socialismo satisfaz a condição da igualdade. Assim, a tal liberdade formal da ordem burguesa capitalista não passará de mera ficção.

A mudança do pensamento econômico na construção do socialismo deverá elevar o nível de identidade nacional do povo em relação aos países, ditos desenvolvidos. Essa identidade nacional é importante instrumento de ruptura a ordem capitalista. A esquerda deve desmascarar as direitas que tentam postarem para sociedade com única solução verdadeira. É preciso, portanto criar meios de comunicações próprios que possa combater, permanentemente, a grande mídia que tem posições conservadoras de combate ao pensamento comunista e divulgar a idéia da impossibilidade de criação de sociedades justas e igualitárias.

É preciso, portanto, conquistar corações e mentes das pessoas. Entretanto, isso somente será possível com participação popular nos espaços deliberativos de Governos de esquerda. E através de informação de qualidade para acender a luz no interior de cada pessoa de que um outro mundo é possível.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ATENTADO A SELEÇÃO DE TOGO E A GUERRA CIVIL EM ANGOLA

O continente africano foi um dos principais palcos de disputas entre Estados Unidos e União Soviética no período da Guerra Fria. O ápice da disputa entre as duas nações aconteceu no momento em que os países africanos estavam conquistando suas respectivas independência. Assim, as duas potências mundiais, que polarizavam o mundo, passaram a interferir, diretamente na vida política, econômica e cultural da África. Tanto Estados Unidos quanto União Soviética passaram a adotar políticas, de caráter diferenciado, mas tivessem, como resultado final o apoio dos países ao modelo de sociedade capitalista(Estados Unidos) ou ao modelo de sociedade socialista(União Soviética).

Nesse cenário de disputa, as duas nações poderosas estabeleceram políticas de apoio financeiro e militar as nações que o apoiassem. Isso significou que os Governos dos países aliados passaram a receber muito dinheiro, exportações e importações subsidiadas e armas para defesa de seus territórios. Assim, iniciou, em praticamente, todo mundo guerras civis, principalmente no continente africano. A disputa estava estabelecida.

A guerras foram espaços importantes, para a indústria de armas das nações capitalistas lucrarem muito. Como o discurso era a defesa do capitalismo, como pano de fundo, os Estados Unidos, juntamente, com as nações desenvolvidas capitalistas adotaram uma política de apoio aos países aliados e de combate aos países que adotaram o modelo socialista. Nesse cenário de guerras, as empresas multinacionais dessas mesmas nações se beneficiaram muito. Elas passaram a assumir o controle das riquezas minerais, metais preciosos, fontes de energia(petróleo, carvão, gás natural entre outras riquezas) e produtos agrícolas e pecuários que os países, considerados aliados, possuiam em seus territórios.

Já as nações que adotaram o socialismo como modelo de sociedade, houve uma forte investida militar para derrobar os governos a qualquer custo e instalar Ditaduras Militares capitalistas. A idéia que os Estados Unidos e as nações desenvolvidas aliadas queriam eram implantar ai o mesmo sitesma que implantaram nos países aliados. Assim, organizaram grupos armados, treinados pelo exército estadunidense, para combaterem os governos socialistas. Esses grupos, receberam muito dinheiro e armas para defenderem os interesses capitalistas, combatendo os governos socialistas.

Vale lembrar que os Estados Unidos a partir do discurso que estava combatendo o tráfico de drogas, estimulava atividades ilegais para arrumar dinheiro ilegal, afim de comprar armas para combater os movimentos e governos socialistas. Tal prática, podemos confirmar no escândalo Irâ-Contra onde a CIA mantinha acordo com narcotraficantes da Colômbia para a venda e contrabando de drogas. O dinheiro ilegal das drogas garantia a compra de armas do Irã para combater os Sandinistas na Nicarágua que lutavam para instalarem um governo socialista no país. Em todo mundo, onde havia governos ou grupos que lutavam pelo socialismo era combatidos pelos Estados Unidos e seus aliados.

Para entedermos o atentado ao ônibus da Seleção de Togo na Província de Cabinda em Angola será preciso compreendermos esse cenário político no qual o Continente Africano está envolvido. A disputa Estados (capitalista) X União Soviética (socialista) teve consequências no continente africano até os dias atuais. Situação como aconteceu em Angola acontece, ainda, em vários países africanos que possuem grupos armados, de oposição aos Governos. A guerra continua sendo um caminho que muitos países africanos, e um campo de muito lucro para a indústria de armas dos países desenvolvidos capitalistas.

Angola foi colonizada por Portugal no século XIX e conquistou sua independência em 1975. Nesse momento, o país adotou o socialismo como modelo de sociedade e teve forte reação dos Estados Unidos contrário a essa postura. Assim, foram organizados grupos paramilitares, treinados na Africa do Sul, principal Quartel General dos Estados Unidos no Continente Africano. Esses grupos lutavam para derrubar o Governo angolano e um dos principais palco dos conflitos foi a Província de Cabinda onde estar organizado a guerrilha da FLEC-Frente de Libertação do Estado de Cabinda. No ano 2000, o Governo de Angola fez um acordo de paz com esse grupo paramilitar que defende Cabinda com Estado Indpendente de Angola.

O fim da Guerra Fria no início da década de 1990 e consequente fim da União Soviética, levou Angola a adotar o capitalismo como novo modelo de sociedade. A partir desse momento, o país é praticamente, controlado pelas empresas multinacionais que passaram a ter o controle das duas principais riquezas do país: o petróleo o país é o segundo maior produtor mundial e o diamante que é o maior produtor da África Subsaariana. Vale lembrarmos que Cabinda possui 65% de todo petróleo angolano e, ainda hoje, é comum os confrontos armados entre os guerrilheiros do FLEC e os soldados angolanos.

No atentado ao ônibus da Seleção de Togo, o veículo da equipe foi metralhado, dois membros da comissão togolesa foram mortos e o goleiro reserva Kodjovi Obilalé encontra-se em estado grave. Em resposta ao atentado, o governo brasileiro emitiu nota criticando o ato terrorista. O Brasil, além de repudiar o uso da violência, deplora que atletas e eventos esportivos sejam utilizados como alvo para a promoção de objetivos políticos", diz o comunicado”. "O Governo brasileiro condena veementemente o atentado levado a cabo por separatistas do enclave de Cabinda, em Angola, contra o ônibus que transportava a seleção nacional de futebol do Togo.

Não vir a imprensa burguesa, capitalista, fazer qualquer tipo de avaliação histórica de quem são esses guerrilheiros? Como surgiram? e Quem os apoiovam? A tentativa da desenformação é muito bem trabalhada para esconder da população por que situações, como essa, acontecem. Mas caso fosse um grupo guerrilheiro que tivesse tido apoio da União Soviética, ai teríamos grandes reportagens para contar todo fato. Esperamos que, um dia, possamos ter, no Brasil, os Meios de Comunicações democratizados para que, independente dos interesses econômicos e políticos, a população conheça averdade.

sábado, 9 de janeiro de 2010

PARAGUAI, UM NOVO GOLPE DE ESTADO EM ANDAMENTO NA AMÉRICA LATINA (Parte II)

O Golpe de Estado eminente no Paraguai, parecido ao que aconteceu em Honduras deve preocupar a todos que defendem a democracia com princípio. Em entrevista a Rádio Nacional de Buenos Aires na Argentina o Senador Paraguaio Alfredo Luis do Partido Liberal, principal partido representante das elites do país, defendeu a abertura de um processo político para afastamento definitivo do Presidente Fernando Lugo. A entrevista completa foi reproduzida e traduzida pela Agência Carta Maior no site:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16300

A reação contrária da direita rancorosa paraguaia em relação as políticas públicas de inclusão social implementada pelo Governo de Fernando Lugo é emblemática. Para que possamos perceber a dimensão da contrariedade, basta observamos a movimentação que vem acontecendo no países latino americanos com os pobres melhorando a qualidade de vida. Esses grupos conservadores estão acostumados com o Estado servindo para que os seus, através da corrupção e das políticas públicas, possam beneficia-se. Quando surge Governos que tem uma visão social, voltada para os mais pobres, isso causa reações contrárias. Essa elite dominante não quer ver os pobres tendo condições de vida. Quando os pobres passam a comer, a ter emprego, ter moradia, ter renda, ter educação pública, ter saúde pública, ter saneamento, ter água tratada acaba prejudicando esses grupos dominantes que deixam de ter a quantidade que eles entendem que deveria ter.

O processo vivido pelos países da América Latina durante o período da Guerra Fria foi de Ditaduras Militares. Essas ditaduras, com apoio dos Estados Unidos, tiveram governos conservadoras e assassinos que implementaram políticas com duas ações básicas: garantir que as empresas multinacionais continuassem explorando as riquezas do país, provocando muita pobreza e miséria. Essa política, foi resultado do papel que os governos militares deveriam executar para manter a situação social inalterada: ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres; a outra política implementada pelos governos militares, foi de perseguição implacável aos militantes de esquerda que eram contrários a tais práticas. Vários foram mortes, presos, torturados, estuprados, um verdadeiro genocídio.

Esses grupos conservadores foram mantidos no poder, com apoio dos Estados Unidos, pelo fato de terem fortes interesses em manter a política, de manutenção dos elevados lucros obtidos pelas empresas multinacionais estadunidenses. A redemocratização dos países latinos aconteceu com a manutenção no poder dos mesmos grupos políticos que dominavam o país no período da Ditadura. Para se manterem no poder, passaram a utilizar outros instrumentos: clientelismo e populismo para convencerem a população comprando voto por favores. Entretanto a lógica da corrupção da época das Ditaduras Militares continuou.

Mas, o fim das ditaduras deu ao povo o poder para eleger, através do voto, seus presidentes. Esse novo processo, foi tirando, aos poucos, o poder das mãos dessa burguesia conservadora. Como o poder de decidir quem governaria o país passa para o povo, as ações corruptas desses grupos começam a ser condenadas pelas pessoas.

Foi ai que começa, na América Latina, a ganhar as eleições governos progressistas vindas das classes populares e com perfil de esquerda. Muitos desses novos presidentes, eleitos pelo povo, lutaram contra os governos ditatoriais das décadas de 1960 a 1980. Esses novos Presidentes tiveram uma história de luta em favor da população. Quando eleitos presidentes vão implementar políticas que irão beneficiar os mais pobres. E isso está causando reação contrária das elites que sempre estiveram no poder ganhando tudo.

Assim, são eleitos governos progressistas. A partir de 1999 com a vitória eleitoral de Hugo Chaves na Venezuela e em seguida com a vitória de Lula no Brasil em 2002 o cenário político da América Latina foi se transformando. Esses dois presidentes apoiaram e serviram de exemplo para que a população de diversos países da América Latina acreditasse que era possível acontecer as mudanças sociais para melhorar suas vidas.

Em todo continente latino foram eleitos presidentes com perfil de esquerda. Ocorreram vitórias de governos progressistas, vindo das classes populares na Argentina com Cristina Kirchner em 2007, na Bolívia com Evo Morales em 2005, No Uruguai com Tabaré Vazquez em 2004 que elegeu o ex-guerrilheiro José Mujica como sucessor em 2009, no Equador com Rafael Correa em 2005, na Nicarágua com o ex-guerrilheiro Daniel Ortega em 2006, em Honduras com Manuel Zelaya em 2006, no Chile com Michele Bachelet em 2005 e no Paraguai com Fernando Lugo em 2008.

A primeira grande reação contrária das elites conservadoras contra essas mudanças sociais aconteceu no golpe militar em Honduras em 2009 (ver matéria sobre o golpe de Honduras neste blog). O próximo país que poderá acontecer um novo golpe de Estado é o Paraguai, a partir da reação das elites daquele país que não querem ver os pobres melhorarem de vida. Mas a política que eles defendem é de privatização do Estado para que as multinacionais tomem conta de tudo e aprofundem, ainda mais, a pobreza, a miséria e a destruição ambiental no país.

Vale lembrar que dois importantes países da América do Sul que ainda são dominados pelas elites conservadoras que recebem orientações dos Estados Unidos e de suas empresas multinacionais são: Colômbia com Álvaro Uribe e o Peru com Alan Garcia. Nesses dois países, a situação de pobreza e miséria da população é elevada. Ai, o nível de dependência dos Governos em relação aos Estados Unidos tem conseqüências negativas para a população. O que interessa as empresas estadunidenses é lucrar, negar direitos trabalhistas e degradar o meio ambiente.

Portanto, as mudanças que vem acontecendo na América Latina devem ser aprofundadas para que a população mais pobre do continente possa melhorar de vida, ter emprego, educação, saúde, segurança e um meio ambiente saudável.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

PARAGUAI, UM NOVO GOLPE DE ESTADO EM ANDAMENTO NA AMÉRICA LATINA (Parte I)

O Paraguai poderá ser, em 2010, o país Latino americano que sofrerá um novo Golpe de Estado igual ao que aconteceu em Honduras em 2009. Em entrevista a Rádio Nacional de Buenos Aires, na Argentina, o Senador Paraguaio Alfredo Luis do Partido Liberal, principal partido representante das elites do país, defendeu a abertura de um processo político para afastamento definitivo do Presidente Fernando Lugo. A entrevista completa foi reproduzida e traduzida pela Agência Carta Maior no site:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16300

O crime do Presidente Fernando Lugo foi, quando eleito Presidente do Paraguai, tomar medidas em benefício da população pobre. Essas medidas estão causando reações contrárias das elites que dominam o país a vários anos. Essas elites não aceitam nem querem permitir que os pobres possam melhorar de vida.

O Paraguai paga, ainda hoje, as conseqüências da Guerra do Paraguai no século XIX contra Brasil, Argentina e Uruguai, a mando da Inglaterra, que não aceitava que o país tivesse uma indústria desenvolvida que concorresse com os produtos industrializados ingleses. O país foi complemente destruído na Guerra e hoje, como conseqüência desse conflito, é considerado o país mais pobre da América do Sul, com os piores indicadores sociais.

Fernando Lugo assumiu a Presidência do Paraguai com 96% de apoio popular. Duas semanas depois, Lugo decretou o início da reforma agrária no país e o confisco das terras indígenas doadas, de forma ilegal, pelo ditador Roberto Strossner. A ditadura de Strossner no Paraguai é considerada uma das mais sangrentas do continente, parecida com o que ocorreu no Chile e no Brasil, onde milhares de militantes de esquerda foram presos, torturados, estuprados e mortos. Strossner expulsou os índios Guaranis de suas terras para doá-las as elites conservadoras que o apoiavam.

O Paraguai possui em torno de seis milhões de pessoas, sendo a maioria da população pobre/miserável e analfabeta. O país não possui indústria, tem uma economia ligada ao agronegócio, principalmente de soja para exportação e tem ligação, também, com Taiwan país famoso pelos produtos piratiados por essa mesma elite que não quer as mudanças sociais apontadas pelo novo Presidente.

O país sempre foi considerado pelos Estados Unidos como “sócio de luxo”. As elites paraguaias são articuladas com o Governo estadunidense que mantém perto do Aeroporto de Assunção, capital do país, uma base militar de espionagem para toda América do Sul. O país possui uma das maiores reservas de água potável do mundo, o Aquifero Guarani que as empresas estadunidenses querem ter o controle completo dessas reservas. Lugo, hoje, é o impedimento para os Estados Unidos assuma o controle dessas riquezas.

Os argumentos utilizados pelo Senador Paraguaio preocupam, pois o crime cometido por Fernando Lugo, na avaliação dele e de toda elite conservadora do país, é não querer implementar as reformas neoliberais como aconteceram no Chile, na Argentina e no Brasil com FHC. O processo político para caçar o mandato de Lugo, no entendimento do Senador, é o caminho para o Paraguai entrar no mundo neoliberal com privatizações em massa das empresas estatais e das riquezas do país. Mas o crime de Lugo é não querer esse tipo de política e direcionar as ações do governo para construir um processo igual ao que vem ocorrendo na Bolívia, no Equador e na Venezuela de inclusão social com distribuição de renda, geração de emprego, nacionalização das riquezas do país e reforma agrária.