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sábado, 20 de novembro de 2010

Cordel: Um Herói Chamado Zumbi

Autor: Antônio Héliton de Santana Paraibano de Santa Rita


- Você conhece Zumbi?
Zumbi, o grande guerreiro
Liderança de Palmares
Comandante derradeiro
Defensor da liberdade
Herói negro brasileiro?

- Zumbi herói nasceu livre
No Quilombo dos Palmares
Como pássaro na mata
Como golfinho nos mares
Como a voz que livre voa
Atingindo céu e ares

- Num ataque ao Quilombo
O menino foi levado
Para o lugar Porto Calvo
A um padre foi doado
Ao padre Antônio Melo
Que o criou com cuidado


- Batizou logo o menino
Com o nome de Francisco
Conto a história ligeiro
Nem pestanejo, nem pisco
Se penetrar nos meus olhos
Qualquer poeira ou cisco


- Ao completar quinze anos
Retornou para o seu povo
Voltando para o Quilombo
Quebrou a casca do ovo
Pra lutar por liberdade
Construir um mundo novo

- Ele foi reconhecido
Francisco, era Zumbi
Menino, há muitos anos
Levado longe daqui
A esperança voltou O fato de ter voltado
Para a sua comunidade
Em nada atrapalhou
A relação de amizade
Com o tal de padre Melo
Seu amigo de verdade
Zumbi tornou-se guerreiro
Defensor da liberdade
Por isso ele foi morto
Esta é a pura verdade
Porém, continua vivo
Em todo que tem vontade

-Tem vontade e luta
Pelo bem desta nação
Para que haja justiça,
Emprego, casa e pão;
Terra para quem trabalha
Pra ter fim a servidão

-O primeiro passo é
Com o povo se juntar
Se uma mão lava a outra
Comece a organizar
Mesmo o sal quando é pouco
Ajuda a temperar
O exemplo de Zumbi
Não é só pra ser lembrado
Ele continua vivo
Se você tem o cuidado
De defender bem a vida
Já lhe dei o meu recado


-Comunique-se com grupos
Procure informação
Leia o que for possível
Importante a formação
Quem tem boca vai à Roma
Diga-me se é ou não

-Agora é começar
Você é novo Zumbi
Essa idéia não morreu
Vive mexendo aqui
Dentro do meu coração
E mexe no seu

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

No Chile, há mais pobres em 2010 que em 2006

Enquanto Sebastián Piñera aproveita os créditos político-midiáticos do espetacular resgate dos 33 mineiros da mina San José, em Copiapó cidade chilena, no dia 8 de novembro 2010, Homero Aguirre e Daniel Lazcano, trabalhadores da mina de cobre Los Reyes, morreram em um novo acidente de trabalho numa clara falta de compromisso das empresas multinacionais que atuam no país com os trabalhadores. A exploração pertence à empresa Sociedad Legal Compañía Minera Del Sur.

O país convive atualmente com centenas de desempregados, dos milhares que ficaram na rua por ocasião do corte dos empregos emergenciais. O presidente Piñera anunciou as vigas mestras de sua agenda de governo batizada com pompa “Chile País Desenvolvido: Mais Oportunidades e Melhores Empregos”. A fórmula piñerista simplesmente é uma extensão ampliada das políticas dos últimos governos da Concertação: aumentar o investimento no país, incentivos tributários para o reinvestimentos de pequenas e médias empresas e incentivo ao turismo.

A fantasia publicitária de converter o Chile em um país desenvolvido sobre pilares que intensificam a abertura econômica e o investimento de grandes empresas transnacional sem restrições trabalhistas e ambientais, nem impostos significativos só tornam o Chile mais dependente dos preços do cobre. Não é estranho que entre janeiro e outubro de 2010, o governo tenha autorizado um investimento histórico de capitais de mega corporações estrangeiras que chegou a 13,275 bilhões de dólares (mais de 200% em relação ao mesmo período de 2009), distribuídos assim: 83% para a exploração de cobre; 9,1% para serviços; 4% para os setores de eletricidade, gás e água; e 3,4% para comunicações.

Esses capitais estrangeiros migram segundo seu próprio capricho e de acordo com variáveis incontroláveis pelo Estado chileno. Além disso, geram pouco trabalho. Com um desemprego estrutural “oficial” beirando os 10%, a simplificação na criação de microempresas – que, na maioria dos casos, são negócios familiares – é uma maneira desesperada de multiplicar o trabalho precário por conta própria em função da ausência de trabalho formal para absorver a força de trabalho desempregada. Aquelas pequenas e médias empresas que se dedicam a atividades produtivas estão condenadas a vender seus produtos aos preços impostos por um mercado cada vez mais dominados pelas multinacionais (a cadeia de supermercados Wal-Mart, que se chama Líder no Chile atua com muita força na redução do emprego e provocar a falência das pequenas e médias empresas).

E quando Piñera fala de “modernização do Estado”, ele se refere simplesmente ao seu encolhimento, com o subsequente aumento do desemprego e menor fiscalização em todos os âmbitos. De fato, espera-se numerosas demissões para o final de novembro, no marco de uma dura negociação coletiva com os sindicatos do setor público que pedem um aumento salarial de 8,9%, sendo que, até agora, o governo só ofereceu um escasso 3,7% nominal.

A acumulação capitalista por meio do saqueio dos recursos naturais desta vez tem seu ponto duro no território do Lago Neltume, cujas comunidades mapuche resistem à construção do túnel de prospecção para a Central Neltume, propriedade da transnacional Endesa-Enel. Os mapuche denunciaram que a “Endesa-Enel invadiu nosso território, retirando-nos a água, apropriando-se dos direitos de aproveitamento contínuo dos bens de vários riachos que pertencem a famílias de nossa comunidade”. Entre as maldições da prospecção está o fato de que a companhia “nos deixará sem nossas ervas medicinais ao elevar o caudal do lago Neltume, ervas que usamos desde tempos ancestrais e que, sem as quais, morreremos”. Os mapuche dizem ainda que a Endesa-Enel “deve compreender que os seres humanos não são donos da natureza, mas sim parte dela, e que o dinheiro e o lucro não podem ficar acima dos direitos coletivos dos povos”.

Os trabalhadores da terceira corporação de cobre privada que explora o mineral no país, Doña Inés de Collahuasi, estão em greve desde o dia 5 de novembro. A 4.500 metros de altura na região norte, o presidente do sindicato, Manuel Muñoz informou que a companhia, em 2010, terá investimentos de 3 bilhões de dólares.

Segundo a Pesquisa de Caracterização Socio-Econômica 2009 (Casen), realizada pelo Ministério do Planejamento a cada 3 anos, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. De acordo com os dados oficiais, em 2006 a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. Por regiões, a pesquisa aponta como líderes do ranking da miséria a região de La Araucanía, com 27,1%, a de Bio Bío, com 21%, a de Maule, com 20,8%, a de Los Ríos, com 20,4%, Atacama, com 17,4% e Coquimbo com 16,6%. As mulheres são mais pobres do que os homens (15,7% x 14,5%); e a população originária (indígena) mais pobre que a mestiça (19,9% x 14,8%).

Tradução: Katarina Peixoto
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Márcio Macedo Recebeu Dinheiro de Laranja do Banqueiro Daniel Dantas?

O Deputado Federal Eleito Márcio Macedo recebeu R$50.000 de CARLOS MANOEL POLITANO LARANJEIRA que segundo o processo de prisão é o mesmo nome de um laranja do perigoso banqueiro Daniel Dantas, acusado de inúmero crimes pela Polícia Federal.

Será que é o mesmo laranja do processo ou um "abenegado" cidadão que fez uma gorda doação para a milionária campanha de Márcio Macedo?

Quem quiser conferir essa história acesse a prestação de contas do deputado federal eleito Marcio Macedo no site do TRE.

O Povo Sergipano precisam saber a verdade. A transparência instituída pela Justiça Eleitoral através da divulgação dos gastos de campanha, bem como dos doadores contribui para o aprofundamento da democracia brasileira.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Eleições e Poder do Empresariado (parte I)

A Justiça Eleitoral, nas eleições 2010, trouxe mais uma novidade no processo de transparência nos gastos das campanhas eleitorais dos candidatos. Tais medidas ajudam à sociedade em geral através de mecanismo eletrônico na fiscalização das doações de campanha e gastos eleitorais realizados por candidatos, comitês financeiros e partidos políticos.

A arrecadação de recursos e gastos eleitorais e a prestação de contas das eleições 2010 estão disciplinadas na Resolução TSE nº 23.217/2010, que prevê em seu art. 48, §§ 1º e 2º, a possibilidade de que doadores e fornecedores prestem informações voluntárias à Justiça Eleitoral durante a campanha:

“Art. 48 (...)
§ 1º Doadores e fornecedores poderão, no curso da campanha, prestar informações, diretamente à Justiça Eleitoral, sobre doações aos candidatos, aos comitês financeiros e aos partidos políticos e, ainda, sobre gastos por eles efetuados.
§ 2º Para encaminhar as informações, será necessário cadastramento prévio nos sítios dos Tribunais Eleitorais para recebimento de mala-direta contendo link e senha para acesso.”

Os cidadãos que desejam saber quem financiou o candidato que votou ou até os candidatos que foram eleitos poderão ter essas informações no endereço eletrônico:

http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.prestacaoconta2010/candidatoServlet.do

Os dados servem para que possamos compreender como acontece o processo de financiamento das campanhas de grande maioria dos candidatos e a quem eles estão à serviço. Os dados mostram que as eleições acontecem de forma desigual para os candidatos que tem financiamento dos empresários daqueles que não têm.

Situações como essa demonstram da necessidade de termos no Brasil uma reforma política para que as eleições aconteçam através de financiamento público das campanhas, de modo que possamos ter relações de igualdade nas disputas eleitorais. Os dados mostram que os candidatos que não têm financiamento dos empresários, praticamente não têm chance nesse modelo de eleições burguesa existente no Brasil.

Para demonstrar a gravidade de nossa afirmação mapeamos as doações de campanha dos dois principais candidatos ao Governo do Estado de Sergipe: Marcelo Déda e João Alves Filho. Os dados demonstram os interesses dos empresários nas duas candidaturas, a maioria fizeram doações para os dois candidatos. Numa clara relação de interesses na possível vitória tanto de um quanto do outro. Vejamos os dados

FINANCIAMENTO DA CAMPANHA DE JOÃO ALVES
• Alves Barreto Comércio e Construções: R$ 10.000,00
• Aribé Comércio e Importações de Veículos: R$ 100.000,00
• Construtora Cunha: R$ 20.000,00
• Contorno Veículos: R$ 10.000,00
• DAG Construtora: R$ 200.000,00
• Diretório Nacional: R$ 1.400.000,00
• EGESA Engenharia: R$ 400.000,00
• G. Barbosa: R$ 60.000,00
• Geraldo Majela Barbosa: R$ 30.000,00
• Josefa Elvira de Jesus: R$ 70.000,00
• Pedro Alcantara P. Barbosa: R$ 10.000,00
• JBS S/A: R$ 1.300.000,00
• MRV Engenharia: R$ 30.000,00
• New Work Comércio e Representações: R$ 50.000,00
• Sergipel Produtos Eletrônicos: R$ 10.000,00
• Tecccol Engenharia: R$ 5.000,00
• Utrafertil: R$ 500.000,00
• Votarantim Metais: R$ 100.000,00
• GP Engenharia: R$ 5.000,00
• José Carlos Marchado: R$ 48.966,00
• José Araújo Mendonça: R$ 5.580,00
• Pedro Evangelista de Castro: R$ 1.000,00

FINANCIAMENTO DA CAMPANHA DE MARCELO DÉDA
• Adinelson Alves da Silva: R$ 20.000,00
• Aldemário Coelho: R$ 5.000,00
• Amito Brito Filho: R$ 5.000,00
• André Luiz Perrucho Nou: R$ 2.000,00
• Arosuco Aromas e Sucos: R$ 80.000,00
• Arteleste Construções: R$15.000,00
• Aruma Produtora de Embalagens: R$ 15.000,00
• Calçados Hispana: R$ 500.000,00
• Carlos Alberto Tavares Ferreira: R$ 4.000,00
• CIPA Nordeste Industrial Produtos Alimentares: R$ 50.000,00
• Companhia Industrial de Celulose e Papel: R$ 20.000,00
• Construções e Comércio Camargo Correia: R$ 1.500.000,00
• Construtora Celi: R$ 300.000,00
• Construtora Cunha: R$ 100.000,00
• Danilo Jalfim Pereira: R$ 5.000,00
• Denise Maria Pereira: R$ 5.000,00
• Diretório Estadual: R$ 1.275.750,00
• Diretório Nacional: R$ 950.000,00
• Duchacorona: R$ 40.000,00
• Edson Freire Caetano: R$ 2.000,00
• ESSE Engenharia Sinalizações e Serviços: R$ 50.000,00
• Fernando Akira Ota: R$ 7.527,21
• Fernando Monteiro Marcelino: R$ 3.500,00
• G. Barbosa: R$ 60.000,00
• Genival Lacerda Cavalcante: R$ 5.000,00
• Geraldo Majela Barbosa: R$ 25.000,00
• Gilson Barbosa Ramos: R$ 8.000,00
• GNC Gas Natural Carmópolis: R$ 30.000,00
• GP Engenharia: R$ 45.000,00
• Impacto Consultoria Médica e Enfermagem: R$ 10.000,00
• INFOX Tecnologia da Informação: R$ 13.000,00
• Jeferson Andrade: R$ 1.611,66
• João Andrade Viera: R$ 15.000,00
• João Bosco Mendonça: R$ 20.000,00
• Jorge Alberto Teles Prado: R$ 40.000,00
• José de Oliveira Junior: 10.000,00
• José Edson Pereira: R$ 1.000,00
• José Leomarques Aciole: R$ 1.000,00
• José Moreira dos Santos: R$ 5.000,00
• Josefa Elvira de Jesus: 25.000,00
• Locável Bus Viagens e Turismo: R$ 10.000,00
• Macedo Engenharia: 60.000,00
• Manoelito Teles Junior: R$20.000,00
• Marcelo Carvalho Almeida: R$ 1.000,00
• Marcelo Medeiros Pontes: R$ 10.000,00
• Moacir Avilete Ramalho: R$ 5.000,00
• Multiserv Comércio e Serviços: R$ 200.000,00
• Paulo Ernani de Menezes: R$ 25.000,00
• Paviservice Serviços 150.000,00
• Politec Incorporadora: R$ 50.000,00
• RGM Construções: R$ 10.000,00
• Ricardo Oliveira de Melo: R$ 5.000,00
• Rodrigo Nascimento Corumba: 2.000,00
• Rosildo Silva: R$ 10.000,00
• Sercol Saneamento e Construções: R$ 38.000,00
• ST Locação de Veículos: R$ 30.000,00
• Teccol Engenharia: R$ 70.000,00
• Tenace Engenharia e Consultoria: R$ 20.000,00
• TOP Engenharia: R$ 150.000,00
• Valter Teles: R$ 1.000,00
• Vera Lúcia de Oliveira: R$ 4.000,00
• Votener Votorantim Comercializadora de Energia: 100.000,00

As informações do TSE-Tribunal Superior Eleitoral mostram como aparece os reais interesses do empresariado. Talvez com essas informações possamos entender por que as empresas poluem, desmatam e destroem o meio ambiente e não são punidas? Por que as empresas desrespeitam a legislação trabalhista, mutilando os trabalhadores, e não são punidas? Por que nossos governantes realizam tantas obras, entretanto a realidade do povo não muda, mas continuam fazendo obras? Por que os trabalhadores têm tantas dificuldades para conquistar novos direitos, entretanto para acabar com direitos é muito rápido? Porque melhorar a saúde, a educação, a segurança, saneamento e habitação para os mais pobres é difícil e nunca tem dinheiro para atender com qualidade esses serviços? Talvez os dados do TSE possam responder essas e outras perguntas.

domingo, 7 de novembro de 2010

Eleições 2010 e racismo no Brasil

As eleições 2010 foram emblemáticas quanto à evidência do comportamento racista na sociedade brasileira. Pudemos ver o racismo manifesta-se de diversas maneiras, mas o preconceito de gênero e regional foram muito forte. Isso pelo fato de termos, pela primeira vez uma mulher candidata e com condições reais de ganhar as eleições, bem como a região nordeste sendo decisiva no processo eleitoral. Assim, os sentimentos conservadores, reacionários e neonazistas evidenciaram o quanto somos ainda racistas, apesar da existência de legislação que condene tais práticas.

O caso mais recente é da estudante de direito de São Paulo Mayara Petruso que
após a confirmação pelo TSE-Tribunal Superior Eleitoral da vitória eleitoral de Dilma Rousseff com ampla vantagem no Nordeste de 10,7 milhões de votos a mais sobre o tucano José Serra Mayara publicou a seguinte frase no Twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!".

As reações contrárias foram imediatas na internet, fato que motivou a OAB de Pernambuco a entrar com ação pedindo ao Ministério Público Federal que ofereça denúncia contra a jovem por crime de racismo. Mas o que chama atenção no caso foi a multiplicação de outras mensagens publicadas na internet com conteúdos semelhantes aos publicados por Mayara.

Também na internet, jovens que se dizem universitários divulgaram meses atrás o manifesto "São Paulo para os paulistas", que condena a migração de nordestinos. A bandeira: defender a cultura paulista contra quem "inunda nosso Estado".

Advogado em São Sebastião (SP), André Colli publicou no domingo 31 de outubro mensagem comparando nordestinos a "porcos imundos", por, segundo ele, devastarem reservas florestais de sua cidade.

Até o Jornal Folha de São de Paulo entrou na onde neonazista e disse que escreveu a mensagem por achar que os nordestinos favorecidos pelo Bolsa Família "não precisam nem trabalhar, ficam em casa fazendo filhos para manter o benefício".

A onda neonazista tem sido comum nos países desenvolvidos onde o crescimento do desemprego tem levado jovens a colocarem a culpa pelo desastre social promovido pelas políticas neoliberais nos imigrantes. Os fortes investimentos em tecnologia, associado a ausência de políticas públicas de estímulo a geração de emprego, está levando as nações ricas a crises sociais sem precedentes.

Assim, tentam colocar a culpa por esses problemas nos povos imigrantes em vez de responsabilizar os gestores públicos e as grandes multinacionais que controlam as economias nacionais. No caso brasileiro, o cenário é muito parecido.

Essas mensagens postadas na internet mostram como pensam os defensores da filosofia neonazistas. A intolerância, o ódio e o desrespeito acabam se transformando em modo de vida. Combater esse tipo de comportamento é preciso. Somente através de um projeto nacional contra o ódio racial poderemos construir um país livre do racismo. Assim é necessário parceria entre os governos federal, estaduais e municipais, que promova o acesso dos jovens as culturas regionais, bem o conhecimento das potencialidades de cada região.

Mudar, por exemplo, a padronização dos livros didáticos, poderá ser um primeiro passo. Esses materiais produzidos a partir de uma visão sulistas, também, acabam não contextualizando a realidade das outras regiões brasileira. Também, é necessário punir aqueles que insistem em cometer crimes tão infantis, mas muito graves, pois estimula o ódio entre irmãos e,portanto, precisa ser condenado. Não podemos aceitar a divisão em vez da união entre o povo brasileiro.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Presidente do Brasil: desafios

Pela primeira vez na história do país, o ano de 2010 será marcado na história do Brasil com a vitória da primeira mulher a governar o país. Dilma foi eleita com 55.752.092 milhões de votos,correspondendo a 56,05% dos votos válidos. A vitória de Dilma significa uma etapa de uma série de desafios que ela enfrentará. Enfrentou nas eleições o racismo, o machismo, o preconceito, a mentira e até o envolvimento do alto clero de Igrejas Evangélicas, Espírita e Católica que fizeram campanha aberta a favor de José Serra (PSDB/DEMOcratas). Entretanto, passado as eleições e com vitória decretada pelo povo brasileiro que não engoliu as mentiras e factóides criados pelos meios de comunicações burgueses, comandados pela rede Globo e Folha de São Paulo.

A vitória de Dilma significa que é necessário repensar ações e alianças, bem como aprofundar as mudanças progressistas que vem acontecendo no país. Entretanto, a garantia que daqui a 04 anos não passaremos pelas angústias que passamos nessa eleição com a possibilidade da volta do PSDB/DEMOcratas que deixou muitos aflitos. Dilma tem desafios que considero indispensáveis ao processo de transformações econômicas e sociais que combine desenvolvimento econômico com distribuição de renda e combate a miséria com preservação ambiental.

O Brasil precisa avançar numa série de políticas que vem travando o desenvolvimento social e econômico. Entre as políticas que entendemos fundamentais, podemos enumerar: ampliar a política de geração de empregos formais, bem como garantia de aposentadoria, licença médica e maternidade dos trabalhadores informais; manter a política de valorização do salário mínimo e garantir que nenhum trabalhador no país ganhe menos que um salário; preservar ambiental e combater o desmatamento e a poluição; acabar com o fator previdenciário que tem punido os trabalhadores desde o Governo de FHC; regulamentar as Convenções 151 e 158 da OIT; garantir uma política de inclusão da juventude e de combate ao tráfico e uso de drogas; desfavelização dos centros urbanos com uma política agressiva de habitações populares; ampliação da política de transferência de renda; ampliação da política de micro-crédito rural e para o micro e pequeno empresário; promover a reforma agrária e urbana com justiça social; melhoria dos serviços públicos garantindo mais investimentos e concursos públicos; erradicar a miséria e a fome; promover a redução da jornada de trabalho de 44h para 40h semanais sem redução de salários; promover reforma tributária onde quem ganha mais pague mais e quem ganha menos pague menos, ou seja, mude a realidade atual; promover a democratização dos meios de comunicações, priorizando as rádios e TV comunitárias; ampliação do acesso e melhoria do ensino superior; garantia do piso salarial para os profissionais da educação com apoio financeiro da União; entre outros pontos.

No seu discurso da vitória Dilma aponta alguns pontos que serão priorizados no seu governo. Esses pontos dão uma dimensão como será seu governo, vejamos:
1- Democracia e princípios
“Registro um compromisso com meu país: valorizar a democracia em toda a sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais básicos, da alimentação, do emprego, da renda, da moradia digna e da paz social.”

2- Erradicação da miséria e mais empregos
“Reforço meu compromisso fundamental que mantive e reiterei ao longo da campanha: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e para todas as brasileiras. Ressalto entretanto, que essa ambiciosa meta não será realizada apenas pela vontade do governo. Ela é importante. Mas, esta meta é um chamado à nação.”

3- Liberdades de imprensa e religiosa
“Eu vou zelar pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa, vou zelar pela mais ampla liberdade religiosa e de culto. Vou zelar pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados na nossa própria Constituição.”

4- Mercado interno
“No curto prazo não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso se tornam mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas."

5- Fim do protecionismo
“Eu estou longe de dizer com isso que pretendemos fechar o país ao mundo, muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais, pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizarem plenamente suas vocações; propugnando contra a guerra cambial que ocorre hoje no mundo.”

6- Controle da inflação
“Cuidaremos de nossa economia com toda a responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável. Por isso faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.”

7- Investimentos sociais
“Recusamos as visões de ajuste que recaem sobre programas sociais, serviços essenciais à população e os necessários investimentos para o bem do país.”

8- Desenvolvimento
“Vamos buscar o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas social e ambientalmente sustentáveis. Para isso, zelaremos pela nossa poupança pública, zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência no serviço público.”

9- Pequeno empreendedor
“Valorizarei o microempreendedor individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico.”

10- Austeridade fiscal
“Mas, acima de tudo, quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.”

11- Pré-Sal
“Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas naturais sempre com pensamento de longo prazo . Por isso, trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal, do marco regulatório do modelo de partilha do Pré-Sal.”

12- Educação, saúde e segurança pública
“Eu me comprometi nesta campanha com a qualificação da educação e dos serviços de saúde. Me comprometi com a melhoria da segurança pública, com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias e comprometem nossas crianças e nossos jovens. Reafirmo aqui esses compromissos.”

13- Pessoas com deficiência e os mais necessitados
“Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso, teriam toda a minha atenção. Reafirmo aqui esse compromisso.”
14- Oposição
“Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio. A partir da minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de opinião política.”

15- Reforma política
“Nosso país precisa melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, por uma reforma política, que eleve os valores republicanos, avançando e fazendo avançar nossa jovem democracia.”

16- Combate a corrupção e transparência
“Valorizarei a transparência na administração pública, não haverá compromisso com o erro, o desvio e o mal feito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.”
Esses pontos apontam que, de fato, o que foi dito no horário eleitoral poderá ser implementado. Entretanto, a efetivação dessas políticas somente será possível com uma ampla mobilização dos movimentos sociais para que o Brasil, de fato, mude o rumo do desenvolvimento econômico com promoção da distribuição de renda com qualidade de vida para todos. A história dirá.