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domingo, 28 de agosto de 2011

Chile: Greve geral dos estudantes e privatização da educação



Marchas com milhares de pessoas pelas ruas de Santiago, capital do Chile, essa é a realidade do país nos últimos meses. Os movimentos estão sendo convocados pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT) e movimento estudantil. Esse cenário de grandes manifestações começou com as ocupações e greves em colégios e universidades. Os movimentos têm como principal bandeira de luta uma reforma estrutural no modelo educacional vigente no país há mais de 30 anos, implementado no governo do ditador, aliado dos Estados Unidos, Augusto Pinochet.

O governo ditatorial de Pinochet é responsável por prisões, torturas, desaparecimentos e mortes de 40.018 chilenos. A ditadura no Chile iniciou em 11 de setembro de 1973 quando o governo de presidente Salvador Allende de esquerda e Unidade Popular foi deposto por um golpe militar comandado pelo general/ditador Augusto Pinochet. Começava ali um dos períodos mais sangrento da história chilena, uma ditadura que duraria até 1990. Entre o fatídico dia do golpe até o dia 7 de novembro daquele ano, estimam-se entre 12 e 40 mil os presos políticos detidos no Estádio Nacional de Santiago, muitos assassinados a sangue frio pelas forças armadas. Além de impor o terror no Chile, o país será o laboratório do neoliberalismo no mundo. Assim, todos os serviços públicos foram privatizados, isto é, entregue as empresas multinacionais estadunidenses que passam a ter o completo controle da economia chilena.

Esse modelo neoliberal está gerando um apartheid social no país, e na educação não é diferente. A luta em defesa da educação pública e gratuita iniciada no Chile nos últimos meses destaca-se pelo amplo apoio da população. Além de marchas que reúne 200 mil pessoas, as escolas e universidades privatizadas estão tomadas pelos estudantes. A luta pela educação pública e gratuita transformou-se na principal luta política no Chile e resistência ao modelo neoliberal.

A educação, saúde, saneamento, segurança, habitação, transporte e outros direitos sociais estão todos privatizados (entregues) para as empresas multinacionais que lucram alto. A legislação neoliberal de Pinochet legitimou a educação superior e secundária de mercado. Atualmente as famílias chilenas são responsáveis por financia a educação superior de seus filhos. Nas universidades, chamadas de “públicas”, os alunos pagam taxas de matrícula e as mensalidades custam mais que um salário mínimo. A mensalidade de curso superior no Chile pode chegar a 300 mil pesos chilenos mensalmente, enquanto o salário mínimo no Chile é 182 mil pesos.

Atualmente, mais de 100 mil estudantes encontram-se em situação de inadimplência, com uma dívida média de 2.700.000 milhões de pesos chilenos. Em um país em que mais de um milhão de pessoas recebe por mês salário mínimo, é perfeitamente possível entender porque os mais pobres ficam fora da universidade.

O desenvolvimento das chamadas universidades-empresa, privatizada, funcionam por meio de direções privadas que não asseguram a adequada informação de qualidade e transparência. Nelas, a gestão da educação obedece à lógica do baixo custo: professores com baixos salários e com avaliação de desempenho para que sejam identificados como culpados pelo caos no ensino, chamado de “público” e falta de material acadêmico. Entretanto, as mensalidades pagam, obrigatoriamente, pelas famílias, são elevadas, mesmo o Estado chileno garantindo recursos para funcionamento desses estabelecimentos escolares.

Quanto à situação do ensino secundário é muito parecido com o ensino superior. O financiamento dos colégios “públicos” é realizado pelas empresas, gerando uma desigualdade profunda de acesso a educação. A melhor educação está nos colégios privados onde os filhos das elites estudam situação que garantirá o acesso desses estudantes, as universidades. Já os alunos pobres convivem com o sucateamento das escolas “públicas”, supostamente financiadas pela iniciativa privada, realidade que impede o ingresso dos estudantes de baixa renda ao ensino superior.

Nas manifestações participaram alunos, professores, trabalhadores públicos e representantes de sindicatos empresariais que aumentaram sua solidariedade com os estudantes, após a feroz repressão do governo de Sebastian Piñera durante os protestos. Milhares de jovens foram detidos durante as manifestações, devido à estratégia das autoridades de não autorizar a marcha para aumentar a raiva e criminalizar o movimento social. Os movimentos pretendem mudar a Constituição Política de 1980, elaborada pelos mesmos personagens que agora governam junto com Sebastian Piñera, o multimilionário presidente do Chile

O irmão do atual presidente José Piñera é o formulador da legislação atual em matéria trabalhista, mineira e previdenciária durante o governo do ditador Pinochet. A mobilização dos trabalhadores pretende mudar justamente o panorama deixado pelo primogênito dos Piñera, cujo modelo de sociedade enfrenta a resistência dos chilenos que apóiam o movimento dos trabalhadores e estudantes que defendem o fim do lucro na educação pública para que esta seja gratuita.

A resposta do governo à greve foi a de sempre: deslegitimar os movimentos sociais, assinalando que a greve custará cerca de US$ 400 milhões à economia local. Se consideramos a má distribuição de renda no país, onde 94% da população recebe apenas 6% da riqueza, isso demonstra que o povo chileno já vem perdendo, há muito tempo, com falta de educação, saúde, saneamento, segurança, habitação e transporte público.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CUT SERGIPE CONVOCA A COMPANHEIRADA


A CUT/SE convoca todos os companheiros e companheiras dos sindicatos filiados para contribuir com a distribuição do Jornal da nossa entidade que acontecerá na próxima quarta feira dia 10/08. A concentração acontecerá na sede da CUT, Rua Porto da Folha (Aracaju) a partir da 8:00 horas. A Proposta é entregar todos os quinze mil jornais num só dia, priorizando rodoviárias, pontos de ônibus, pontos de taxi, lojas, calçadão, portas de fábrica, universidades etc. (Nos bairros colocaremos diretamente nas casas). Neste mesmo dia 10, centenas de militantes das CUTs de todo Brasil estarão em Brasília fazendo uma manifestação no Congresso Nacional, onde entregará uma pauta de reivindicação contendo com: a) Aumentos reais de salário neste segundo semestre; b) Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário; c) Reforma tributária: quem ganha menos paga menos, quem ganha mais paga mais; d) Todos os direitos trabalhistas para quem é terceirizado; e) Fim do fator previdenciário; f) Reforma Política: fim das doações de empresas e bancos para candidatos a cargos públicos; h) Liberdade e autonomia sindical etc.



Rubens Marques de Sousa

Presidente da CUT/SE

domingo, 7 de agosto de 2011

Rede Globo vai partir pra cima de Amorim


Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

Acabo de receber a informação, de uma fonte que trabalha na TV Globo: a ordem da direção da emissora é partir para cima de Celso Amorim, novo ministro da Defesa.

O jornalista, com quem conversei há pouco por telefone, estava indignado: “é cada vez mais desanimador fazer jornalismo aqui”. Disse-me que a orientação é muito clara: os pauteiros devem buscar entrevistados – para o JN, Jornal da Globo e Bom dia Brasil – que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar “turbulência” no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha.

Trata-se do velho jornalismo praticado na gestão de Ali Kamel: as “reportagens” devem comprovar as teses que partem da direção.

Foi assim em 2005, quando Kamel queria provar que o “Mensalão” era “o maior escândalo da história republicana”. Quem, a exemplo do então comentarista Franklin Martins, dizia que o “mensalão” era algo a ser provado foi riscado do mapa. Franklin acabou demitido no início de 2006, pouco antes de a campanha eleitoral começar.

No episódio dos “aloprados” e do delegado Bruno, em 2006, foi a mesma coisa. Quem, a exemplo desse escrevinhador e de outros colegas na redação da Globo em São Paulo, ousou questionar (“ok, vamos cobrir a história dos aloprados, mas seria interessante mostrar ao público o outro lado – afinal, o que havia contra Serra no tal dossiê que os aloprados queriam comprar dos Vedoin?”) foi colocado na geladeira. Pior que isso: Ali Kamel e os amigos dele queriam que os jornalistas aderissem a um abaixo-assinado escrito pela direção da emissora, para “defender” a cobertura eleitoral feita pela Globo. Esse escrevinhador, Azenha e o editor Marco Aurélio (que hoje mantém o blog “Doladodelá”) recusamo-nos a assinar. O resultado: demissão.

Agora, passada a lua-de-mel com Dilma, a ordem na Globo é partir pra cima. Eliane Cantanhêde também vai ajudar, com os comentários na “Globo News”. É o que me avisa a fonte. “Fique atento aos comentários dela; está ali para provar a tese de que Amorim gera instabilidade militar, e de que o governo Dilma não tem comando”.

Detalhe: eu não liguei para o colega jornalista. Foi ele quem me telefonou: “rapaz, eu não tenho blog para contar o que estou vendo aqui, está cada vez pior o clima na Globo.”

A questão é: esses ataques vão dar certo? Creio que não. Dilma saiu-se muito bem nas trocas de ministros. A velha mídia está desesperada porque Dilma agora parece encaminhar seu governo para uma agenda mais próxima do lulismo (por mais que, pra isso, tenha tido que se livrar de nomes que Lula deixou pra ela – contradições da vida real).

Nada disso surpreende, na verdade.

O que surpreendeu foi ver Dilma na tentativa de se aproximar dessa gente no primeiro semestre. Alguém vendeu à presidenta a idéia de que “era chegada a hora da distensão”. Faltou combinar com os russos.

A realidade, essa danada, com suas contradições, encarregou-se de livrar Dilma de Palocci, Jobim e de certa turma do PR. Acho que aos poucos a realidade também vai indicar à presidenta quem são os verdadeiros aliados. Os “pragmáticos” da esquerda enxergam nas demissões de ministros um “risco” para o governo. Risco de turbulência, risco de Dilma sofrer ataques cada vez mais violentos sem contar agora com as “pontes” (Palocci e Jobim eram parte dessas pontes) com a velha mídia (que comanda a oposição).

Vejo de outra forma. Turbulência e ataques não são risco. São parte da política.

Ao livrar-se de Jobim (que vai mudar para São Paulo, e deve ter o papel de alinhar parcela do PMDB com o demo-tucanismo) e nomear Celso Amorim, Dilma fez uma escolha. Será atacada por isso. Atacada por quem? Pela direita, que detesta Amorim.

Amorim foi a prova – bem-sucedida – de que a política subserviente de FHC estava errada. O Brasil, com Amorim, abandonou a ALCA, alinhou-se com o sul, e só cresceu no Mundo por causa disso.

Amorim é detestado pelos méritos dele. Ou seja: apanhar porque nomeou Amorim é ótimo!

Como disse um leitor no twitter: “Demóstenes, Álvaro Dias e Reinaldo Azevedo atacam o Celso Amorim; isso prova que Dilma acertou na escolha”.

Não se governa sem turbulência. Amorim é um diplomata. Dizer que ele não pode comandar a Defesa porque “diplomatas não sabem fazer a guerra” (como li num jornal hoje) é patético.

O Brasil precisa pensar sua estratégia de Defesa de forma cada vez mais independente. É isso que assusta a velha mídia – acostumada a ver o Brasil como sócio menor e bem-comportado dos EUA. Amorim não é nenhum incendiário de esquerda. Mas é um nacionalista. É um homem que fala muitas línguas, conhece o mundo todo. Mas segue a ser profundamente brasileiro. E a gostar do Brasil.

O mundo será, nos próximos anos, cada vez mais turbulento. EUA caminham para crise profunda na economia. Europa também caminha para o colpaso. Para salvar suas economias, precisam inundar nosso crescente mercado consumidor com os produtos que não conseguem vender nos países deles. O Brasil precisa se defender disso. A defesa começa por medidas cambiais, por política industrial que proteja nosso mercado. Dilma já deu os primeiros passos nessa direção.

Mas o Brasil – com seus aliados do Cone Sul, Argentina à frente - não será respeitado só porque tem mercado consumidor forte, diversidade cultural e instituições democráticas. Precisamos, sim, reequipar nossas forças armadas. Precisamos fabricar aviões, armas. Precisamos terminar o projeto do submarino com propulsão nuclear.

Não se trata de “bravata” militarista. Trata-se do mundo real. A maioria absoluta dos militares brasileiros – que gostam do nosso país – não vai dar ouvidos para Elianes e Alis; vai dar apoio a Celso Amorim na Defesa, assim que perceber que ele é um nacionalista moderado, que pode ajudar a transformar o Brasil em gente grande, também na área de Defesa.

O resto é choro de anões que povoam o parlamento e as redações da velha mídia.

domingo, 31 de julho de 2011

Debatem do “Índice Guia” de Avaliação de Desempenho acontecem em Capela e Aracaju

Os debates que o SINTESE vêm realizando sobre o “índice guia” de avaliação de desempenho do Governo Déda estão revoltando os professores da rede estadual. Neste sábado, 30 de julho, os debates aconteceram no município de Capela e Aracaju. Em Capela a discussão aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Já em Aracaju os professores reuniram-se na Escola Estadual Jacson de Figueiredo. Fica claro, nos debates, que esse instrumento que o Governo Déda quer avaliar o desempenho dos professores da Rede Estadual é irreal e visa apenas assediar alunos, professores e direção escolar.

A direção do SINTESE está realizando os debates nos municípios a partir das demandas apresentadas pelos professores. Portanto, cabe aos companheiros e companheiras dialogarem com seus colegas de trabalho e entrarem em contato com a direção para agendar as discussões de mais um “pacote” que o Governo quer impor na rede estadual. Para a Vice-Presidenta do SINTESE Maria Barroso, a resistência dos professores nas escolas em não aceitar em modelo imposto é crucial para sermos vitoriosos nessa luta de resistência a esse modelo de avaliação preconceituoso, excludente e punitivo.

Além disso, o modelo de avaliação pretende trazer para dentro das escolas estaduais a iniciativa privada numa clara intenção do Governo do Estado em privatizar o ensino público e numa demonstração de que o Governo não quer mas assumir a manutenção das escolas estaduais.

O Governo já quer iniciar a avaliação dos professores

O processo de avaliação de desempenho dos professores e direção escolar já iniciou nas escolas. As Diretorias Regionais estão obrigando os diretores, que estão sendo avaliados, para obrigarem os professores a postarem na internet o planejamento com o CPF dos professores. A direção do SINTESE orienta que os professores não faça isso e entregue o Plano de Curso em papel como sempre fizemos, bem como não permitam que as direções das escolas usem o CPF dos professores para fazerem a postagem. Resistir é crucial para que o Governo Déda abra uma ampla discussão sobre o modelo de avaliação que interessa a Rede Estadual.

Novos debates

Os professores que ainda não participaram dessa discussão e não conhecem o “índice guia” de avaliação de desempenho do Governo Déda devem entrar em contato com a direção do SINTESE ou Coordenação das Sub sedes regionais para agendar as discussões em seu município ou sua escola.

Debates agendados

• Dia 01 de Agosto: a partir das 9h no Colégio Dom Luciano em Aracaju;
• Dia 02 de Agosto: a partir das 15h no Colégio Dom Luciano em Aracaju;
• Dia 04 de Agosto: a partir das 08:30h em Lagarto
• Dia 06 de Agosto: a partir das 09h em Aquidabã

segunda-feira, 25 de julho de 2011

MÚSICO SERGIPANO JOÃO DA PASSARADA É DESRESPEITADO NO FORRÓ SIRI 2011


O desrespeito com o artista sergipano João da passarada no forró siri foi demais! vejam o que aconteceu. Primeiro a organização da festa passa o roteiro para o artista com a ordem das apresentações e o horário que iriam começar. Pediram a ele que não levasse bateria porque no local do evento já teria o instrumento para ele poder se apresentar com sua banda. Ao chegar no local, o instrumento estava lá porém pertencia a banda do cantor Leonardo, que não o liberou, apoderando-se inclusive do palco, impedindo o artista de se apresentar ali, e assim seguir a ordem correta das apresentações sem atrapalhar o andamento da festa.

Resultado: pede a bateria emprestada ao baterista da banda da comunidade, que no primeiro instante negou o instrumento, emprestando-o somente depois de muita conversa com senhor Léo Viana, um dos produtores da Calcinha Preta, que é a empresa que organiza a festa do forró Siri. Após ter resolvido o problema com a bateria, surgiu um problema de camarim porque nem a comunidade que canta e nem o artista João da Passarada tinham direito a camarim, uma vez que os 4 camarins existentes naquela festa estavam a disposição da banda Calypso e o cantor Leonardo.

Resolvida a situação do camarim e já com o show em andamento, os todos poderosos do Calypso chegaram ao local do evento, começando assim uma estressante sessão de manda parar o show. Os produtores da banda Calypso faziam sinais para o cantor João da Passarada, ordenando que ele parasse naquele exato momento! O que se seguiu foi uma vergonha maior ainda para o artista sergipano.

Um dos produtores chegou até a mim, que toco acompanhando o cantor João da passarada, e me perguntou o seguinte: "Quem autorizou você a usar este amplificador?" Respondi que só havia plugado o meu equipamento e estava usando o amplificador porque, além da banda anterior ter feito o mesmo, eu não sabia que o amplificador da marca Roland jazz Chorus era de propriedade de seu Chimbinha da banda Calypso já que o sr Ricardo Sá também tem um amplificador igual àquele. Mesmo me justificando e sabendo que estávamos tocando a última música, a pedido dos mesmos, o produtor da banda Calypso simplesmente desligou o amplificador e cortou o sinal do som da guitarra que estava saindo no P.A. A mesma coisa aconteceu com o instrumento do Acordeonista, ficando o som apenas no retorno de palco.
O desrespeito foi tamanho que o show durou apenas vinte minutos.

É lamentável que artistas de nome sejam mais valorizados que os artistas da terra, e ver, numa realidade cada vez mais absurda, que quem manda nos eventos são esses empresários do meio artístico que preferem "abrir as pernas" bajulando esses figurões, e não quem realmente luta pela cultura do São João em Sergipe. Prefeito Fábio Henrique a organização de sua festa é um fiasco, sua secretaria de Cultura não funciona, não sabe organizar nada, pois se soubesse, não deixaria nas mãos do todo poderoso da Calcinha Preta que também não teve voz ativa em favor do Artista da terra. Respeite o artista sergipano, Sr. Fábio Henrique!!!!!!!!!

domingo, 24 de julho de 2011

Comissão da Verdade para apurar os crimes da ditadura civil-militar no Brasil


Tramita no Congresso Nacional projeto de lei nº 7.376 de 20 de Maio de 2010 que cria a Comissão da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República. O objetivo dessa comissão será examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos ocorridas contra brasileiros e estrangeiros no período da Ditadura civil-militar (1964 a 1988) no Brasil. A comissão não terá caráter punitivo, mas será fundamental para os familiares dos mortos, estuprados, torturados e desaparecidos possam ingressar com ação na justiça pedindo a punição dos torturadores/assassinos e seus financiadores.
O Brasil é o único país sul-americano que ainda não criou a comissão da verdade para apurar os crimes ocorridos nesse período nefasto da história. A existência de ditadura militar foi uma política adotada pelas nações capitalistas coordenadas pelos Estados Unidos para os países subdesenvolvidos no período da Guerra Fria (1945 a 1992). Nesse período, os países capitalistas implementaram no mundo políticas diferenciadas: para as nações desenvolvidas foi implementado o estado de bem-estar social (Welfare State) que transformou o Estado em protetor e defensor das políticas sociais para garantir qualidade de vida ao povo. Já nas nações subdesenvolvidas, que são a maioria dos países, foi imposto ditaduras militares para manter a desigualdade social, a concentração de renda e de terra, o controle das riquezas pelas empresas multinacionais, a corrupção e as condições de miséria e pobreza inalterada.

Em relação aos crimes cometidos pela ditadura civil-militar no Brasil, o país foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da organização dos Estados Americanos-OEA que, na sentença, está obrigando o Brasil a criar a comissão da verdade. Em 24 de Novembro de 2010, o país foi condenado, por unanimidade, no julgamento do caso da Guerrilha do Araguaia (1972 a 1975). A Corte julgou que é inaceitável a concessão de anistia aos torturados/assassinos e os financiadores da ditadura. O país será obrigado a apresentar a corte, num prazo de um ano, relatório sobre a execução da sentença, ou seja, sobre a punição que foi aplicada aos torturadores/assassinos e seus financiadores.

O Brasil também está sendo pressionado pela ONU-Organização das Nações Unidas. Para a ONU, as evidências de torturas, assassinatos, estupros, assédio e todo tipo de crimes contra os direitos humanos, obriga a justiça brasileira a realizar ampla investigação e punição aos torturados/assassinos. A ONU teve acesso a três (03) caixas de informações fornecidas pelo Conselho Mundial das Igrejas que através do projeto Brasil nunca mais microfilmaram milhões de páginas de processos contra brasileiros e estrangeiros do Superior Tribunal Militar-STM. Nos documentos estão identificados 242 centros de torturas no país. Para a ONU a investigação e a punição aos torturados/assassinos e seus financiadores é uma obrigação. A punição aos torturadores é uma questão de justiça social de modo que o país não se transforme no único da América Latina a manter seu passado abafado.

O jornal argentino página 12 teve acesso a documentos secretos da ditadura argentina e descobriu indícios que o ditadores/assassinos brasileiros juntos com outros de países sul-americanos Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai seqüestraram e assassinaram, em parcerias, cidadãos brasileiros na formosa Operação Condor.

No livro “1964 - A conquista do Estado” o professor René Dreifuss aponta a criação do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), uma organização político-militar composta pela elite defensora dos interesses estrangeiros das multinacionais. Nesse acordo, a elite formou um poderoso aparelho de classe que financiaram a criação de grupos paramilitares de direita e definiam as ações dos torturadores/assassinos contra os militantes da classe trabalhadora: padres, estudantes, professores, médicos, donas de casas, trabalhadores rurais, operários e dirigentes sindicais.

O livro lista esses financiadores da ditadura civil-militar no Brasil a exemplo de Teobaldo de Niguis presidente da FIESP e Boilesen presidente da Ultragás. Os homens-chave dos grandes empreendimentos industriais, financeiros e dos interesses multinacionais acumularam vários postos na administração e definição das políticas dos governos ditatoriais. “A maioria dos empresários que ocupava cargos-chave estavam envolvidos em atividades comerciais privadas, relacionadas de perto com suas funções públicas. (pág. 481)”.

A participação de empresários no esquema de repressão e extermínio de militantes de oposição sempre foi tratada como tabu histórico, sob a alegação de ser uma demonstração de revanchismo. O financiamento para a repressão em todos os países contou com vultosas verbas do governo. Além disso, na Argentina, Brasil e Chile, houve o financiamento de centros de tortura por empresários, que até mesmo participavam de sessões de tortura. Esses empresários são tão criminosos quanto os executores das sessões de torturas, estupros, assédio, assassinatos, ocultação de cadáveres e prisões. Para ONU e OEA todos precisam ser investigados e punidos como criminosos.

Entretanto, a aprovação do projeto de lei nº 7.376 que tramita em regime de urgência tem enfrentado resistência dos deputados e senadores apoiadores dos assassinos/torturadores.
A existência de poderosas forças contrárias à criação da Comissão da Verdade está criando dificuldades. Esses empresários que, hoje pousam de “bons moços” não querem que o povo brasileiro saiba que financiaram o crime organizado/legalizado no Brasil contra cidadãos inocentes que apenas lutavam para que a população brasileira tivesse melhores condições de vida: emprego, terra para trabalhar, casa para morar, educação e saúde.

Uma demonstração do medo desses empresários financiadores da ditadura civil-militar foi o comportamento do deputado federal Jair Bolsonaro na audiência pública na Comissão de Direitos Humanos. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), militar da reserva conhecido por expor abertamente opiniões conservadoras, foi ao debate defender duas mudanças na Comissão da Verdade. O grupo deveria ter números iguais de civis e militares e foco até 2002, para apurar a tortura e a morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, que era do PT. Pessoas ligadas ou pertencentes às Forças Armadas certamente apoiariam a primeira sugestão, mas familiares de mortos e desaparecidos não aceitam a presença de militares nas investigações.

O procurador Marlon Weichert, que coordena na Procuradoria Federal de Direitos do Cidadão o grupo “Memória e Verdade”, defendeu mudar o projeto do governo que cria a Comissão da Verdade, para que ela tenha foco na ditadura militar, mais prazo para trabalhar, mais integrantes e que nenhum integrante seja das Forças Armadas ou parentes de mortos e desaparecidos. As sugestões foram feitas durante audiência pública realizada na quarta-feira (29 de junho de 2011) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Foi o primeiro debate do projeto desde que o ex-presidente Lula enviou-o ao Congresso, em abril de 2010.

O texto do governo institui uma comissão de sete membros, que teria dois anos para entregar um relatório sobre violação de direitos humanos praticadas entre 1964 e 1988. A abrangência das investigações foi determinada com base em artigo da Constituição de 1988 que concede anistia a perseguidos políticos. Segundo o procurador Marlon Weichert, é pouco tempo para num período de 02 anos 07 integrantes produzirem um relatório de tamanha importante. A mais famosa comissão da verdade da história, instalada na África do Sul depois do regime racista do Apartheid, tinha 200 membros.

Em Sergipe foram graves as violações de direitos humanos na conhecida Operação Cajueiro que se iniciou numa noite de carnaval 20 de fevereiro de 1976 com as prisões e torturas de líderes do Partido Comunista Brasileiro-PCB, líderes sindicais e líderes estudantis. O Quartel do 28º Batalhão de Caçadores havia sido ocupado por tropas federais que se deslocaram da Bahia, juntamente com membros da Marinha e da Polícia Militar de Sergipe. Os presos políticos tiveram os olhos encobertos com uma venda de borracha para que não reconhecessem os torturadores que deixaram marcas profundas a exemplo de Milton Coelho que ficou cego resultado das torturas que sofreu nos porões do 28º Batalhão de Caçadores situado no Bairro 18 do forte em Aracaju.

A criação da Comissão da Verdade será fundamental para que o país conheça quem foram esses torturadores e assassinos que cometeram as mais diversas formas de crimes contra cidadãos brasileiros que eram acusados pelo fato de estarem lutando por uma vida melhor para todos os brasileiros.

domingo, 17 de julho de 2011

Professores debatem Avaliação de Desempenho na Rede Estadual





O SINTESE vem realizando debates, por todo Estado, sobre o “índice guia”, instrumento utilizado pelo Governo Déda para avaliar o desempenho dos professores da Rede Estadual. Os debates iniciaram no dia 01 de Junho quando foi realizado o primeiro estudo coletivo no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe com grande participação dos professores. Nesse encontro, os professores presentes construíram um documento que foi apresentado e aprovado em Assembléia da categoria realizada no dia 03 de Junho.

A partir daí, os debates multiplicaram-se pelo Estado: Estância, Itabaiana, Tobias Barreto, Aracaju, Simão Dias, Ribeirópolis, Neópolis entre outros municípios. Os professores da Rede Estadual estão saindo dos encontros revoltados diante do pacote de maldades presente no “índice guia” de avaliação de desempenho do governo Déda. A avaliação visa oficializar o assédio moral de professores e alunos da Rede Estadual.

Para assediar os alunos, o Governo Déda quer obrigar os “professores a identificarem em sala de aula os alunos ‘avançados’ e os alunos ‘atrasados’. Essa proposta de tratamento diferenciado para esses dois grupos de alunos. Essa proposta é preconceituosa, excludente e constrangedora, além disso, os alunos rotulados de ‘avançados’ podem fazer reforço dos ‘atrasados’.

Para assediar os professores o Governo Déda quer classificar “professores de excelência” de professores rotulados de “insuficientes” dentro das escolas. E ainda, os “professores de excelência” podem realizar assessoramento nas turmas dos professores “insuficientes”. Os professores de “excelência”, para manter essa classificação, serão obrigados a fazer reforço individual aos alunos no turno contrário impedindo-os de terem dois vínculos.

Questões graves estão postas no “índice guia” como a obrigação das escolas estaduais fazerem parcerias com empresas privadas. Essas empresas, com isso, ficarão livre para indicarem um gerente que irá intervir nas escolas, perseguindo os professores. Isso significa que o sucesso ou o fracasso da escola é única e exclusiva responsabilidade da escola: equipe diretiva e professores, caso não façam parcerias com as empresas. Essa é uma clara demonstração que o Governo Déda não quer mas assumir a manutenção das escolas estaduais.

Os professores estão revoltados com essa avaliação do Governo Déda e estão fazendo o debate com os colegas em todas as escolas estaduais, inclusive reunidos alunos e pais para explicar como o Governo quer assediar os alunos. A resistência de professores, alunos, pais e mães é fundamental para impedir que o Governo queira acabar com autonomia dos professores e constranger os alunos.

Novos debates
Os professores que ainda não participaram dessa discussão e não conhecem o “índice guia” de avaliação de desempenho do Governo Déda devem entrar em contato com a direção do SINTESE ou Coordenação das Sub sedes regionais para agendar as discussões em seu município ou sua escola. “A resistência dos professores das escolas estaduais, juntamente com pais e alunos, é crucial para impedimos a concretização dessa maldade que o Governo está tentando impor nas escolas de Sergipe”, afirmou o diretor da Base Estadual Roberto Silva dos Santos.