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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Avaliação de Desempenho que Governo Déda quer impor em Sergipe NÃO deu certo nos Estados Unidos



A publicação do livro da gestora do sistema de avaliação de desempenho docente e escolar dos Estados Unidos, Diane Ravitch – ex-secretária adjunta de educação no governo de George Bush e ex-chefe do instituto responsável pelos testes federais americanos (National Assessment Governing Board) na gestão de Bill Clinton cai como uma bomba contra aqueles que insistem em impor avaliação de desempenho meritocrático e de monitoramento. Daiane, atualmente, é a pessoa mais crítica a essa política de matriz meritória e nada eficiente para as políticas educacionais.

No livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), Diane expõe os problemas da avaliação, destacando a punição às escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações estabelecidas pela gestão educacional. Nos EUA a Secretaria de Educação chegou ao cúmulo de fechar as escolas e de demitir as equipes profissionais que ficaram abaixo das metas nacionais. É esse modelo falido nos Estados Unidos que o Governo Déda que impor em Sergipe através do Índice Guia de Avaliação de Desempenho coprado por R$ 360 mil reais.

Pelo Índice Guia/compromisso de gestão as escolas que não atingirem as metas definidas pelos gestores da SEED serão punidas, inclusive com demissão da equipe diretora e dos professores. As metas definidas referem-se aos resultados das provas externas (prova Brasil, provinha Brasil e Enem) sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino.

Segundo Diane, os riscos para a tendência de bonificar através de Avaliação de Desempenho de caráter meritocrático induz os sistemas e as unidades escolares a rebaixarem os padrões do ensino com foco no desempenho dos testes nacionais padronizados. Estes, por sua vez, direcionam para a redução do currículo, comprometendo a qualidade social da educação.

A CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação tem posição contrária a política do MEC baseada nas expectativas de aprendizagem (calcadas no currículo mínimo) e da transformação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no principal instrumento para medir a qualidade da educação, mesmo com os componentes restritos que compõem as provas estandardizadas aplicadas pelo Inep/MEC. A CNTE espera que as ações públicas do executivo e do parlamento comecem a rever a trajetória equivocada do padrão de qualidade para a educação básica, direcionando-o para as deliberações da 1ª Conferência Nacional de Educação, sobretudo para a instituição do sistema nacional de educação, para o aumento dos investimentos financeiros (10% do PIB até que a dívida educacional seja reparada) e aplicação do conceito de Custo Aluno Qualidade, para a gestão democrática das escolas e dos sistemas e para os conteúdos e práticas curriculares que valorizem os anseios sociais e a cultura das comunidades escolares.

Com informações do site da CNTE

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Análise do texto: ALCANÇANDO O SUCESSO? Reflexões críticas sobre a agenda para a educação da “Terceira Via” do New Labour.


O texto dialoga sobre a política educacional na Inglaterra pensada a partir da uma concepção ideológica chamada de Terceira Via do New Labour que tenta unir a direita para o social com a esquerda para o capital. Essa nova ideologia aparece através das políticas públicas de forma descontextualizada e compartimentadas sem procurar explorar como elas combinam-se no contexto social real. Assim, a concretude dessa ação acontece na combinação do envolvimento do setor privado nas ações que deveriam ser de responsabilidade do setor público. Essa política foi implementada no setor educacional inglês com sérias conseqüências para o sistema educacional, as escolas, os professores e os alunos.

Implementada no Governo de Tony Blair, a política do New Labour procurou combinar uma política de gestão empresarial nas escolas inglesas. Essa política caracterizou-se por:
• Os recursos são redistribuídos para as escolas com base na per capita e não de acordo com a necessidade das escolas. Esse procedimento é muito adotado no Brasil através da política de transferência de recursos diretos para as escolas (PDE, PDDE, PROFIN);
• Início do processo de privatização das escolas através do aumento das oportunidades de negócios na gestão das escolas. No Brasil esse processo cresce através do crescimento das empresas de consultorias que substitui o papel das Secretarias de Educação, através de seus técnicos;
• Houve uma intensificação das práticas de gestão empresarial nas escolas com monitoramento do desempenho das escolas e competição entre elas para redistribuição dos recursos. Essa é uma política defendida pelo ministério da educação do Brasil e que está crescendo em todo país, inclusive com a tentativa do Governo de Sergipe implantar através da metodologia chamada de índice Guia.
• Política educacional que defende a economização do currículo escolar, priorizando as aprendizagens ligadas ao trabalho. No Brasil essa modelo cresce através da política de educação à distância, empreendedorismo nas escolas que secundariza o conhecimento para exercício da cidadania.
• Introdução de um currículo da subserviência, chamado de “linguagem do currículo mais humanista”. Nessa reestruturação curricular enfatizam o bem-estar espiritual, moral e mental. No Brasil fica cada dia mais forte o discurso das escolas cuidarem desses temas de forma descontextualizadas em vezes do conhecimento sistematizado que, necessariamente, abordam, também, esses temas diante das demandas que surgem na sala de aula;
• Estabelece colaboração entre escolas. Em Sergipe os Centros Experimentais (consideradas escolas Charter), em tese, tem esse papel de mostrar para as outras que pode dá certo, basta acabar os direitos dos professores e fazê-los trabalhar além da carga horária;
• Introduziu a representação dos pais nas comissões escolares com responsabilidade da gestão da escola. Entretanto, quando as empresas têm interesses nas escolas, tendem a resistir as formas democráticas de tomada de decisões, agindo como se estes constrangessem a sua liberdade empresarial. No Brasil essa política de fortalecimento dos conselhos escolares tem crescido, entretanto sem concretização da gestão democrática. Os conselhos servem apenas para referendar as políticas estabelecidas pela Secretaria de Educação com orientações das empresas de consultorias;
• Financiamento adicional para os Centros de Excelências. Em Sergipe, os Centros experimentais (antigos centros de excelências) têm recursos além daqueles recebidos pelas outras escolas como forma de criar “ilhas” dentro do sistema educacional;
• Foi instituído a política dos exames nacionais de matemática, TCI - Tecnologia da Comunicação e da Informação e ciências para definição de um suposto índice de qualidade das escolas. Política parecida com o modelo estabelecido pelo MEC – Ministério da Educação de exames nacionais: ENEM, Prova Brasil, Provinha Brasil como elementos para definição de suposto índice de qualidade das escolas - IDEB e, agora, a certificação dos professores através de um exame nacional;
• Criação das escolas especializadas seletivas com introdução de novas especialidades em gestão de empresas, engenharia e ciências, assim como um novo estatuto para essas escolas e um currículo alinhado ao mercado com ênfase em competências e atitudes empresariais com ramos vocacionais para os jovens. Em Sergipe, os Centros Experimentais têm uma legislação própria onde os professores são obrigados a uma jornada de trabalho elevada e obrigados a trabalharem empreendedorismo como parte do currículo escolar, numa preparação dos alunos para subserviência ao trabalho e a exploração;
• Foi estabelecido um maior envolvimento do setor privado na gestão das escolas. Os centros experimentais em Sergipe são geridos por um conselho gestor compostos por integrantes das empresas que financiam as escolas chamadas de “excelência”;
• Maior liberdade para as escolas estabelecerem os salários dos professores. Os centros experimentais os professores, direção e funcionários têm uma gratificação de 100% do vencimento, a mais que os demais professores, apenas pelo fato de estarem ensinando nessas escolas;

Essa política do New Labour visa transformar as escolas em extensão da gestão empresarial e atribui escalas de desempenho dos professores, da direção e das escolas. Para tanto, implementam ampliação da carga horária docente e repasse de vultosos recursos para as consultorias privadas para que avaliem os professores. O dinheiro que poderiam ser investidos na melhoria das condições das escolas e nos salários dos professores, são gastos em consultorias milionárias.

Outra grave questão é o aumento da carga horária dos professores em decorrência das exigências burocráticas, ou seja, preenchimento de formulários e não para pensar a prática pedagógica, formação continuada ou em projetos pedagógicos com seus alunos. A política New Labour está gerando uma deterioração nas relações sociais da educação. Isso se dá em função da tecnicização e rotinização do trabalho dos professores com sérias implicações na saúde emocional. Os professores reclamam das sobrecargas de reuniões para cumprir exigências do mercado e do governo com um declínio da sociabilidade da vida na escola secundarizando o debate curricular e menos tempo para o convívio informal e entre o pessoal. Assim, os educadores têm que se preocupar com aspectos administrativos e técnicos, ficando sua participação nas tomadas de decisões, bem como sua autonomia pedagógica seriamente limitada.

Ainda, nessa política educacional inglesa, há um processo de competição entre as escolas através dos resultados dos exames. Além do sistema de premiação através do desempenho individual dos professores, desconsiderando a importância do trabalho interdisciplinar. A briga pelo melhor resultado nos exames estão transformando as escolas inglesas em ensino para preparar os alunos para fazerem exames, sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino e/ou estímulo a criatividade dos alunos.

A ditas “escolas de excelências” são pensadas com mais aporte de recursos e infra-estrutura para atender uma pequena parcela da população, de modo que mascare a realidade. Assim cria o discurso de que o ensino deficiência é apenas culpa dos professores e das direções escolares que “não estão trabalhando”. Já as escolas onde estudam crianças da classe trabalhadora as condições estruturais são precárias, pois e necessário que haja o discurso das consultorias que é necessário fazer mais na linha da completa privatização do sistema.

O processo de patrocínio privado das escolas gera sérios riscos para a comercialização do currículo. Isso significa que são as empresas que produzem as famosas cartilhas/apostilhas para serem vendidas aos sistemas de ensino. Assim, o patrocínio das empresas visa, também, a construção da “consciência de marcas”. Nessa linha, o setor público ainda continua a financiar as escolas, mas é a iniciativa privada quem vai geri-las administrativamente, bem como os materiais pedagógicos (cartilhas/apostilhas).

Entretanto, tem havido resistência dos sindicatos a mais privatizações. Essa resistência tem gerado resistência, também, dos professores. Essa resistência tem sido de três maneiras:
1. O abandono da profissão com elevados números de pedido de exoneração, gerando uma série crise de falta de professores para preenchimento das vagas;
2. Os professores cumprem as exigências da política do New Labour , mesmo sabendo que não são para melhoria da aprendizagem dos estudantes, mas apenas para que as escolas tenham recursos para garantir qualidade razoável, mesmo sabendo que as escolas especializadas com patrocínio das empresas e estatutos próprios geram desigualdade de financiamento e condições de acesso diferenciadas;
3. Apesar da pressão para estreitamento curricular, há os professores que continuam trabalhando currículos escolares e políticas baseadas numa ampla, humanista e progressista visão de educação. Esse processo visa envolver os estudantes no processo de tomada de decisão nas escolas e curricular que priorize o ensino crítico.

O texto pode ser lido, na integra no link abaixo. Estudá-lo é importante para que possamos entender a política educacional brasileira, pensada numa concepção ideológica chamada de “Terceira Via”. Somente assim poderemos entender o porquê o Governo Déda está tentando impor em Sergipe uma política de privatização do ensino público Sergipe através da avaliação de desempenho fundamentada no Índice Guia.

http://www.curriculosemfronteiras.org/vol2iss1articles/gewirtzconf.pdf

Resistir é preciso! e nossa vida é lutar contra essas políticas que tentam tratar os professores como culpados pelos problemas existentes no ensino pública, com claras intenções de, no futuro, privatizar o ensino público brasileiro e sergipano.

domingo, 31 de julho de 2011

Debatem do “Índice Guia” de Avaliação de Desempenho acontecem em Capela e Aracaju

Os debates que o SINTESE vêm realizando sobre o “índice guia” de avaliação de desempenho do Governo Déda estão revoltando os professores da rede estadual. Neste sábado, 30 de julho, os debates aconteceram no município de Capela e Aracaju. Em Capela a discussão aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Já em Aracaju os professores reuniram-se na Escola Estadual Jacson de Figueiredo. Fica claro, nos debates, que esse instrumento que o Governo Déda quer avaliar o desempenho dos professores da Rede Estadual é irreal e visa apenas assediar alunos, professores e direção escolar.

A direção do SINTESE está realizando os debates nos municípios a partir das demandas apresentadas pelos professores. Portanto, cabe aos companheiros e companheiras dialogarem com seus colegas de trabalho e entrarem em contato com a direção para agendar as discussões de mais um “pacote” que o Governo quer impor na rede estadual. Para a Vice-Presidenta do SINTESE Maria Barroso, a resistência dos professores nas escolas em não aceitar em modelo imposto é crucial para sermos vitoriosos nessa luta de resistência a esse modelo de avaliação preconceituoso, excludente e punitivo.

Além disso, o modelo de avaliação pretende trazer para dentro das escolas estaduais a iniciativa privada numa clara intenção do Governo do Estado em privatizar o ensino público e numa demonstração de que o Governo não quer mas assumir a manutenção das escolas estaduais.

O Governo já quer iniciar a avaliação dos professores

O processo de avaliação de desempenho dos professores e direção escolar já iniciou nas escolas. As Diretorias Regionais estão obrigando os diretores, que estão sendo avaliados, para obrigarem os professores a postarem na internet o planejamento com o CPF dos professores. A direção do SINTESE orienta que os professores não faça isso e entregue o Plano de Curso em papel como sempre fizemos, bem como não permitam que as direções das escolas usem o CPF dos professores para fazerem a postagem. Resistir é crucial para que o Governo Déda abra uma ampla discussão sobre o modelo de avaliação que interessa a Rede Estadual.

Novos debates

Os professores que ainda não participaram dessa discussão e não conhecem o “índice guia” de avaliação de desempenho do Governo Déda devem entrar em contato com a direção do SINTESE ou Coordenação das Sub sedes regionais para agendar as discussões em seu município ou sua escola.

Debates agendados

• Dia 01 de Agosto: a partir das 9h no Colégio Dom Luciano em Aracaju;
• Dia 02 de Agosto: a partir das 15h no Colégio Dom Luciano em Aracaju;
• Dia 04 de Agosto: a partir das 08:30h em Lagarto
• Dia 06 de Agosto: a partir das 09h em Aquidabã

domingo, 17 de julho de 2011

Professores debatem Avaliação de Desempenho na Rede Estadual





O SINTESE vem realizando debates, por todo Estado, sobre o “índice guia”, instrumento utilizado pelo Governo Déda para avaliar o desempenho dos professores da Rede Estadual. Os debates iniciaram no dia 01 de Junho quando foi realizado o primeiro estudo coletivo no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe com grande participação dos professores. Nesse encontro, os professores presentes construíram um documento que foi apresentado e aprovado em Assembléia da categoria realizada no dia 03 de Junho.

A partir daí, os debates multiplicaram-se pelo Estado: Estância, Itabaiana, Tobias Barreto, Aracaju, Simão Dias, Ribeirópolis, Neópolis entre outros municípios. Os professores da Rede Estadual estão saindo dos encontros revoltados diante do pacote de maldades presente no “índice guia” de avaliação de desempenho do governo Déda. A avaliação visa oficializar o assédio moral de professores e alunos da Rede Estadual.

Para assediar os alunos, o Governo Déda quer obrigar os “professores a identificarem em sala de aula os alunos ‘avançados’ e os alunos ‘atrasados’. Essa proposta de tratamento diferenciado para esses dois grupos de alunos. Essa proposta é preconceituosa, excludente e constrangedora, além disso, os alunos rotulados de ‘avançados’ podem fazer reforço dos ‘atrasados’.

Para assediar os professores o Governo Déda quer classificar “professores de excelência” de professores rotulados de “insuficientes” dentro das escolas. E ainda, os “professores de excelência” podem realizar assessoramento nas turmas dos professores “insuficientes”. Os professores de “excelência”, para manter essa classificação, serão obrigados a fazer reforço individual aos alunos no turno contrário impedindo-os de terem dois vínculos.

Questões graves estão postas no “índice guia” como a obrigação das escolas estaduais fazerem parcerias com empresas privadas. Essas empresas, com isso, ficarão livre para indicarem um gerente que irá intervir nas escolas, perseguindo os professores. Isso significa que o sucesso ou o fracasso da escola é única e exclusiva responsabilidade da escola: equipe diretiva e professores, caso não façam parcerias com as empresas. Essa é uma clara demonstração que o Governo Déda não quer mas assumir a manutenção das escolas estaduais.

Os professores estão revoltados com essa avaliação do Governo Déda e estão fazendo o debate com os colegas em todas as escolas estaduais, inclusive reunidos alunos e pais para explicar como o Governo quer assediar os alunos. A resistência de professores, alunos, pais e mães é fundamental para impedir que o Governo queira acabar com autonomia dos professores e constranger os alunos.

Novos debates
Os professores que ainda não participaram dessa discussão e não conhecem o “índice guia” de avaliação de desempenho do Governo Déda devem entrar em contato com a direção do SINTESE ou Coordenação das Sub sedes regionais para agendar as discussões em seu município ou sua escola. “A resistência dos professores das escolas estaduais, juntamente com pais e alunos, é crucial para impedimos a concretização dessa maldade que o Governo está tentando impor nas escolas de Sergipe”, afirmou o diretor da Base Estadual Roberto Silva dos Santos.