Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Sergipe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sergipe. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de dezembro de 2011

Cresce em Sergipe o número de adolescentes na miséria


Matéria publicada no Jornal da Cidade do dia 01 de Dezembro de 2011 aponta que Sergipe possui uma população de quase 250 mil adolescentes na faixa etária dos 12 aos 17 anos. Mais 30% desse contingente de sergipanos vivem em famílias extremamente pobres, com renda de até ¼ de salário mínimo.

Em cinco anos, esse percentual teve um crescimento de mais de 60%, pois no ano de 2004 eram 18,1% dos adolescentes que vivam em condições de miséria. Em 2009 já eram 30,2%. Esse é apenas um dos pontos preocupantes apontados no relatório “Situação da Adolescência Brasileira 2011 – O direito de ser adolescente: Oportunidade para reduzir vulnerabilidades e superar desigualdades”, divulgado ontem (30/11/2011) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O relatório analisa a situação de meninas e meninos de 12 a 17 anos a partir da evolução de 10 indicadores entre 2004 e 2009 e também traz uma análise das políticas públicas desenvolvidas no Brasil e propõe ainda um conjunto de ações a serem tomadas para garantir a realização dos direitos de todos e de cada adolescente. O documento mostrou também que os adolescentes continuam expostos, em um nível preocupante, à violência. Os homicídios ainda são a principal causa de morte nessa faixa etária. Em Sergipe, em 2004, a taxa de homicídios entre adolescentes era de 11,8 por 100 mil habitantes. Mas houve um aumento gradativo e em 2009 alcançou 16,1 homicídios por 100 mil habitantes.

De acordo com o relatório, o percentual de adolescentes entre 12 e 17 anos que não estudam ou não trabalham em Sergipe foi de 6,3%, maior que o do Brasil (5,4%) e o da região Nordeste (6,1%). O estudo do Unicef mostrou que houve uma redução no percentual dos adolescentes que só trabalham. De acordo com o estudo divulgado ontem, 3,1% estão nessas condições. Em 2004 eram 5,7% dos adolescentes nessa faixa etária que só trabalhavam. O índice de adolescentes de Sergipe nessa condição é maior que o da região Nordeste (3,5%) e do Brasil (3,4%).

Segundo o relatório Situação da Adolescência Brasileira, 3,1% dos adolescentes sergipanos já tiveram filhos, índice superior ao percentual brasileiro, que foi de 2,8%, e também da média a região Nordeste (3,0%). Além de terem filhos numa idade precoce, muitas adolescentes não realizam um pré-natal adequado. O percentual dos que tiveram pelo menos sete consultas pré-natais em Sergipe foi de 35,5%. A média nacional foi de 43,5%.

O percentual de adolescentes de 16 e 17 anos com ensino fundamental concluído em Sergipe aumentou. Em 2004 era 28,9% e em 2009 alcançou 35,9%. Mas ainda assim está abaixo do percentual alcançado no geral no Brasil, que ficou em 51,1%. Já na faixa etária dos 15 a 17 anos 36,5% frequentaram o ensino médio, um crescimento de quase sete pontos percentuais em cinco anos, mas ainda distante do percentual do país, que foi 50,9%. Em Sergipe, a taxa de abandono no ensino médio ainda é elevada: 16,2%. Um dado preocupante mostrado no relatório é que aqui no Estado 2,4% dos adolescentes na faixa etária dos 12 a 17 anos não são alfabetizados.

Segundo a jornalista do Unicef, Andréa Neri, os resultados do relatório chamam a atenção para o fato de que o país precisa dar mais atenção aos adolescentes e em especial aos que estão em maior situação de vulnerabilidade, como as mães adolescentes, os adolescentes chefes de família e meninos em situação de rua. Ela disse que o documento busca desconstruir o preconceito que existe para com os adolescentes, pois eles se constituem em uma parcela importante da população que tem capacidade de ajudar a repensar as políticas públicas para o país.

Andréa Neri disse que é preciso enfrentar algumas vulnerabilidades, para que possa fazer valer os direitos dos adolescentes, entre elas a pobreza, a exploração sexual, a exploração do trabalho, os homicídios e o abuso das drogas, entre outros. E, segundo ela, dentro desse grupo há ainda um conjunto de adolescentes que têm ainda mais os direitos violados, como os negros, indígenas, que vivem no semiárido.

Fonte: JornaldaCidade.Net

domingo, 22 de maio de 2011

Sergipe possui quase 75 mil famílias em situação de miséria

Dados divulgados, em 03 Maio de 2011, pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada a partir de levantamentos preliminares do Censo Demográfico de 2010 mostram uma realidade bastante preocupante. Ainda existem mais de 16 milhões de brasileiros em situação de miséria. A maioria desses brasileiros vive em situação de extrema pobreza é negra ou parda, jovem e vive na Região Nordeste.

O governo considera extremamente pobres aquelas famílias com renda igual ou inferior a R$ 70 por pessoa. Esse parâmetro será usado na elaboração do plano Brasil sem Miséria, a ser lançado em breve pelo governo federal. Os 16 milhões de brasileiros em situação de miséria correspondem a 8,5 % da população do país. Desse total, 70,8% são pardos ou negros e 50,9% têm, no máximo, 19 anos de idade e 4,8 milhões desses brasileiros não têm rendimento. O restante, 11,4 milhões, tem renda que varia de R$ 1 a R$ 70.

O mapa revela que 46,7% dos extremamente pobres vivem no campo, que responde a 15,6% da população brasileira. De cada quatro moradores da zona rural, um encontra-se na miséria. As cidades, onde moram 84,4% da população total, concentram 53,3% dos miseráveis. Na Região Nordeste estão quase 60% dos extremamente pobres, 9,61 milhões de pessoas. Em seguida, vem o Sudeste, com 2,7 milhões. O Norte tem 2,65 milhões de miseráveis, enquanto o Sul registra 715 mil. O Centro-Oeste contabiliza 557 mil pessoas em situação de extrema pobreza.

A análise dos dados revelam também que, além da renda baixa, a parcela da população em extrema pobreza não tem acesso a serviços públicos como: água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica. A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, falou sobre esses dados e afirmou que o plano Brasil sem Miséria será lançado em breve pela presidenta Dilma Rousseff. O plano terá por objetivo acabar com a pobreza extrema no Brasil até 2014 e combinará políticas de transferência de renda e de capacitação profissional com ampliação dos serviços ofertados pelo Estado.

Os dados de Sergipe aproximam-se dos nacionais. O Estado possui 15% de sua população na condição de miséria. Em números absolutos, dos 2 milhões de sergipanos, mais de 311 mil estão nessa situação o que corresponde a 74.688 famílias. Entretanto, comparado a Santa Catarina que possui apenas 1,6% nessa condição, o Estado precisa investir fortemente na qualidade de vida dos seus. Observando os dados no site do IBGE, Sergipe em termos absolutos têm mais miseráveis de que Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal, Paraná, Goiás, Espírito Santo, Tocantins, Amapá, Roraima, Acre, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.

O contraditório desses dados é que apesar dessa realidade social preocupante, o Estado de Sergipe tem o melhor IDH – Indice de Desenvolvimento Humano e de Desenvolvimento sócioeconômico da região Nordeste. A taxa de mortalidade infantil caiu de 21 crianças que morrem antes de completar um ano de cada mil nascidas vivas para 15. Nos últimos três anos foram criados quase 55 mil novos empregos. A renda per capita que representa a riqueza média gerada no ano por pessoa residente no Estado é de quase R$ 10.000,00.

Diante dessa contradição, podemos aqui considerar que esse modelo de desenvolvimento existente hoje em Sergipe não está conseguindo acabar com a miséria. O Governo tem apostado nos investimentos estatais e na reestruturação da infraestrutura do Estado: estradas, pontes, construção de clínicas de saúde da família, delegacias, reformas de algumas escolas, estádios de futebol entre outras obras estruturantes.

Entretanto, os investimentos nas pessoas estão, até o momento, secundarizados. O agricultor familiar pouco tem se beneficiado das políticas públicas para sair da condição de miséria ainda muito alta no campo, na saúde, com a criação das fundações, as clínicas foram construídas, mas é recorrente a ausência dos profissionais da saúde nesses estabelecimentos devidos os baixos salários e a falta de condições de trabalho em função modelo privado adotado e na educação é uma ausência completa do Estado. Já em relação as políticas de inclusão social pouco tem sido feito. Assim sendo, podemos considerar que os investimentos do Estado na reestruturação da infraestrutura para atrair novas empresas não estão sendo revertidos em qualidade de vida para sua população.

Em seu pronunciamento à nação sobre o Dia do Trabalhador, no domingo, 1º de maio, a presidenta da República, Dilma Rousseff, disse que o país vai comemorá-lo como se deve: “com crescimento do emprego e da renda, com economia sólida e pleno de esperança no futuro”. A crença na melhora futura por parte dos brasileiros, de acordo com a presidenta da República, vem da segurança de que estabilidade, crescimento e distribuição de renda, combate à inflação e à miséria serão políticas permanentes.

O programa Brasil sem Miséria que será lançado pelo Governo vai articular e integrar novos e antigos programas sociais, ampliar recursos e oportunidades e, muito especialmente, mobilizar todos os setores da sociedade para a luta decisiva de acabar com a pobreza extrema em nosso país”, afirmou a presidenta. Segunda Dilma o país será “verdadeiramente rico e feliz” apenas quando não tiver pobreza, “com as famílias podendo subir na vida”.

Já em Sergipe, o Governo do Estado ainda não se manifestou sobre as ações que serão implementadas para superação essa realidade social. O Estado cresce economicamente com a vinda de novas empresas, mas esse crescimento precisa ser revertido em melhoria de vida para o povo que mais precisa das mãos do Estado. Não dá para continuar a velha política de crescer o bolo para depois dividi-lo. Esse modelo já está comprovado que não deu certo. Assim urge que o Governador venha a público explicar os dados e quais serão as ações implementadas pelas Secretarias para acabar, de vez, com a miséria em nosso Estado.

sábado, 7 de maio de 2011

Vende-se: Sergipe Del Rey

07/05/2011 - 05:39

É caro leitor, não pense que o titular deste espaço está delirando. É a pura verdade. O que acontece nos bastidores de Sergipe Del Rey é algo vergonhoso. Aqui pode-se tranquilamente colocar a placa: “Vende-se Sergipe Del Rey”. Que não vai faltar comprado

O cidadão já notou, mas não custa nada reviver alguns casos que mostram que Sergipe parece viver ainda no período que era a Capitania Hereditária Sergipe Del Rey. E quem tem dinheiro compra quase tudo ou quase todos:

- Um lugar onde homem público declara patrimônio de R$ 1 milhão, mora em mansão que custa bem mais e só um dos carros custa a bagatela de R$ 400 mil;
- Onde muitos enriquecem rapidamente com negócios escusos, mas a dita sociedade acha tudo natural desfilando a “omissão” bradando “e eu com isso”.
- Onde as frutas cítricas sempre estão em alta. Tem muita gente que mora em apartamentos que custam alguns milhões, mas na declaração de Imposto de Renda não tem nada nos seus nomes. Laranja é pouco para Sergipe Del Rey.
- Onde parlamentar usa a imunidade para não ser julgado na Justiça por crimes comuns, como apropriação indébita de recursos descontados dos seus ex-empregados. E no Poder Legislativo, quando pedem licença para que ele seja julgado, todos não se manifestam e os pedidos ficam engavetados.
- Um lugar onde prefeito assume que é “Laranja” revela todo o esquema e nada acontece. Os processos ficam engavetados no Judiciário e os órgãos fiscalizadores, por influencia política, ficam inertes.
- Onde um dos principais órgãos de fiscalização atua politicamente, no sentido pleno da palavra, com interesses eleitorais de todos os tipos.
- Onde licitações em alguns órgãos públicos, antes da abertura dos envelopes, são realizados verdadeiros “leilões” onde as empresa são convidadas a não participarem em troca de presentes. Tudo mundo vê e ninguém faz nada.
- Um lugar onde empresário que tem influência política é tratado como verdadeiro chefe de uma máfia e a mais nova é que seus discípulos viajam para fora de Sergipe, para participarem de uma cerimônia de “beija mão”, numa fazenda mineira. Dela já participaram políticos e autoridades.

É caro leitor, não pense que o titular deste espaço está delirando. É a pura verdade. O que acontece nos bastidores de Sergipe Del Rey é algo vergonhoso. Aqui a Polícia Federal, a Receita Federal e o MPF, têm casos para realizar uma operação grande por mês envolvendo “peixe grande”.

Aqui pode-se tranquilamente colocar a placa: “Vende-se Sergipe Del Rey”. Que não vai faltar comprador e ninguém duvide que seja mais uma laranja deste grande pomar cítrico sergipano.

Por Cláudio Nunes em: http://www.infonet.com.br/claudionunes/ler.asp?id=112906&titulo=claudionunes

segunda-feira, 7 de junho de 2010

EMPRESA BONFIM, PÉSSIMOS SERVIÇOS E MULTA DE R$ 1 MILHÃO DE REAIS

O Ministério Público Federal está processando a empresa de ônibus Bonfim em função dos péssimos serviços oferecidos aos passageiros que utilizam os ônibus na viajem Aracaju-Salvador. Vale ressaltar que a Bonfim é a única empresa a operar nesta linha. Como os passageiros não têm escolha, precisam submetessem aos maus tratos cometidos pela empresa.

Segundo o Ministério Público Federal, as irregularidades da empresa são confirmadas pelo relatório de reclamações registradas na ouvidoria da ANTT-Agência Nacional de Transportes Terrestres. No documento, foram registradas 75 reclamações em 2008, 228 em 2009, e 58 até o final de abril deste ano. Ou seja, em pouco mais de dois anos, foram feitas 361 queixas de usuários dos serviços da Bonfim. Ainda de acordo com a ANTT, a Bonfim possui 274 multas de trânsito que totalizam mais de 630 mil reais. Onze delas são pela execução de serviço sem autorização e outras onze, referentes às condições inadequadas de higiene da frota.

Ainda há denúncia de problemas como falta de pontualidade e higiene, mau atendimento, descortesia, comprometimento de segurança, superlotação, manutenção inadequada dos veículos, utilização de veículo inferior ao contratado, entre outros.

Diante do desrespeito da empresa Bonfim para com os passageiros, a ação do Ministério Público Federal pede a Justiça que puna a empresa a uma multa de R$ 1 milhão de reais por danos morais coletivos. A indenização deverá ser revertida ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

Vale ressaltar que a imprensa sergipana não fez qualquer tipo de divulgação em relação a uma ação tão importante, como essa, do Ministério Público Federal. Os “ditos” defensores do povo, como se intitulam uma parte da imprensa do Estado, parecem não está tão preocupado com o povo. Entretanto, os movimentos sociais precisam apoiar ações como essa para que a população seja respeitada nos seus direitos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O QUE O HOSPITAL JOÃO ALVES, ATUAL HUSE?

No último Domingo, dia 18 do mês em curso, teve que ir a Urgência do HUSE-Hospital de Urgência de Sergipe para consulta com Otorino em função de problemas de saúde. Como a Urgência do IPES não dispunha de profissionais de saúde nessa especialidade, a orientação do médico de Plantão foi que fosse ao HUSE. Segundo o médico do IPES, o atendimento era rápido, bastava que eu chegasse em torno das 08h que seria atendido rapidamente. Como havia sido orientado, cheguei no horário, rapidamente foi feito a minha ficha e solicitado que sentasse nos bancos de espera.

A partir daí pude ver de tudo. Primeiro, a Urgência foi enchendo de pessoas com seus familiares sem que o tal atendimento começasse. Juntamente com essas pessoas chegou pacientes trazidas pelo SAMU em estado de saúde grave. Para os pacientes trazidos pela ambulância do SAMU era dado uma atenção maior em função do estado de saúde e logos em seguida colocados para dentro. Já os pacientes que conseguiam andar, a solução era esperar. Para nós chegava informações de diversas ordens que eram comentadas pelas pessoas desesperadas para que seus parentes fossem atendidos: O médico ainda não chegou; o médico está atendendo as pessoas que chegaram em estado grave; estão priorizando uns em detrimento dos outros e assim por diante.

Pude presenciar uma senhora do Conjunto Jardins que chegou gritando desesperada, segundo ela, com uma tremenda dor de cabeça. Como, ainda, podia andar foi orientada para que esperasse. A mulher gritou tanto que desmaiou nos meus pés. Como na Urgência do hospital só tinha um Marqueiro tive que ajudá-lo a colocá-la na marca. O desespero e a desilusão tomavam conta das pessoas. O sentimento de impotência também, pois ninguém era atendido.

O que dava para perceber em relação aos profissionais que estava na recepção era o sentimento de angústia e impotência por não poder dar um atendimento adequado àqueles pacientes que precisavam das mãos do Estado. É criminoso quando culpam esses profissionais, colocando todos na vala comum, pelos problemas que passa a saúde pública em Sergipe. O debate deixa de ser sobre saúde pública e passa a ser, apenas político partidário, e a população continuará sofrendo pela falta de atendimento. Pude presenciar, também, o medo desses mesmos profissionais em serem agredidos pelos familiares dos pacientes ou até mesmo denunciados por não estarem atendendo as pessoas adequadamente. Era visível a falta de profissionais de saúde no HUSE, os poucos que trabalhavam faziam o que podiam para atender as pessoas. O tempo todo os profissionais afirmavam que estavam fazendo a parte deles.

As fundações geraram estes sentimentos de angústia e medo nos trabalhadores da saúde, como já discutido neste Blog em: http://eitacola.blogspot.com/2010/03/fundacoes-publicas-de-direiro-privado.html.

O atendimento, somente começou a ser feito em torno das 10:30h. Pude ser atendido por uma excelente profissional, muito atenciosa e prestativa mais já era mais de 11h. Deixei o hospital logo em seguida e ficou a Urgência cheia de pessoas doentes sem saber quando seriam atendidas. O sentimento era de muita revolta. Como é possível o Estado com um Orçamento anual para a Saúde de mais de R$ 400 milhões de reais e negligenciar tanto a saúde do povo sergipano?

Como Sergipe não tem outro hospital no mesmo porte do HUSE acaba não dando muito resultado as construções de prédios, com o nome de hospital, pelo interior, pois a população acabará indo para o HUSE que tem toda infra estrutura para atender os doentes graves. Assim, o Estado gasta dinheiro construindo prédios, mas não tem profissionais em quantidade para atender as pessoas. Como as Fundações têm a lógica privada, a política deverá ser a de garantir péssimos serviços para obrigar as pessoas a pagar planos de saúde privado e ir, aos poucos, privatizando. O Estado de São Paulo, governado pelo PSDB, que tem fundações de direito privado, também, a denúncia do Sindicato dos Médicos paulista é de sucateamento e privatização.

Como a população começa a reclamar muito das condições de saúde começa a correr para os planos de saúde privado e o Estado vai, aos poucos, deixando de garantir saúde pública para todos. Isso é a lógica que foi implementada nos Estados Unidos, na década de 1980, com a implementação da política neoliberal naquele país. Hoje, como o Estado não garante mais saúde pública, passou tudo para mão da iniciativa privada, milhões de pessoas morrem na porta dos hospitais por não terem planos de saúde.

Em Sergipe, precisa de uma reação muito dura dos movimentos sociais e sindical contra essa política de privatização, em curso com as fundações. Caso contrário, poderemos ver nossos filhos ou netos, no futuro, precisarem de atendimento e as portas dos hospitais fecharem, caso não tenham planos de saúde. A realidade de outros países tem mostrado bem que isso já está acontecendo: Estados Unidos, Chile, Inglaterra entre outros países que o neoliberalismo chegou para destruir as políticas públicas. A política da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe é Neoliberal e caminha nessa perspectiva.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CARTEL DO CIMENTO NO BRASIL

As evidências da existência de cartel do cimento no Brasil ocorreram a partir da investida das três grandes empresas do setor que atuam no país: Camargo Correa e Votorantim, juntamente com a empresa portuguesa Cimpor contra a entrada, no mercado brasileiro de outra concorrente. As três empresas que dominam absoluto o mercado brasileiro de cimento, não querem concorrência no setor. A investida dessas empresas está sendo investigada pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça do Brasil.

Por incrível que pareça, as três grandes empresas não querem a entrada do grupo brasileiro Companhia Siderúrgica Nacional(CSN) no mercado de cimento do Brasil. O ministério da Justiça quer saber porque a Camargo Correa, a Votorantim e a Cimpor não querem mais concorrência no mercado brasileiro. É estranho não?

A Votorantim, em Fevereiro, anunciou a compra de parte das ações da cimenteira francesa Lafarge, juntamente com a Cimpor. Já a Camargo Correa anunciou, também, a compra, junto com a Cimpor, da Construtora Teixeira Duarte. Pode-se perceber o nível de cumplicidade que essas três empresas tem entre si. A existência de cartel é bem possível, na avaliação do Ministério.

Cartel corresponde a existência de um acordo, entre empresas, supostamente, concorrentes para fixação de preços, cota de produção, divisão de clientes e de mercados. O objetivo principal da existência de cartel é eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo elevados lucros. Essa prática prejudica, diretamente, os consumidores e no Brasil é considerado crime.

A proibição está previsto no Artigo 173, parágrafo 4° da Constituição Federal, bem como na lei 8.884 de 1994 que trata do que se configura crime contra a ordem econômica. Os artigos 20 ao 27 detalha quais as ações das empresas que podem ser considerados crime e as consequentes penalidades paras essas empresas. As penalidades chega até a suspensão de funcionamento no país.

Em Sergipe, houve em 2007 uma ação do Deputado Wanderlê Correa com denúncia da existência de Cartel promovido pelas empresas de Cimento existentes no Estado. O próprio deputado, juntamente com o Deputado Federal José Carlos Machado denunciavam os preços excessivos do cimento e defendiam a redução dos preços.

Entretanto, estranhamente, o debate foi esquecido de uma hora para outra e ninguém fala mais sobre isso. Agora com essa denúncia do Ministério da Justiça contra a indústria de Cimento, talvez o debate seja reaberto no Estado. A reabertura do debate deve ser feito na perspectiva de coibir a existência de cartel no Estado, bem como a redução, de fato, dos preços desse produto que é indispensável na construção civil.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ORÇAMENTO 2010 E A POLÍTICA DE JUVENTUDE DO GOVERNO DO ESTADO

O orçamento do Estado de Sergipe para o ano de 2010 corresponde ao um valor global bastante generoso R$ 5.337.445.520,00 (cinco bilhões, trezentos e trinta sete milhões, quinhentos e vinte mil reais). Esse valor é resultado do processo de desenvolvimento econômico intensificado a partir da década de 1980 com a descoberta de petróleo e minério que atraiu grandes empresas mineradoras. O pagamento de royalty fez o Estado aumentar significativamente a arrecadação e garantir incentivos fiscais para outras empreses instalarem-se nas terras de Serigy.

O crescimento da indústria, do comércio e o aumento da produção agrícola fizeram o Estado passar a ter uma das maiores Renda Per Capita, proporcional, da Região Nordeste. Até ai está tudo certo. Mas a realidade social de Sergipe é muito difícil. Segundo dados da OIT-Organização Mundial do Trabalho, em 2003 havia 88 milhões de jovens desempregados no mundo com idade entre 15 a 24 anos. Eles representam 47% do total de desempregados, mas são correspondem a apenas 25% da população trabalhadora.

Portanto, discutir política para a juventude representa levar em consideração tais dados. Mas, em Sergipe, quando analisamos o orçamento do Governo do Estado verificamos a ausência de políticas públicas para essa parcela da população. São esses jovens que estão mais susceptíveis a violência, as drogas, a prostituição, o analfabetismo, ao abandono escolar e ao discurso da direita de que não há alternativas para eles.

Os dados do Orçamento são bastantes emblemáticos. Para a Secretaria de Estado do Trabalho, da Juventude e da Promoção da Igualdade Social, o Governo do Estado prever para o ano de 2010, apenas R$ 5.329.250,00. Isso significa que o Governador Marcelo Déda (PT) pretende “investir” apenas 1% do orçamento do Estado de Sergipe numa secretaria tão importante como essa.

Mais o que chama atenção, quando analisamos o QDD-Quadro de Detalhamento de Despesa que informa como esse dinheiro será gasto pela supracitada Secretaria, a surpresa é ainda maior. Dos cinco milhões orçados, quase quatro milhões são para Manutenção da Secretaria, ou seja, pagar salários dos cargos comissionados.

Assim, sobra apenas R$ 120.000,00 para Proteção e Benefício ao Trabalhador; R$ 894.000,00 para Empregabilidade; e R$ 289.000,00 para Fomento ao Trabalho. Com tão poucos recursos a política pública de inclusão dos jovens pela renda está falida sem ter começado.

No Encontro Nacional de Juventude do PT que ocorreu de 05 a 07 de Fevereiro de 2010, foi deliberado pelos participantes como prioridades para o Partido dos Trabalhadores a construção, no país, de uma política voltada “Programas de Juventude com garantia de trabalho e renda para os jovens, devendo ir além do primeiro emprego ou da qualificação profissional.”

Mas, infelizmente a realidade de Sergipe, quando analisamos o orçamento é bem diferente. Vivemos, em Sergipe, a supervalorização da política de superávit em detrimento das políticas sociais. Segundo dados apresentados pelo próprio Governo do Estado na Assembléia Legislativa, o Estado possuía até Agosto de 2009 um superávit, mesmo em período de crise econômica, mais de 800 milhões de reais. Com todo esse dinheiro investido em políticas de inclusão social, com certeza, teríamos outra realidade em nosso Estado.