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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brasil lidera bloco de reconhecimento ao Estado Palestino: Argentina e Uruguai compartilham posição



A ousadia e a firmeza Itamaraty brasileiro, chefiado por Celso Amorim e sustentado pelo imenso capital político do presidente Lula, mundo afora, país adentro, pelo reconhecimento do Estado Palestino com fronteiras pré-1967 provoca adesões e materializa bloco de países que destoam do posicionamento continental sobre o conflito Israel-Palestina.

O Brasil não está isolado e nem fazendo "pirotecnia diplomática" ou agindo sem qualquer sintonia com seus pares e/ou vizinhos, como insistem em afirmar os prepostos americanos: grande imprensa local e políticos da oposição.

O Brasil está sim liderando um movimento contrário as posições globais que predominam nas intituições multilaterais e da opinião da grande imprensa mundial que, por um lado minimizam os atos beligerantes de Israel que provocam, vez ou outra, massacres civis na Palestina, por outro lado não se empenham em solucionar o problema da Palestina e criar um Estado livre e independente e soberano.


Argentina reconhece Estado palestino com fronteiras de 1967. Declaração de Buenos Aires segue declaração do governo brasileiro, em iniciativa compartilhada por países do Mercosul. A Argentina reconheceu, nesta segunda-feira, o Estado palestino como "livre e independente", dentro das fronteiras de 1967, iniciativa compartilhada entre países do Mercosul.

A declaração de Buenos Aires foi feita dias após um pronunciamento no mesmo sentido do governo brasileiro, que na sexta-feira declarou apoio à iniciativa palestina, solicitando o reconhecimento de um Estado que inclua os territórios palestinos ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

"O governo da Argentina reconhece a Palestina como um Estado livre e independente dentro das fronteiras definidas em 1967", afirmou o chanceler argentino, Héctor Timerman, ao ler um comunicado no Palácio San Martín. "O governo compartilha com seus sócios do Mercosul, Brasil e Uruguai, que chegou o momento de reconhecer a Palestina", acrescentou.

De acordo com o chanceler, a presidente argentina, Cristina Kirchner, "enviou uma nota ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas", para informar a decisão, disse o chanceler.

O governo israelense classificou de "lamentável" a decisão argentina. O país tem, proporcionalmente, uma das maiores comunidades judaicas da América do Sul. Desde a criação do Estado de Israel, em 1948, mais de 60 mil judeus argentinos imigraram para Israel.

Na sexta feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta a seu colega da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, declarando que o Brasil reconhece o Estado Palestino nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, deflagrada em 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. O ministério das Relações Exteriores de Israel manifestou "pesar e decepção" com a decisão do presidente brasileiro e afirmou que o reconhecimento "prejudica o processo de paz”.

Porta-voz do gabinete palestino, Ghassan Hatib afirmou que o presidente Abbas ficou "muito grato e otimista" após a declaração de Lula e "já previa que outros países iriam seguir o exemplo do Brasil". Ele disse também que o reconhecimento tem uma importância diplomática "muito grande". "Se vários países da América Latina reconhecerem nosso Estado, haverá um impacto sobre toda a comunidade internacional, que poderá levar ao reconhecimento de um Estado Palestino independente, no próximo verão, pelo Conselho de Segurança da ONU", disse.

O porta-voz também mencionou "efeitos concretos" do reconhecimento, como a transformação das representações diplomáticas palestinas em embaixadas e uma maior facilidade para a assinatura de acordos bilaterais envolvendo os palestinos.

Para o porta-voz, o reconhecimento crescente do Estado palestino poderá contribuir para o avanço do processo de paz, pois, segundo ele, "constituirá em uma pressão sobre Israel para voltar à mesa de negociações". "Estamos dispostos a retomar as negociações a qualquer momento, mas Israel optou por ampliar os assentamentos em vez de negociar", acrescentou.

O Uruguai ainda nesta segunda-feira, o vizinho Uruguai garantiu que reconhecerá a Palestina como Estado em 2011. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Roberto Conde, o governo trabalha com "a possibilidade de abrir representação diplomática na Palestina, certamente em Ramallah", afirmou Conde. "Já comunicamos nossa intenção à Autoridade Palestina, que nos visitou em duas ocasiões no decorrer de 2010", contou.

De acordo com o vice-chanceler, trata-se de "uma política coerente com o programa de governo" da Frente Ampla (partido do presidente José Mujica), "que definiu a necessidade de reconhecimento da Autoridade Palestina e a abertura de uma representação uruguaia" em território palestino

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tigres Asiáticos: Crescimento Econômico sem Distribuição de Renda

Os países chamados de Tigres Asiáticos estão localizados na parte Sudeste da Ásia, região estratégica que sempre dispertaram interesses das grandes potências mundiais. Cingapura, Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong são os primeiros países a recebem a denominação de Tigres a partir de 1980. Esse termos é resultado do acelerado processo de modernização econômica centrado na industrialização promovida por empresas multinacionais (montadoras) e na exportação de produtos industrializados. Em 1990, surge outras nações, na mesma região, chamados de Novos Tigres Asiáticos: Malásia, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Filipinas.

Laos, Camboja, Brunei, Mianma e Timor Leste são países do Sudeste na Asiático que não são considerados Tigres em função da frágil economia centrada na extração (petróleo, gás natural) na agricultura (arroz).

A rizicultura (cultivo de arroz) é a principal atividade agricola dos países do Sudeste Asiático. Essa característica agrícola é resultado da presença do Clima de Moções, considerado o clima mais chuvoso da terra (chuvas intensas no verão e secas no inverno). Além do arroz, destaca-se, também, o cultivo da cana-de-açúcar, café, coco e abacaxi.

Entretanto, a industrialização é a principal atividade econômica atual dos Tigres. Destaca-se a produção de produtos eletrônicos, computadores, automóveis, construção naval, produtos têxteis e petroquímicos.

A disputa Estados Unidos (capitalista) X União Soviética (socialista) foi um dos principais fatores que estimularam esse desenvolvimento. O período da Guerra Fria geraram preocupações dos Estados Unidos em investir nessas nações diante da ameaça socialista em função da proximidade geográfica da China e da Coréia do Norte, países até hoje socialistas. O crescimento econômico e tecnológico do Japão com apoio financeiro dos Estados Unidos resultou na expansão mundial das empresas japonesas que passaram investir em outros países. Foram os Tigres Asiáticos os países que mais receberam esses investimentos de multinacionais japonesas e estadunidenses.

Alguns fatores contribuiram para atrairem investimentos das grandes empresas multinacionais para os Tigres Asiáticos: posição estratégica em relação aos países socialistas; presença de governos autoritários que impediam a organização dos trabalhadores em sindicatos; superexploração da força de trabalho com mão-de-obra barata; inexistência de maior parte dos direitos trabalhistas conhecidos no Ocidente; inserção de impostos; possibilidade de promoverem destruição ambiental sem qualquer tipo de punição; matéria-prima abundante; e concentração de riquezas com poucos grupos empresariais controlando diferentes setores da economia. Além das empresas disporem de privilégio alfandegários para exportar produtos para Estados Unidos e Japão.

Entretanto, a explosão econômica não causou melhoras no nível de vida da população. Isso aconteceu devido a tendência econômica desses países que tiveram produção para atender o mercado externo do que para beneficiar a população. O número de analfabetos é elevado. Já a mortalidade infantil está diminuindo em função da política rencente de saneamento básico e acesso da população a água tratada, mas Tailândia, Filipinas, Indonésia e Vietnã apresentam ainda elevados índices de mortalidade infantil.

Nos últimos anos as empresas estão mudando-se para a China atraídas pelos custos trabalhistas mais baixos e por um mercado consumidor imenso. Os anos de rápido crescimento provocaram aumento nos salários e perda de competitividade. Por conta disso, a China entra no páreo, já que ali os salários são ainda menores, e consegue arrebatar boa parte do mercado de seus vizinhos. Outro problema para os Tigres é o rápido crescimento dos empréstimos externos (elevada dívida externa) e a especulação imobiliária, o que compromete a atividade bancária e repercute negativamente na economia. Para os próximos anos espera-se que os países tenham crescimento bem inferior ao alcançado nas últimas décadas. A Tailândia, por exemplo, registrou crescimento próximo de zero em 1998.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Árvore de Natal da Energisa: Maior árvore do mundo, e os 4 trabalhadores mortos em 2008?


A maior Árvore de Natal do Mundo, segundo o Guinners Book, foi acesa no sábado 04/12/10. Durante a cerimônia de acionamento os presentes assistiram a Orquestra Sinfônica de Sergipe fazer uma belíssima apresentação de canções natalinas, um espetáculo. A “Árvore de Luz” como é chamada pela Energisa, empresa patrocinadora, está na 22ª edição e mantém uma altura de 127,99m.

Segundo a empresa, foram utilizados 4.500 metros de cabo multiplex 16mm; 40.640 metros de fios 2.5mm²; e 2.630 lâmpadas de luz. A Árvore está erguida em Aracaju, no Bairro Coroa do Meio entre o Rio Sergipe e o Rio Poxim, numa região chamada de Bico do Pato. Vale à pena conferir.

Entretanto, não se fala mais da 20ª edição da Árvore, mas especificamente o ano 2008, segundo matéria da imprensa local que entrevistaram os trabalhadores que sobreviveram a desabamento e familiares dos mortos, pressão da Energisa para a empresa contratada para fazer a montagem da Árvore resultou no desastre. A pressa para acender a árvore no dia 28 de Novembro daquele ano foi o estopim. Os trabalhadores afirmaram na imprensa que alertaram aos responsáveis pela montagem da estrutura que a árvore estava desnivelada, mas como tinha prazos para concluir os trabalhos não foi levado em consideração. Ver matéria no site da Infonet no endereço eletrônico:

http://www.infonet.com.br/cidade/ler.asp?id=80033&titulo=cidade

No dia 24 de Novembro, por volta das 15:20h a árvore desabou e matou 4 trabalhadores: Anselmo de Almeida; Fábio de Almeida, Fábio Santos; Cleidivan Alves. Um deles ainda socorrido no hospital, mas na resistiu. A polícia instaurou um inquérito, mas até o momento não temos notícias do resultado. Quem são os responsáveis? Quem foi punido pela morte de 4 pais de família? Como seus familiares estão sendo assistidos? São perguntas sem respostas.

O estranho é que no final de Setembro de 2008 a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Sergipe havia alertado a Energisa da necessidade de mudança do local de montagem da árvore com possibilidade de curto circuito, incêndios e desabamento. Entretanto, não se fala mas no assunto, a Energisa não assumiu qualquer responsabilidade pelo desabamento nem pela morte dos operários, a polícia sergipana não cometa o resultado do inquérito e parece todos estarem felizes com 22ª edição da ‘Árvore de Natal da Energisa”. Feliz Natal para todos!!!!, háááá esqueci da família de Anselmo de Almeida, Fábio de Almeida, Fábio santos, e Cleidivan Alves que não terão um feliz natal nem suas esposas, seus pais, seus irmãos, seus filhos, seus sobrinhos, seus avós....

sábado, 4 de dezembro de 2010

Japão: desenvolvimento da economia e direitos dos trabalhadores

A economia japonesa é caracterizada por um moderno e complexo parque industrial que resultou no processo de desenvolvimento do comércio interno e internacional, das finanças através de importantes atuações dos bancos pelo mundo adquirindo outras instituições financeiras, da agricultura através de um processo de reforma agrária que distribuiu terras aos trabalhadores rurais e implementou uma política de financiamento aos pequenos agricultores, além do desenvolvimento de todos os setores da economia. O Japão é uma nação desenvolvida, além do forte desenvolvimento econômico, a população apresenta elevada qualidade de vida.

O país encontra-se num avançado estágio de industrialização, favorecida por um intenso fluxo de informação e uma rede de transportes altamente moderna que interliga as principais ilhas Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu (o país possui 6.852 ilhas a maioria pequenas). As modernas redes de informações e transportes contribuem para integração econômica. Um dos traços da economia japonesa são as importantes contribuições da indústria e da prestação de serviços, tais como o transporte, do comércio por atacado e a varejo e dos bancos ao produto interno do país, no qual os setores primários, como a agricultura e a pesca que têm hoje em dia uma quota menor. Outro traço é a importância do comércio internacional na economia.

O Japão é um país sem recursos naturais, mas tem uma população de 127,4 milhões de habitantes em 2008 em uma área relativamente pequena. A expectativa de vida é de 82 anos; a mortalidade infantil é 2,8 crianças mortes de cada 1.000 que nascem; a população é 99% alfabetizada; a taxa de crescimento vegetativo é de -0,139% em 2008, isso significa que a mortalidade, naquele ano, estava maior que a natalidade.

Contudo, apesar dessas condições restritivas e da devastação de seu parque industrial durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão conseguiu não apenas reconstruir sua economia, mas também tornar-se uma das principais nações industrializadas do mundo. Durante alguns anos após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, a economia ficou quase totalmente paralisada em virtude da destruição causada pela guerra, com uma séria escassez de alimentos, uma inflação descontrolada e um agressivo mercado negro.

Mas o povo japonês começou a reconstruir a economia devastada pela guerra, auxiliado no início pela ajuda financeira dos Estados Unidos. Na disputa da Guerra Fria, entre Estados Unidos e União Soviética (capitalismo X socialismo), os investimentos estadunidenses no Japão significaram a tentativa de impedir o avanço do socialismo na Ásia. China, Córeia do Norte, Vietnã, Laos, Camboja já eram socialistas e o Japão poderia ser o próximo, pois foi destruído na Segunda Guerra pelos Estados Unidos, inclusive com duas bombas atômicas. Portanto, os Estados Unidos destruiu Japão e o reconstruiu sem seguida.

Em 1951, o Produto Nacional Bruto foi recuperado ao nível de 1934-36 (antes da guerra). O crescimento populacional inibiu a recuperação da renda per capita da nação, mas em 1954 esse indicador também chegou ao nível de 1934-36 em termos reais. O pessoal militar e os civis juntaram-se ao mercado de trabalho proporcionando uma larga oferta de trabalhadores para a reconstrução econômica no início do período do pós-guerra.

Várias reformas sociais realizadas após a guerra ajudaram a moldar uma estrutura básica para o subseqüente desenvolvimento econômico. A desmilitarização do pós-guerra e a proibição de rearmamento estabelecida pela nova Constituição eliminaram os pesados investimentos que o país vinha realizando com gastos militares. A dissolução dos Zaibatsu (enormes monopólios empresariais) estimulou a livre concorrência, e a propriedade da terra cultivável foi redistribuída em grande quantidade entre os antigos arrendatários agricultores num amplo processo de reforma agrária, dando-se a eles novos incentivos para a melhoria de seus lotes.

Também foi adotada uma agressiva política, com apoio dos Estados Unidos, de acabar com a força de luta dos sindicatos. O resultado disso foi o aprofundamento de um modelo de gestão empresário chamado de “toyotismo” onde os trabalhadores precisavam “vestir a camisa” da empresa. Em outras palavras, quem não trabalhasse do jeito que os patrões entendessem era sumariamente demitidos. Os direitos trabalhistas foram praticamente abolidos, pois não eram respeitados pelas empresas. O enfraquecimento da luta sindical deixou as empresas livres para explorarem ao máximo os trabalhadores e aumentarem ao máximo seus lucros.

O resultado desse modelo resultou no rápido desenvolvimento econômico do país. As empresas passaram a ter lucros elevados, acima da média mundial. O Japão rapidamente desenvolveu sua economia. Já os trabalhadores passaram a sofrer de doenças do trabalho, cansaço, acidentes e mortes permanentes nos ambientes de trabalho. É o país com um dos maiores índices de acidentes e mortes no trabalho. Esse modelo de gestão japonês deu tanto sucesso que foi reproduzido em todo mundo posteriormente, inclusive no Brasil conhecido como qualidade total e 5S.

Com o sistema de produção sendo priorizado, deu-se ênfase ao aumento da produção do carvão e do aço, os dois principais focos do esforço industrial do país. A elevação da produção do aço estabeleceu a base para uma decolagem global da produção, caracterizando um impulso no investimento de capital, sustentado pela recuperação do consumo. Em seguida, a produção foi incrementada não apenas nas indústrias de base, tais como a do aço e dos produtos químicos, mas também em novas indústrias produtoras de bens de consumo, ou seja, eletroeletrônico.

A taxa média de crescimento anual esteve próxima dos 11% em termos reais, durante a década de 1960. Essa taxa ficou bem acima do dobro da média da taxa de crescimento do próprio Japão de antes da guerra, que era cerca de 4% ao ano. A rápida expansão da economia japonesa foi impulsionada pelo vigoroso investimento da indústria privada em novas fábricas e equipamentos. O elevado nível de poupança das famílias japonesas proporcionou aos bancos e outras instituições financeiras amplos recursos para um pesado investimento no setor privado. O aumento dos gastos de capital foi associado com a introdução de nova tecnologia, muitas vezes sob autorização de empresas estrangeiras. O investimento para a modernização tornou as indústrias japonesas mais competitivas no mercado mundial, criou novos produtos e deu às empresas japonesas as vantagens da produção em massa e aumentou a produtividade por trabalhador nesse modelo de produção toyotista.

Um outro fator que está por trás do crescimento econômico do Japão durante esse período foi a existência de uma abundante mão-de-obra com um elevado grau de educação. O país priorizou os investimentos em educação, fato que qualificou a mão-de-obra e contribuiu para que fosse possível entrar no mundo da tecnologia de ponta.

A política econômica do governo, na época, objetivava encorajar a poupança, estimular os investimentos, proteger as indústrias de crescimento e fomentar as exportações. O Japão beneficiou-se com o clima de expansão da economia mundial e com a disponibilidade de um abundante suprimento de energia, que vinha de outras nações por um preço relativamente barato durante esse período.

O principal fato por trás desse crescimento foi o aumento do investimento de capital, usado para construir mais instalações, para aumentar a capacidade de exportação e adquirir o equipamento necessário para responder às mudanças no meio social e econômico, tais como as ferramentas que economizavam o trabalho e aparelhos para eliminar a poluição. O aumento das exportações devido à maior competitividade de preços dos produtos japoneses também serviu de suporte para a constante ascensão das atividades comerciais.

Com a rápida expansão de seu Produto Nacional Bruto, em 1968 o Japão chegou ao segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos, entre as economias de mercado em termos de escala econômica nacional. A prosperidade sustentada do Japão impulsionou sua posição internacional, mas o rápido aumento de suas exportações e o crescente superávit de seu balanço de pagamentos geraram um aumento das mudanças de outros países em direção ao protecionismo.

FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS – BRASILEIRAS? SERÁ?*

(OS DOCUMENTOS DO WIKILEAKS)*

Laerte Braga

É possível que existam oficiais comprometidos com os princípios que devem
nortear as forças armadas de uma Nação. Mas Forças Armadas Brasileiras?
Onde? Desde o expurgo de militares comprometidos com o Brasil promovido pelo
golpe de 1964 a imensa maioria dos comandantes militares brasileiros bate
continência para Washington e presta contas ao embaixador dos EUA das
atividades contra supostos terroristas.

Chefes mafiosos quando presos costumam mandar matar as testemunhas. Com isso
evitam suas condenações. O furioso ataque do governo dos EUA contra o site
WIKILEAKS e a tentativa de prender seu fundador é exatamente isso, matar a
testemunha das barbáries cometidas pelos norte-americanos mundo afora
(reveladas nos documentos secretos trazidos a público pelo site) e buscar
formas de continuar vendendo a mentira da democracia e da liberdade e
toneladas de bombas que vão despejando pelo mundo em ações terroristas
contra governos e líderes que se opõem ao império.

O general brasileiro (brasileiro?) Jorge Armando Felix, ministro da
Segurança Institucional tem o dever de explicar porque foi prestar contas ao
embaixador dos EUA sobre ações do governo contra o suposto “terrorismo” na
região de Foz do Iguaçu. Tivesse a maioria de nosso Congresso compromissos
com o País e o general seria convocado a explicar se é general do Exército
brasileiro, ou agente norte-americano? E receber um voto de censura.

Há um claro preconceito norte-americano e europeu (que procuram difundir
pelo mundo) contra o povo árabe, contra muçulmanos e isso esconde interesses
econômicos e políticos, no caso do Brasil o controle de uma das regiões mais
ricas de nosso País e onde se localiza um aqüífero, o quinto maior do mundo,
o Guarani. Água hoje vale tanto quanto petróleo.

O futuro governo de Dilma Roussef começa andando para trás, como caranguejo,
ao confirmar um trêfego Nelson Jobim, agente estrangeiro, no Ministério da
Defesa e ao substituir um dos chanceleres de maior importância na História
do Brasil e no mundo contemporâneo, Celso Amorim, por exigência e imposição
dos EUA.

O nível de intervenção do embaixador dos EUA no Brasil é inaceitável e
Amorim sempre foi um obstáculo a isso (Jobim não está acostumado a cair de
quatro).

Ou somos uma Nação soberana, independente, ou somos um protetorado ao sabor
de interesses de elites fétidas que tentam controlar o mundo pelo terrorismo
sem aspas dos EUA e de Israel, revelados na totalidade de sua estupidez pelo
site WIKILEAKS.

A ofensiva sionista no Brasil é outra realidade que preocupa. Vereadores
comprometidos ou comprados por grupos nazi/sionistas querem o Holocausto
ensinado nas escolas públicas (Rio e Porto Alegre).

E o massacre de Palestinos? Os estupros de mulheres palestinas? A violência
sionista contra um povo altivo e que luta diuturnamente por suas terras e
riquezas tomadas e saqueadas por Israel?

Ou a “contribuição” policial no caso do Morro do Alemão aos criminosos, os
traficantes?

Querem criminalizar o MST para favorecer grupos como a MONSANTO no chamado
agronegócio (a agricultura da morte pelo envenenamento lento das
multinacionais), beneficiar latifundiários que até hoje se valem de trabalho
escravo.

Querem impedir a integração latino americana para que possam controlar o que
em tempos passados chamavam de AMÉRICA LATRINA.

Precisamos refundar as nossas Forças Armadas, ensinar-lhes brasilidade,
compromissos reais e efetivos com a nação brasileira ao invés da baboseira
de um patriotismo que disfarça submissão e isso é canalhice.

Buscar inspiração em figuras do porte do marechal TEIXEIRA LOTT e outros
tantos, deixarmos de lado torturadores e assassinos que se escondem atrás de
uma anistia que nada mais é que a garantia da covardia impune. Revelá-la,
trazê-la a público como aconteceu na Argentina, no Chile, mostrar o
verdadeiro caráter desses “patriotas”.

Os da submissão e boçalidade.

Se Dilma Roussef começa não entendendo isso e quer apagar os documentos do
WIKI LEAKS que mostram o apetite norte-americano sobre o Brasil, seus
cúmplices, no duro mesmo, o retrocesso vai ser sem tamanho e o equívoco terá
sido imenso.

Se o PT vai mergulhar em brigas por cargos e vaidades pessoais em detrimento
da competência, do brilho, da brasilidade (Celso Amorim, Samuel Pinheiro
Guimarães), está mais uma vez jogando por terra todo e qualquer compromisso
com o Brasil e os brasileiros e ao invés de avanços, caímos sim num conto do
vigário.

A simples menção de Nelson Jobim e suas ações nos documentos revelados pelo
site, documentos oficiais do governo dos EUA, é o suficiente para que o
ministro da Defesa seja afastado e na forma da lei enquadrado como agente de
potência estrangeira.

Quanto ao general Félix, lembra outro general, o comandante da VALE, diziam
que da Amazônia, general Heleno.

Vestem a farda errada.

Quando os muçulmanos deixaram a Espanha onde permaneceram por mais de dois
séculos, nenhuma igreja católica havia sido destruída, nenhuma obra de arte
havia sido queimada, nenhum livro jogado no lixo da censura.

Quando os cristãos deixaram os países árabes ocupados os saques e a
destruição foram de tal ordem que fica difícil descrever tanto fanatismo e
boçalidade. Talvez por isso Gandhi tenha dito que “aceito o Cristo de vocês,
mas não aceito o cristianismo de vocês”.

Vivemos um momento de suma importância neste início de século. Um site, o
WIKILEAKS revela toda a podridão, todo o caráter perverso e criminoso da
maior potência do mundo.

Seus propósitos, seus objetivos, o preconceito em cada ação terrorista
(seqüestro, tortura, estupro, assassinato).

E o que fazem?

Matam a testemunha para evitar danos maiores no julgamento, querem a prisão
do fundador do site, não respondem a uma única afirmação contida nos
documentos oficiais, pois terroristas são eles. EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

E com profunda ramificações no Brasil, inclusive o ministro da tal Segurança
Institucional, o ministro da Defesa e sabe-se lá mais quem.

Os documentos secretos no que diz respeito ao Brasil podem ser vistos em

*
https://mail.google.com/mail/?ui=2&ik=a2c5e2c82a&view=gvatt&th=12ca84c2c059340d&attid=0.1&disp=attd&mime=application/msword&zw

terça-feira, 30 de novembro de 2010

PIB 2008: O fato e o espalhafato

Por Marcelo Déda, governador do Estado de Sergipe


Há duas semanas atrás, o IBGE divulgou resultados dos Produtos Internos Brutos dos Estados brasileiros, referentes ao ano de 2008. O PIB sergipano apresentou crescimento real de 2,6%, resultado sem dúvida modesto e muito abaixo da média nacional, posicionando-o como o menor no ranking daquele ano.

Esses fatos provocaram algumas intervenções críticas nas páginas dos jornais e algum espalhafato nas tribunas da oposição. A se dar ouvidos a essas vozes, a economia sergipana teria entrado num período de estagnação que, no limite, poderia comprometer o nosso futuro. Nada mais distante da realidade.

Para compreender melhor o processo do nosso crescimento econômico, é fundamental examinarmos com mais profundidade o relatório do IBGE com o resultado do PIB de 2008. Nem tudo foi ruim naquele ano. O setor agropecuário sergipano, responsável por 5,2% do PIB, cresceu 20%, com um extraordinário destaque para a produção vegetal que apresentou crescimento de 37,9%, influenciada pelo aumento da produção do milho, equivalente a 146,6%. O setor de serviços, o mais relevante da nossa economia, responsável por 61,8% da riqueza produzida em nosso estado, apresentou crescimento de 3,2%.

O baixo desempenho daquele ano se deveu a dificuldades em segmentos muito específicos do setor industrial: a produção de energia da Usina Hidroelétrica de Xingó e a queda de produção em três subsetores importantes para a indústria de transformação de Sergipe, a saber, a produção de alimentos e bebidas, afetada pelo recuo nas exportações de sucos em plena crise financeira internacional; a indústria de calçados, penalizada pela concorrência com as importações de produtos asiáticos; e a produção da indústria têxtil, em virtude do fechamento de unidades industriais naquele ano. Em 2008, a produção de energia da UHE de Xingó, por problemas operacionais, recuou 38% em relação a 2007. Somente este fato teve impacto negativo de 1,2% no crescimento do PIB de Sergipe.

O ano de 2008 foi um ano atípico no desenvolvimento brasileiro. Não convém esquecer que o mundo conheceu entre o final de 2008 e o primeiro semestre de 2009 a mais profunda crise econômica desde a grande depressão de 1930, e o impacto em cada estado brasileiro foi diferenciado, de acordo com o perfil de sua estrutura produtiva. O impacto em 2008 foi maior em Sergipe por causa do peso do setor energético em sua matriz produtiva e por conta dos efeitos da crise no comércio mundial que afetou sobremaneira o mercado de sucos cítricos, reduzindo as exportações sergipanas.

Os críticos, entretanto, demonstraram possuir uma memória seletiva que esquece os fatos positivos como os verificados, por exemplo, em 2007. Convém lembrar que naquele ano, o PIB sergipano cresceu 6,2%, muito acima da média da região Nordeste que foi de 4,8%. Analisando-se os dois anos, 2007 e 2008, vamos verificar que a taxa anual média do PIB de Sergipe acumulou um crescimento médio de 4,4%, taxa superior à obtida em idêntico período por estados como Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, ambos produtores de petróleo como Sergipe.

Esse crescimento médio superou também o do nosso vizinho Estado de Alagoas. Nesse período, também, o PIB de Sergipe ultrapassou o do Estado de Alagoas, mesmo considerando a diferença de território e de população, já que a nossa é de 2.036.277 e a do estado vizinho alcança 3.093.994 habitantes, 52% a mais.

Para nossa felicidade, os problemas de 2008 foram enfrentados e em grande parte superados. Um extraordinário volume de investimento público, somado a uma política governamental de desenvolvimento econômico proativa na atração do investimento privado, tem permitido que Sergipe viva um processo intenso de recuperação de sua atividade econômica, disseminado em todos os setores. Segmentos atingidos pela crise em 2008 e 2009 recuperaram espaço e geraram empregos. Entre novembro de 2007 e outubro de 2008, antes que os efeitos da crise internacional sobre o emprego interno se fizessem sentir, tínhamos comemorado a geração de 12.775 empregos formais com carteira assinada em Sergipe. Agora, no período de 12 meses, entre novembro de 2009 e outubro de 2010, foram criados 21.113 empregos com carteira assinada - saltamos para um patamar jamais visto antes na economia sergipana, ou seja, o resultado dos últimos 12 meses se situa 65,2% acima do melhor desempenho já havido na economia sergipana. Pelo quinto mês consecutivo, no acumulado de 12 meses, a indústria de transformação sergipana é a que mais gera emprego no Brasil, em termos proporcionais.

A intervenção do nosso governo, liderando os estados produtores de calçados na luta contra a concorrência desleal da China, fez com que o Governo Federal sobretaxasse as importações chinesas e devolvesse competitividade ao nosso produto. A nossa atuação junto ao setor têxtil, reduzindo tributos em troca da manutenção e expansão do emprego, deu excelentes resultados e permitiu a reabertura da antiga fábrica Confiança. Esses dois setores, duramente atingidos pela crise, apresentam hoje um crescimento robusto. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, foram criadas 628 vagas no setor têxtil-confecção, resultado também da captação de novas indústrias, trabalho realizado pelo nosso governo. Na indústria de calçados foram gerados nesse período 1.616 empregos formais e na indústria de alimentos e bebidas, mais 1.068 empregos.

Para os próximos anos, mais notícias alvissareiras: a Petrobras amplia os seus investimentos e anuncia uma nova era para a indústria do petróleo em nosso estado - a exploração em águas profundas; a Fafen investirá algo em torno de 130 milhões de dólares na ampliação da sua planta e na diversificação da sua produção; a vale investirá perto de um bilhão de dólares no projeto carnalita, dilatando no tempo a produção de potássio em Sergipe. Obras como a duplicação da BR-101, a construção da ponte Gilberto Amado, entre Estância e Indiaroba e a ampliação e reforma do nosso Aeroporto, ao lado de tantas outras, consolidarão investimentos estruturantes capazes de dar suporte à expansão da nossa economia.

Se agregarmos a esses dados, o novo horizonte de progresso social e econômico de Sergipe que tem sido atestado pelos institutos oficiais de planejamento e de políticas públicas, encontraremos ainda mais motivos para um sadio otimismo. A Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar de 2009 registrou que Sergipe é o primeiro estado do Nordeste em itens como domicílios com coleta de esgoto, acesso a telefonia, acesso a computadores e fogão, e segundo lugar em acesso a coleta de lixo e posse de geladeira, além de registrar o maior rendimento médio familiar de toda a região. Nenhum outro estado nordestino liderou o ranking em mais de um item.

Como se vê, as espalhafatosas profecias de estagnação e atraso não resistem a uma análise honesta dos fatos. Os dados são consistentes e mostram que Sergipe soube aproveitar as oportunidades que este novo Brasil, inspirado pela liderança do presidente Lula, nos ofereceu. Sergipe avança, se desenvolve, amplia o seu horizonte de possibilidades e cria condições objetivas para a inclusão social do nosso povo. É verdade que ainda temos grandes desafios a vencer e gigantescos obstáculos a superar no cumprimento da missão de fazer de Sergipe um estado socialmente justo, economicamente desenvolvido e ambientalmente equilibrado, mas o nosso governo vai continuar trabalhando duro, investindo em infraestrutura, universalizando e qualificando os serviços públicos e apostando na participação popular e na disseminação dos valores da cidadania. Com o apoio e o trabalho do nosso povo, não tenho dúvidas, Sergipe seguirá vencendo!

sábado, 27 de novembro de 2010

Rio de Janeiro: os paraísos artificiais e os infernos reais

Bastam uns dias experimentando a sensação de terror frente à guerra ao vivo na TV para que a classe média e sua “opinião pública” mostrem suas presas afiadas ávidas por sangue. Diante da urgência de restabelecer a paz aparente, soa forte a demanda por atacar, cobrar-lhes aos pobres o preço de sua condição, lavar com sangue a ameaça à tranqüilidade da paisagem.

A urgência em responder aos ataques do que se presume ser o “crime organizado” é inimiga da inevitável constatação de que não há solução imediata para a questão da segurança pública no Rio e nas demais capitais brasileiras. “Apressado come cru”, diria minha sábia avó Isabel, uma brasileira mestiçada de africanos e índios, que aprendeu a ler praticamente sozinha, e que recebeu este nome em homenagem àquela que assinou-nos a Lei Áurea. Lei essa que ainda não clareou os porões do navio.

A realidade da sensação de guerra, a instabilidade emocional da ameaça, o sangue nas feridas abertas em tantos inocentes e o terror da insegurança é o prato feito diário das comunidades pobres do Rio e da periferia de praticamente todas as cidades brasileiras. Os paraísos artificiais se constroem na distância e no descaso com o que acontece aos brasileiros que não moram nas ruas da classe média, foi sempre assim, esse é nosso fosso histórico. Essa é nossa miopia como povo que ainda não nasceu, porque ainda é incapaz de se irmanar.

Perguntas óbvias escapam das análises alarmadas frente aos incêndios de veículos em vias públicas: O que faz da fabricação, venda e circulação de armas e munição uma atividade tolerada e do comércio dos entorpecentes o cavalo de batalha? De um lado a atividade mortífera e lucrativa das armas e munições é tolerada lícita e ilicitamente nas barbas do poder público. Do outro lado o consumo e venda de drogas é bucha de canhão para legitimar extorsões realizadas pelas polícias seja na forma do “arrego” junto ao tráfico, seja fazendo “rodar” os usuários de classe média que pagam pedágio pelo porte.

Nos fronts da guerra ao vivo vê-se de um lado "criminosos, bandidos, traficantes" e do outro policias representantes do Estado e da violência legitimada pelo exercício do poder das instituições do Direito. Em ambos os lados da guerra os filhos do povo pobre derramando seu sangue... No meio da guerra, do fogo cruzado, está lá o povo pobre que usa os péssimos serviços públicos de transporte e não pode se esconder nos seus condomínios de luxo protegidos pela segurança privada. Os pobres aqui pagaram sempre o preço! Até quando?

Para a classe média e a hipocrisia de sua opinião pública veiculada na velha mídia o confronto é sempre o horizonte do alívio. A sanha de vingança, o desejo de silenciar o mal mostra a pior face do desprezo pelo povo: as vozes clamando ataque e o clamor pelo extermínio dos “bandidos” ganha eco à céu aberto, sob a complacência dos que querem de volta seus paraísos artificiais e sua paisagem de cartão postal. Esse é o maior horror! Há um erro cruel em tudo isso: não ataca com sua solução aparente a causa da violência nem considera a inexorável “teoria da mosca”. Teoria da mosca? Não sabe o que é? Toca Raul! “Eu sou a mosca que perturba o seu sono, eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar...E não adianta vir me detetizar, pois nem o DDT pode assim me exterminar, porque você mata uma e vem outra em meu lugar...”

As estruturas de corrupção e violência que secularmente se reproduzem no tecido social brasileiro são mais que conjunturais. São cicatrizes.

Pertencem à rede das relações e não serão eliminadas por via de soluções imediatas. São característica da sociabilidade e é como tal que devem ser tratadas pelo conjunto da sociedade. Não apenas pelo poder público, as polícias, os governos. O Brasil nunca esteve tão pronto para encarar de frente a dura realidade da ferida da miséria, do abandono dos pobres à sua própria sorte.

O que é preciso que se afirme é que não há solução imediata e que o maior gesto de coragem vem justamente de assumir esta realidade!

Precisamos formular uma AGENDA PARA O RIO, uma plataforma cidadã com poder de implementação de políticas públicas integradas que atue junto ao Palácio da Guanabara e demais instâncias de governo. O Rio exige a mais ampla colaboração dos distintos setores e iniciativas da sociedade civil e pode ser exemplo cidadão para a segurança pública brasileira como um todo. Podemos agendar um futuro a partir do drama do presente! O lugar que ocuparemos no mundo exige!

Como forma de ação imediata frente à crise atual é preciso que esta AGENDA afirme: controle urgente sobre a fabricação e a comercialização de armas e sobretudo a circulação da munição, lícita e ilícita; ocupação cívil das comunidades carentes com políticas públicas de cultura, educação e inclusão digital e cidadã; respeito incondicional com a vida e a dignidade das populações pobres e valorização da participação democrática das comunidades nas decisões locais; garantia de tratamento justo e reinserção social para as vítimas da incompetência histórica das elites em assegurar para o povo direitos básicos de cidadania; Nenhuma confiança nas explicações fáceis, nas soluções paliativas, nem no terror bombardeado ao vivo pela velha mídia. Ocupar as ruas com o amor é a maior arma contra a guerra! O Rio é nosso!

Nunca é demais lembrar que transferir para governos e instituições a responsabilidade para questões complexas e tão amplas é no mínimo “lavar as mãos”. Só a parceria entre a sociedade e o poder público pode ser capaz de empreender ações estratégicas e reais que repercutam a largo e curto prazo. Afinal a lógica de manter uma "paz" aparente, é em si um ato de violência contra comunidades inteiras cuja "ordem" representa dia a dia chorar e enterrar seus filhos que nunca se sabe se voltarão para casa ao fim do dia.

A lógica do confronto só alimenta a indústria da morte e violência gera violência como gentileza deveria gerar gentileza. A "paz" que nos oferecem dia é dia é uma mentira, não resiste a um passeio noturno pela cidade maravilha e é paga à custa de carne humana, triturada, na violência e na miséria. Nem mais armas nem mais mortes! O alívio da classe média e da opinião pública não vale uma vida humana sequer!

Se este país que agora encontra o caminho para se libertar das correntes da miséria e com elas vencer a violência diária vier a se tornar realmente um país de classe média será um lugar lindo de viver. Porque a miséria será vencida. Porque a violência diária pertencerá ao passado de exclusão. Porque a moral da classe média será contaminada pelo espírito festivo e alegre do povo pobre, que é nobre, generoso, fraterno e um dia vencerá o passado que lhe aprisiona nas favelas, nos morros e nos subúrbios sem lei. Havemos de amanhecer!

O artigo é do cineasta Ricardo Targino.
(*) Ricardo Targino é cineasta, seu último filme ENSOLARADO compôs as seleções oficiais de prestigiados eventos como o Festival de Locarno, Festival do Rio, Festival de Mar del Plata, Festival de Paulínia, dentre outros.